O ministro das Infraestruturas lançou esta quinta-feira o desafio de ser criado no parque empresarial do Barreiro uma Cidade dos Livros que complementaria a já existente Cidade dos Arquivos, convivendo sinergicamente com a componente habitacional prevista para a zona.

Miguel Pinto Luz falava à agência Lusa, no Barreiro, distrito de Setúbal, durante a assinatura da adenda ao protocolo de colaboração entre a Arco Ribeirinho Sul e a Associação Cultural Ephemera, para a ampliação do projeto Ephemera.

O acordo visa a expansão das instalações do projeto e a afirmação da identidade cultural do território do Parque Empresarial do Barreiro, no âmbito do Projeto Arco Ribeirinho Sul e Parque Cidades do Tejo.

“O desafio que lançámos foi avançar, definitivamente, uma vez por todas, com a Cidade dos Arquivos e hoje a novidade é a Cidade dos Livros. São duas dimensões, neste espaço que nós queremos que convivam sinergicamente com aquilo que é a componente habitacional e com componente empresarial”, disse.

Segundo o ministro das Infraestruturas e da Habitação, com o Metro Sul do Tejo, a nova ponte Seixal-Barreiro e a 3.ª Travessia do Tejo, o Arco Ribeirinho começa a construir-se para que, “quando chegar o novo aeroporto, se possa dizer que na área metropolitana de Lisboa não há um lado do sol e um lado de sombra esquecida”.

“A nossa aposta, a aposta do atual Governo, é na Margem Sul e é aqui que vamos continuar a apostar”, salientou.

Também em declarações à Lusa, José Pacheco Pereira, responsável pelo Arquivo Ephemera, explicou que a ideia da Cidade dos Livros, que complementaria a Cidade dos Arquivos, já existe em vários países da Europa e tem a característica de ter disponíveis livros que as pessoas não encontram em lado nenhum, livros antigos ou de tiragens pequenas ou ainda em segunda mão com dedicatórias.

“A ideia de complementar a Cidade dos Arquivos por uma espécie de Cidade dos Livros é fundamental para dinamizarmos este espaço”, frisou.

Noutros países, como no Reino Unido e na Bélgica, as aldeias dos livros são importantes pontos turísticos, exemplificou.

Ao abrigo do acordo esta quinta-feira assinado, a Associação Ephemera recebe mais espaço para os seis arquivos no Armazém 4 e, segundo a presidente da Arco Ribeirinho Sul, Sara Ribeiro, a adenda ao protocolo permite também uma colaboração ainda mais próxima entre as duas entidades na ativação de uma série de eventos culturais e exposições.

O projeto “Barreiro, a Cidade dos Arquivos” já é uma realidade e reúne vários arquivos locais que trabalham em parceria e cujo património é dinamizado com exposições, visitas guiadas e outras iniciativas.

Integram a Cidade dos Arquivos: o Arquivo Ephemera, que conta com mais de 300 mil títulos e com materiais diversos sobre a história recente de Portugal; o Arquivo dos Portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra; o Centro de Documentação do Museu Industrial da Arco Ribeirinho Sul; o Espaço Memória, da Câmara Municipal do Barreiro; o Arquivo da Fundação Amélia de Mello; o clube de história e acervo português da atividade seguradora e o Arquivo Sonoro do Barreiro.

Sediado no Parque Empresarial do Barreiro da Arco Ribeirinho Sul, S.A., o projeto reúne num mesmo território arquivos públicos e privados de diferentes áreas e instituições.

Para a vereadora com os pelouros da Educação, Cultura e Património Cultural da Câmara Municipal do Barreiro, este é um projeto de grande importância para o concelho e uma homenagem à cultura e identidade do Barreiro.

“Não são arquivos para o Barreiro, são arquivos nacionais e que qualquer pessoa pode visitar. A ideia da cidade dos livros é fantástica por transformar o território da Cuf, industrial que produzia químicos e têxteis e neste momento produz conhecimento, riqueza e cultura. Para nós é uma transição perfeita ou seja, a nossa antiga fábrica cria talento, cultura e conhecimento”, disse Sara Ferreira.