No dia 16 de maio a temporada encerrou em definitivo para o Benfica, com o triunfo no Estoril com três golos de rajada logo a abrir a ser insuficiente para evitar o terceiro lugar na Liga atrás do campeão FC Porto e do Sporting, no dia 17 de maio fechou a época do futebol feminino com a conquista da Taça de Portugal frente às portistas no Jamor. Aí, Rui Costa foi taxativo: “Até prova em contrário, José Mourinho é o nosso treinador”. E deixou também uma promessa – iria fazer um balanço de todo o exercício de 2025/26 aos adeptos e sócios dos encarnados durante essa semana. Por uma razão em específico, que não estava diretamente ligada ao clube da Luz, essa “promessa” foi envelhecendo com o tempo. Agora, três semanas depois, era o momento.

Benfica perdeu o timing da renovação e o controlo comunicacional. Agora, além da Champions, perdeu Mourinho

O que mudou durante esse hiato? A bola de neve que se criou com a demissão de Florentino Pérez para forçar eleições antecipadas no Real Madrid. Se numa primeira fase o líder dos merengues apenas não desmentia o treinador português, o facto de haver um concorrente direto como há muito não acontecia nesse sufrágio fez com que tudo tivesse de ficar em suspenso… mesmo assumindo que José Mourinho era a sua escolha para suceder a Álvaro Arbeloa no comando técnico da equipa. À luz dos estatutos, e olhando de forma literal para o que está escrito, Florentino tinha condições para contratar o técnico. Preferiu não fazê-lo, mais por uma questão ética do que outra coisa. Foi isso que deixou o futuro do Benfica em suspenso – pelo menos numa ótica oficial, tendo em conta que a nova época de 2026/27 continuou a ser planeada pela estrutura.

Ainda antes desse jogo na Amoreira que encerrou a temporada, em termos internos, todos sabiam que o interesse do Real Madrid em José Mourinho era real. Mais: todos sabiam que, apesar da proposta choruda que foi apresentada ao treinador para renovar por mais uma época, a mesma corria o risco de não chegar a ter sequer uma resposta perante a aproximação dos merengues. Ainda assim, a mesma foi feita, sinal de que o Benfica estava interessado em fazer de Mourinho o plano A. Com o entendimento para voltar ao Santiago Bernabéu 13 anos depois, seguiu-se o caminho até Ruben Amorim. Como o Observador explicou, houve dois momentos de abordagem ao antigo timoneiro do Manchester United, com passagens anteriores por Sporting e Sp. Braga. Na primeira, recusou. Na segunda, voltou a recusar, acrescentando ainda que encarava o seu futuro a olhar para o estrangeiro e não para um eventual regresso imediato a Portugal.

O plano A foi para Madrid, o plano B não queria voltar ao país, o plano C tinha de avançar. Entre vários nomes falados nas últimas três semanas, Marco Silva foi sempre a aposta de Rui Costa. Pelo trabalho que foi realizando no Fulham nos derradeiros cinco anos, por ser português, por conhecer a realidade nacional e do clube, por ter trabalhado no Estoril com Mário Branco, atual diretor-geral das águias. Ainda foi ventilado um momento de corda-quase-a-partir entre as duas partes, alegadamente pelo desacordo de verbas nos dois anos (mais um de opção) de contrato, mas esse impasse, segundo sabe o Observador, não passou de uma fase em que o técnico quis garantir o máximo de “espaço” em termos de poder de decisão como tinha em Londres com o Fulham (que ainda lhe fez uma “oferta de sonho” para renovar num acordo a médio prazo a três anos).

Marco Silva estava garantido, José Mourinho estava “fechado”, faltava apenas encerrar as urnas do sufrágio do Real Madrid para acelerar tudo num processo onde o Benfica acabou por ficar sempre numa posição de quase “refém”. Apenas na terça-feira, dia 9 de junho, o Special One que teve nove meses sem sucessos na Luz acionou a cláusula de saída, com os encarnados a confirmarem o pagamento de 15 milhões de euros por parte do Real Madrid por Mourinho e, alguns minutos depois, a anunciarem Marco Silva como sucessor. Ainda muito na sombra e de forma discreta, o antigo treinador do Fulham esteve no Seixal nos dias seguintes sem ter uma “apresentação” oficial – até porque, em virtude do triunfo do Torreense na final da Taça de Portugal, a equipa terá de entrar em competição bem mais cedo na segunda pré-eliminatória da Liga Europa.

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Chegava então a hora das explicações, numa conferência marcada para o Estádio da Luz perto da hora do início da cerimónia de abertura do evento que vai concentrar todas as atenções nas próximas cinco semanas: o Campeonato do Mundo. E chegava a hora de Rui Costa abordar vários temas, do insucesso desportivo do futebol a toda a novela José Mourinho, passando pela contratação de Marco Silva como sucessor e pelas duas Assembleias Gerais do clube no final do mês que prometem reacender o rastilho de contestação num plano mais institucional. Uma conferência que, ao contrário de outros momentos, como os balanços de cada janela do mercado de transferências, era aberta a toda a imprensa e não apenas aos estúdios da BTV.

“Qualquer clube que quisesse Mourinho, teria de pagar sempre os 15 milhões”

“A seguir à final da Taça feminina prometi falar durante aquela semana mas, como todos sabem, creio que está toda a gente a par dos motivos que me levaram a falar só agora…”, começou por dizer, antes de abordar de forma direta a questão de José Mourinho. “Depois do jogo com o Estoril, José Mourinho disse que iria decidir o seu futuro naquela semana e, a partir do momento em que se meteram eleições no Real e Mourinho assumiu que queria aceitar a proposta caso Florentino ganhasse, precisámos de ser prudentes, pacientes e ter a situação sob controlo, aguardando o desfecho das eleições não só para poder dar-vos explicações sobre a época mas também sobre o futuro sem José Mourinho. Não podíamos ser levianos numa situação destas, agi da forma que julguei ser a melhor para o Benfica. Esta paciência veio dar-nos razão. Demorou mais tempo do que era previsto e do que queríamos, mas surtiu o efeito que conhecem”, salientou Rui Costa.

Se fiquei incomodado com o vídeo de Mourinho para a candidatura de Florentino Pérez? Na primeira situação fiquei mas recebemos uma justificação clara de como isso se tinha processado. Internamente, ficou resolvido. Da parte de José Mourinho? Claro, obviamente”, reforçou.

“Os acordos estão todos feitos com o Real Madrid e Mourinho. Ainda não recebemos os 15 milhões mas estão garantidos e a chegar a qualquer momento. Faz parte das burocracias. Proposta? Basta lembrar a última conferência de imprensa de Mourinho, que disse que tinha 99% de chances de ficar porque tinha uma proposta boa. Vamos pôr de parte a situação de termos apresentado uma proposta de renovação porque sabíamos que Mourinho ia para o Real Madrid. A primeira vez que me é perguntado se Mourinho fica no Benfica, é no sentido inverso. É depois do jogo com o Casa Pia. E naquela semana, antes do jogo em Alvalade, assumi que Mourinho era o meu treinador no ano a seguir“, prosseguiu o número 1 das águias.

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“Quando essa cláusula do contrato de José Mourinho foi feita, estávamos em período eleitoral. Permitia que, se não ganhasse as eleições, quem chegasse tivesse uma mobilidade diferente para continuar ou não com José Mourinho. Tenho visto muita confusão. Essa cláusula dos sete milhões valia para o Benfica e para Mourinho. Se o Benfica quisesse despedir Mourinho, teria de pagar os tais sete milhões, se Mourinho quisesse sair, idem. Em qualquer momento, mesmo nos tais dez dias, se algum clube quisesse Mourinho teria sempre de pagar os 15 milhões. Esse acordo era só entre as duas partes. Essa cláusula servia para isso e nenhum de nós estaria à espera que não houvesse uma continuidade. Que fique claro: qualquer clube que quisesse Mourinho, teria de pagar sempre os 15 milhões. Os sete milhões seriam só para o Benfica e para Mourinho”, tentou também esclarecer Rui Costa a propósito do contrato com o técnico.

“O Benfica teve de aguardar o desfecho do processo eleitoral do Real Madrid. Mourinho assumiu que seria treinador do Real caso Florentino [Pérez] ganhasse as eleições. Não ficámos na mão de ninguém, controlámos sempre a situação. Todos os cenários foram previstos e analisados e estávamos prontos para qualquer cenário do lado de lá. O facto de ter estado em silêncio e de termos aguardado essas eleições não fez com que o clube estivesse parado. Não se pode confundir esta espera com o clube estar bloqueado. O clube trabalhou para poder estar pronto no início da temporada, sabendo que a única coisa que muda em relação às expectativas era que a primeira competição seria o Campeonato e, depois da Taça, passou a ser a pré-eliminatória da Liga Europa. Entre o primeiro dia do plano A para aquele que temos hoje, tira-nos 18 dias. Tivemos de mexer na pré-temporada mas isto é uma garantia: nada deste processo atrasou o nosso processo, estamos mais do que a tempo. Não ficámos parados, trabalhámos, programámos e vamos entrar com tudo preparado na pré-eliminatória. Nada disto atrasou a preparação”, assegurou o líder encarnado.

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Não estamos a falar de um treinador que estivesse a prazo. O nosso foco naquele momento era recuperar a temporada, que naquela altura já estava atrasada em relação ao título. Vamos pôr de parte que foi esse momento que teve influência na decisão de Mourinho. Se tivesse renovado em março e aparecesse o Real no final da temporada, não invertia nada. Ainda hoje sou criticado porque, em março de 2023, renovei com um treinador que a nove jornadas do fim tinha dez pontos de avanço. Agora, sou criticado pelo contrário. Mourinho sempre soube por mim que não iria começar a próxima época sem a renovação. Nunca esteve em causa a continuidade de Mourinho. Conversávamos todos os dias e não há como fugir a este tema. Mas entendemos alongar este período e, no final da época, fazíamos a renovação. Outro aspeto importante e que fique claro: a proposta oficial a Mourinho surge antes da última jornada, à qual tínhamos uma esperança remota de chegar ao segundo lugar”, rematou, recordando o caso de Roger Schmidt. “Se fiquei desiludido? Não, tenho de respeitar. Foi um imprevisto mas tenho de seguir em frente”, concluiu.

“Assim que Marco Silva se mostrou disponível, a nossa opção foi Marco Silva”

“Espero do Marco Silva aquilo que todos os benfiquistas esperam: que consiga trazer os títulos que tanto ambicionamos. Acreditamos que é o treinador ideal para o Benfica. A sua experiência em Inglaterra e aquilo que tem feito dão-nos essa esperança. Estou muito satisfeito com esta escolha e muito ambicioso para o futuro do Benfica com um treinador que, acredito, nos traga o que desejamos”, apontou. “O sucesso de Marco Silva será fundamental para o sucesso do Benfica e é isso que esperamos. Proposta de renovação? Fizemo-la na altura em que entendemos e fomos conversando sobre isso. Mourinho sabia perfeitamente que era o treinador que eu queria para a próxima época. Tinha contrato até final da época e não o deixaríamos começar o seu último ano de contrato estando a um ano do fim. Foi o que fizemos, mas a escolha de José Mourinho foi outra. O Real Madrid apareceu pelo meio e tomou outra opção”, acrescentou.

“O Benfica vai mudar de treinador porque o treinador entendeu sair neste momento. Assim como aconteceu no meu primeiro ano com Jorge Jesus, que em dezembro havia o Flamengo pelo meio e gerou a complicação que gerou. Procurarei sempre que os nossos treinadores tenham o maior prazo no clube. Mourinho escolheu um outro projeto para a carreira. A aposta no treinador português, neste momento, visa duas coisas: uma porque gosto e acredito, outra porque considero que Marco Silva é um grande treinador e está no momento ideal da carreira para treinar um clube como o Benfica. A partir do momento em que cheguei a Marco Silva, as outras escolhas foram completamente eliminadas”, confidenciou Rui Costa.

O contrato com Marco Silva é de dois anos, mais um de opção caso seja campeão nacional. Se for campeão, estende automaticamente mais um ano”, esclareceu o presidente do Benfica.

“Se apresentámos uma proposta de renovação a Mourinho, Marco Silva só chega ao Benfica porque Mourinho não ficou, isso é uma coisa óbvia. Em relação a todos os nomes que foram falados, deixem-me dizer uma coisa muito clara e transparente: em Portugal gosta-se muito da questão da primeira ou segunda escolha, parece quase uma questão recorrente. Mas nenhum clube nesta decisão deixa de fazer uma shortlist. Não vou estar a falar em nomes que foram ou não contactados ou que foram ou não oferecidos ao Benfica. Assim que Marco Silva se mostrou disponível, a nossa opção foi Marco Silva. Tenho de pensar como o Benfica conquista títulos”, referiu também, sem nunca referir o nome de Ruben Amorim como uma opção.

Não é uma confirmação, mas é mais um passo em frente: Fulham anuncia saída de Marco Silva

“É evidente que ir buscar um treinador à Premier League nunca é fácil, mas houve o respeito de percebermos o valor de Marco Silva e de Marco Silva perceber que vinha para Portugal, que não poderiam ser valores similares ao que se paga no Campeonato mais bem pago do mundo. Está mais do que identificado com o projeto do Benfica, assistiu aos jogos ao longo do ano e está a par das lacunas. Não vou referir o que já pediu ou deixou de pedir. É exigente e ainda bem para nós, iremos tentar chegar a um consenso em relação às possibilidades do clube para formar o melhor plantel para atacar todas as frentes”, adiantou Rui Costa.

“Não é indiferente o modelo de jogo de Marco Silva ser quase idêntico àquele que temos utilizado, também teve essa grande influência. Está pronto para pegar neste plantel e fazê-lo funcionar. Depois, pela carreira que tem tido e pelo facto de ser conhecedor do futebol português, muito embora esteja há nove anos lá fora nunca deixou de acompanhar o futebol português e de estar identificado com os pergaminhos e exigência do Benfica. Vimos de um ano que não foi bom, e alguém ter a coragem e força para levantar a equipa do Benfica”, fechou a esse propósito, numa chegada de Marco Silva à Luz que podia ter acontecido há mais de uma década, quando chegou a falar com Luís Filipe Vieira depois de deixar o Sporting no final de 2014/15.

“O treinador já tem na sua posse aquilo que é o relatório da época passada”

“Nem todos os jogadores são negociáveis, não temos uma lista total do mercado e pusemos todos os jogadores à venda. Sabemos, de antemão, e não vou estar a esconder, que o facto de não termos Champions vai obrigar a alguns esforços. Queremos manter a base do plantel e retocar o que precisa de reforços. Desde logo a saída de Otamendi vai obrigar a reforço na zona central. A ausência da Champions pesa em qualquer clube mas estamos prontos para investir no mercado para podermos lutar por todas as provas”, garantiu.

“Quem está a preparar a temporada do Benfica? A estrutura do Benfica, como é óbvio, para dar ao treinador as melhores condições para decidir em conformidade. Não ficámos à espera que tudo passasse e agora vamos lá ver o que precisamos… O treinador já tem na posse dele, e como sabem até já está a trabalhar, tudo aquilo que é o relatório da época passada, do que consideramos que não funcionou bem, para fazer o fato à medida. Foi um momento chato porque estivemos neste silêncio mas não estivemos sem preparar a próxima temporada”, frisou Rui Costa, numa resposta onde acabou por não confirmar que, na semana que se seguiu ao encontro no Estoril, José Mourinho entregou também um relatório sobre a época de 2025/26.

“A proposta de renovação está nas mãos do Schjelderup. Não é um caso urgente porque não está a acabar contrato mas vamos aguardar pela decisão. Quando acabar o Mundial, conversaremos com ele. O António Silva também tem proposta de renovação em cima da mesa. A nossa competência é renovar os jogadores que entendemos que merecem, a competência deles é aceitar ou não. Espero que ele aceite”, destacou, antes de recordar também que o central já faz parte da hierarquia de capitães dos encarnados.

“A nossa parte financeira permite-nos passar um ano sem Champions”

“Vou assumir claramente: toca-nos um ano diferente. O primeiro passo é entrar na Liga Europa, uma vez que temos três pré-eliminatórias. Depois temos de nos assumir como candidatos. O Campeonato falha-nos há três anos e queremos ter um plantel pronto para todas essas frentes. Vejo o Marco muito otimista, confiante com a matéria-prima que temos em casa. Evidentemente, com mais alguns reforços que sejam necessários. Posso dizer que há um grande otimismo da parte dele e estamos muito satisfeitos com a positividade que traz. Saídas? Até agora, o mercado está muito parado. É um ano de Mundial e não estamos com urgência nenhuma em ter de fazer vendas. Mesmo com o facto de não ter Liga dos Campeões, não vai ser isso que nos vai apressar a tomar medidas que possam ser prejudiciais”, salientou o líder das águias.

“A pior temporada que tive enquanto presidente foi logo a primeira. Ficámos no terceiro lugar mas acabámos por ir à Liga dos Campeões. Depois disso não aconteceu mais e este é um ano frustrante, muito negativo da parte do Benfica. E peço desculpa a todos os benfiquistas por um ano que defraudou todas as expectativas. Agora é corrigir o que não correu bem, que foi muita coisa, e entrar com otimismo para a próxima temporada. Essas são as nossas premissas desde já”, admitiu Rui Costa sobre a análise de 2025/26.

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“A cláusula de rescisão do Marco é a mesma [de Mourinho], 15 milhões de euros. Será apresentado amanhã [sexta-feira]. Não nos podemos esconder. Temos três pré-eliminatórias para chegar à Liga Europa. O Benfica tem de se assumir como um dos candidatos. Não estou a dizer que o Benfica vai ganhar, mas tem de ser um dos candidatos. A nossa parte financeira permite-nos passar um ano sem Champions e não temos sobressaltos de maior, pese embora se perceba que tem o seu impacto. Estamos prontos e preparados para superar isto também. Não vai ser por essa razão que não iremos apetrechar a equipa e fazer um plantel digno dos pergaminhos do Benfica, lutando por todas as competições”, voltou a garantir na conferência na Luz.

“A época correu mal, foi atípica, mas não me lembro de um clube ser tão prejudicado”

“A época correu mal, foi atípica em muitos aspetos. Estamos a falar da situação da Liga Europa mas nada é mais preocupante do que aquilo que aconteceu no ano passado. Logo a forma como começou, vir do Mundial de Clubes e começar a competir passados 20 dias, sem férias, sem nada… Isso custou-nos bastante, muito mais do que este período agora. Tivemos um foco muito grande nas provas imediatas que tínhamos pela frente, vínhamos quase do Mundial diretos para a Supertaça e pré-eliminatória da Champions. Os objetivos foram ambos alcançados mas levaram a uma dureza e sacrifício enormes por parte dos atletas e da estrutura. Ninguém teve o ‘desligar’. E depois tivemos uma descarga enorme física e mental que nos custou bastante no campeonato. No Campeonato cometemos erros que não devíamos ter cometido”, referiu.

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É atípico um clube acabar o Campeonato sem derrotas e em terceiro lugar mas não se pode ter 11 empates durante o ano. Perder tantos pontos em casa… Ficámos afastados do título devido a esses erros. Muitos empates e perdas de pontos cruciais. Mas se nós cometemos muitos erros durante o ano, e não posso fugir deles, também não podemos escamotear tudo o que aconteceu na arbitragem. Não me escondo atrás disso, mas não me posso esquecer do que foi feito”, prosseguiu, antes de visar os erros de arbitragem.

“Não me lembro de um clube ter sido tão prejudicado durante um ano como o Benfica foi este ano. Se isso teve implicações na classificação? Claro. Não podemos ficar indiferentes a isso. Não vou dar desculpas porque assumo a má época e responsabilizo-me e peço desculpa, mas não posso esconder o que aconteceu com as arbitragens. Os casos são muito flagrantes e vocês foram comentando ao longo da temporada. O que exigimos é que o Benfica seja respeitado e que o próximo ano seja bem diferente. Já tínhamos vindo de uma Taça da maneira como foi, e agora o que aconteceu em Famalicão, em que vou ter de levar com um castigo… Eu levo 45 dias, o árbitro que dirigiu aquele jogo [n.d.r. Gustavo Correia] ainda ontem [quarta-feira] estava a fazer de quarto árbitro”, apontou, recordando o castigo do Conselho de Disciplina.

“Pronunciámo-nos sempre que entendemos que essas questões aparecem. Temos exposto às entidades competentes a nossa tristeza a ver o que se tem passado, o nosso mal-estar. Em várias situações, sentimo-nos muito prejudicados pela arbitragem. Não vou esconder uma coisa que foi um facto só por termos falhado objetivos. Não foi essa a única razão que nos levou ao fracasso, mas também contribuiu. Não me lembro de uma equipa ser tão prejudicada. Já fizemos todas as reclamações ao Conselho de Arbitragem e exigimos transparência. Exigimos que a próxima temporada seja igual para todos os clubes. Não queremos ser beneficiados, mas não podemos continuar a ser prejudicados”, concluiu Rui Costa.