Organizações não-governamentais turcas e australianas apelaram à presidência da próxima conferência da ONU sobre o clima, COP31, para acelerar a transição para o fim dos combustíveis fósseis e “liderar pelo exemplo”.
Enquanto decorrem reuniões intermédias, em Bona, Alemanha, sobre o clima, antecedendo a cimeira da ONU em Antalya, Turquia, de 9 a 20 de novembro, 94 organizações publicaram esta sexta-feira uma carta na qual enfatizam que os dois países têm uma oportunidade histórica para avançar internacionalmente na transição para o fim dos combustíveis fósseis.
“Escrevemos com uma visão partilhada para a COP31 e um apelo a uma liderança ambiciosa e inclusiva neste momento crítico da resposta global à crise climática”, afirmaram as organizações na carta dirigida ao presidente da COP31, Murat Kurum, da Turquia, e ao presidente da comissão de negociação, Chris Bowen, da Austrália.
Embora a Turquia presida e acolha a COP31 em Antalya, a Austrália é responsável pela liderança das negociações, num acordo político sem precedentes.
As ONG instam os dois governos a “atacar a causa principal da crise climática: a queima de carvão, petróleo e gás”.
E apelam à implementação rápida dos compromissos assumidos na COP28 no Dubai, em 2023, quando quase 200 países se comprometeram a eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, algo que nunca tinha acontecido.
A carta é assinada pelas filiais australiana e turca da organização internacional “Climate Action Network” (CAN) e por muitas outras entidades, como a associação 350, a Greenpeace ou o Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund for Nature , WWF).
As ONG exortam a Turquia e a Austrália a “liderarem pelo exemplo, reforçando os seus compromissos e ações a nível nacional”.
Solicitam especificamente que a Turquia implemente uma moratória sobre novas centrais termoelétricas a carvão e um plano para eliminar gradualmente o carvão, que ainda é amplamente utilizado no país.
Quanto à Austrália, os signatários da carta apelam a um plano de transição para o fim dos combustíveis fósseis e ao fim das suas significativas exportações de carvão e gás natural liquefeito (GNL).
No documento pedem também o empenho da organização da COP31 num “progresso significativo” no financiamento climático internacional, para avançar nas áreas da mitigação, adaptação e também na indemnização por perdas e danos.