Eis o regresso do melhor dérbi do mundo. Final da temporada é sinónimo de duelos eletrizantes entre Benfica e Sporting no futsal, capazes de parar o país e todo o mundo do futsal. É o duelo mais aguardado, em que todos querem participar e em que as finais são levadas ao limite, seja na quadra vermelha do Pavilhão Fidelidade ou no piso verde do Pavilhão João Rocha. Esta época até teve a particularidade de os rivais lisboetas se terem enfrentado nos inéditos quartos de final a duas mãos da Liga dos Campeões, o que aumentou o número de embates entre ambos. Ao longo das próximas semanas, estavam garantidos mais três grandes dérbis, sendo que a época pode terminar com 11 confrontos entre águias e leões.

André, o herói improvável a decidir um dérbi de loucos: Benfica vence Sporting e conquista Taça de Portugal

Tudo começou no início da temporada, em setembro, com o Sporting a levar a melhor na Supertaça. Esse acabou por ser o único troféu interno conquistado pelos leões, seguindo-se, para o Benfica, uma vitória caseira e o empate fora de portas na fase regular do Campeonato Nacional, que catapultaram o campeão nacional para o primeiro lugar, que lhe vale o fator casa nesta final. Já em março, a equipa de Nuno Dias superou o rival na Champions que viria a conquistar, tendo goleado em casa depois de ter perdido na Luz. Por fim, na final da Taça de Portugal, a turma de Cassiano Klein levou a melhor e juntou a prova rainha à conquista da Taça da Liga. Para o jogo 1, Henrique Rafagnin e Taynan da Silva eram as únicas baixas.

“As expetativas são as melhores. Trabalhámos toda a época a sonhar com este momento. Creio que é o momento mais mágico da temporada. Temos uma final para disputar contra um adversário que conhecemos. Sabemos das suas qualidades e temos de fazer os melhores jogos da época para conseguirmos atingir o nosso objetivo. Acredito que é uma unificação. Para se ser campeão, para se alcançar uma grande conquista, é preciso reunir vários fatores. Primeiro, a alma, o espírito, querer muito isso, desejar muito. Esse é o primeiro pilar. Depois entra muito a capacidade dos jogadores para conseguirem fazer coisas que não se conseguem imaginar. O futsal é um jogo muito rápido, com muita dinâmica. Há alguns ajustes técnicos e táticos com os quais se procura surpreender o adversário. Mesmo que seja algo mínimo, pode dar uma pequena vantagem. Mas tudo entra nesse contexto, em que há vários fatores muito importantes”, perspetivou o treinador brasileiro.

“Não é preciso mudar as coisas que fazemos em termos técnico-táticos, só ajustar uma ou outra situação porque todas as equipas têm características diferentes e têm comportamentos diferentes perante a mesma situação e o Benfica tem comportamentos diferentes do Sp. Braga perante a mesma situação. Por isso, não temos de mudar nada, mas sim ajustar um ou outro posicionamento e ajustar um ou outro movimento. Em termos emocionais, temos de alertar para os perigos de sairmos do jogo, de nos desfocarmos e temos de perceber que neste tipo de jogos, e tudo aquilo que os envolve, por vezes a emoção leva-nos a comportamentos que se calhar não são os mais adequados e os que precisamos para o jogo. Isso é sempre mais difícil de treinar do que os aspetos técnicos, táticos e físicos. O Benfica, além de ter feito menos jogos, jogou um dia antes. Teve, por isso, mais dias para preparar este jogo do que nós, mas nesta fase da época, isso é um dado a que nós não damos grande importância”, explicou o português.

Com Léo Gugiel, Afonso Jesus, Diego Nunes, Lúcio Rocha e Higor de Souza, Bernardo Paçó, Tomás Paçó, Bruno Maior, Pauleta e Wesley França nos cinco iniciais, o Benfica entrou com tudo na final e, no final do primeiro minuto, já estava em vantagem, aproveitando da melhor forma a superioridade com a subida de Gugiel, que serviu Lúcio para um remate que deixou Paçó mal na fotografia, já que a bola entrou junto ao seu poste (1′). O Sporting acabou por reagir bem, teve oportunidades por Pauleta (2′ e 3′), antes de Alex Merlim desferir um remate forte, de livre, à barra da baliza encarnada (3′). Na reta final do primeiro tempo, Wesley apareceu em zona frontal a rematar ao lado (16′) e Zicky obrigou Gugiel a aplicar-se em duas ocasiões (18′ e 19′).

Os papéis inverteram-se na etapa complementar, com André Coelho a testar Bernardo Paçó de livre (23′) e Diego Nunes a desferir um remate cruzado que desviou em Tomás Paçó e quase traiu o irmão (25′). Na resposta, Zicky Té isolou-se com mais uma grande arrancada, mas Léo Gugiel esteve à altura e travou o remate com a cara (28′). No lance seguinte, o Benfica voltou a ser feliz, com Diego a receber na direita e a deambular para o meio, fugindo a Bruno Pinto, para desferir um grande remate, que entrou no ângulo superior mais distante (29′). Nos últimos dez minutos, Silvestre Ferreira acertou nos ferros (30′), Zicky atirou à trave (33′) e Felipe Valério relançou o jogo na conclusão de uma reposição lateral cobrada por Wesley, aproveitando a passividade de Higor (34′). Com Merlim como guarda-redes avançado, Tomás e Arthur quase faturaram, mas o 2-1 manteve-se até ao fim e deixa o Benfica em vantagem na final.