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Didier Deschamps rejeitou qualquer sentimento de vingança em relação à derrota de 2002 no Mundial da Coreia do Sul e Japão. “Não há vingança no futebol”, afirmou, acrescentando que a maioria dos seus jogadores nem era nascida na época. O selecionador francês elogiou a qualidade do Senegal, destacando o seu meio-campo e capacidade ofensiva, e frisou que o foco estava em estabelecer o tom certo para o torneio. Do lado senegalês, Pape Thiaw não escondia a confiança. Vencer a França “não seria uma surpresa”, disse, lembrando que a sua seleção é campeã africana e está na sua terceira participação consecutiva em Mundiais. Thiaw evocou a memória do seu mentor Bruno Metsu – técnico que conduziu o Senegal em 2002 – prometendo usar o seu legado para motivar os jogadores, para um dos principais jogos do dia.
Apesar do que Thiaw disse na antevisão, foi uma surpresa a forma como o Senegal entrou na partida, com direito ao primeiro pontapé de canto do jogo, mas sem consequência. Mais pragmática, a seleção francesa podia queixar-se de si própria, depois de Rabiot encontrar Kylian Mbappé na desmarcação, com o avançado do Real Madrid a não conseguir receber a bola de forma a ganhar a frente do lance a Kalidou Koulibaly (4′). Mas era o Senegal, uma vez mais, a iniciar a partida com mais intenção. Foi pela direita que Nicolas Jackson combinou com Ismaila Sarr ao primeiro toque e com direito a execuções em habilidade. Mas na retaguarda gaulesa, Upamecano negou a finalização ao atleta do Chelsea.
Com 10 minutos, apesar de não serem flagrantes, eram os africanos que tinham mais chegadas à área contrária. Mas o cenário mudou rapidamente: primeiro Mbappé, depois de um passe de Koundé. O avançado voltava a perder uma oportunidade por conta de uma má receção. Depois, o defeito não estava na receção, mas no passe: Dembélé encontrou Kylian Mbappé na desmarcação, mas nem o número 10 dos bleus conseguiria chegar a tempo de uma bola que vinha demasiado rápida, até para ele. Era assim que se resumia o jogo francês: quando havia espaço, os gauleses procuravam incessantemente o avançado merengue; quando não havia, o ataque posicional da seleção francesa perdia-se na lentidão e, consequentemente, na previsibilidade.
Com ainda mais espaço, estava o Senegal, que ia ficando com cada vez menos bola. Quando a recuperava, as setas senegalesas apontavam à baliza de Maignan, com destaque para Ismaila Sarr, o mais agitador dos africanos. Foi o que aconteceu aos 25 minutos: Nicolas Jackson saiu pela esquerda e, com pouco ângulo de finalização, desferiu um remate ao poste. Com muita felicidade francesa à mistura, os gauleses não sofreram o golo por muito pouco, uma vez que a bola, depois de bater no ferro, encontrou as pernas de Maignan e saiu na única direção que não era a baliza. A melhor oportunidade do primeiro tempo pertenceu aos africanos.
Se o jogo não abundava em oportunidades claras antes da pausa para hidratação, ainda menos se registaram depois da interrupção. A exceção foi mesmo antes do apito do iraniano Alireza Faghani, quando Sarr atirou por cima muito próximo da baliza, na segunda maior oportunidade do primeiro tempo. A principal pausa no jogo, a do intervalo, tinha acabado de chegar. À ida para os balneários do MetLife Stadium, em Nova Jérsia, o marcador não tinha sofrido qualquer alteração.
INTERVALO ⏱️
[ ???????? França 0-0 Senegal ???????? ]⬇️ Gauleses entraram com 11 de sonho "no FIFA" e rapidamente nos relembraram que Deschamps tem o o talento de trocar o espectáculo pelo "tacticamente rico"
↗️Senegaleses construiram (mas não enquadraram) as 2 ocasiões flagrantes da… pic.twitter.com/W18muU1XrL
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O segundo tempo voltava no mesmo plano: mais bola dos bleus, mais espaço para os africanos, que abriram o segundo tempo a tentar abrir o marcador. Valeu Saliba, que impediu Jackson de rematar. Num duelo londrino em solo norte-americano, o central do Arsenal impediu que o atleta vinculado ao Chelsea ganhasse posição para rematar. A grande diferença entre o início das duas partes foi a forma como ambas as equipas passaram a encontrar a baliza contrária, com recurso a menos passes e a mais objetividade. Olise, logo depois do lance junto da baliza do Senegal, obrigou Mendy a fazer uma grande defesa a evitar a mudança no marcador. O momento seria replicado poucos minutos depois: Mendy voltou a fazer uma mancha que impediu o golo gaulês por Mbappé (56′). Um início muito mais frenético ameaçava uma diferença no marcador.
Logo depois da grande oportunidade falhada, Mbappé recordou os velhos tempos e encostou ao corredor direito, de onde partiu para cair dentro da área, depois de um lance com Mané. A revisão de Faghani no ecrã de videoarbitragem sugeria a grande penalidade, mas o árbitro manteve a decisão de não marcar. Pouco depois, foi Olise, pelo meio, que quase isolava o número 10 dos franceses. Serviu de ensaio: aos 66′, a parceria Olise-Mbappé voltou a entrar em ação. O ala do Bayern viu a desmarcação do merengue e estava finalmente desfeito o nulo. O golo chegava para recompensar a diferença francesa entre o primeiro e o segundo tempo, mas a vantagem esteve perto de ser nivelada, quando Nicolas Jackson marcou mas em fora de jogo. O coração gaulês acalmou de vez quando Barcola alargou a vantagem francesa, num lance um tanto quanto idêntico ao primeiro golo (82′). As contas ainda sofreriam duas alterações e terminariam com contornos históricos: Mbaye reduziu (90+5′) mas Mbappé estabeleceu o resultado final de 3-1 e a tornar-se no melhor marcador de sempre da seleção francesa, com 58 golos (90+6′).
Mas o que é isto, Mbappé ????
Ponto final parágrafo na partida entre a França e o Senegal ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #frança #betano pic.twitter.com/GZDClerqP2
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FINAL ✅
[ ???????? França 3-1 Senegal ???????? ]
Mappé acorda "galos" ao intervaloFranceses só entraram em campo na 2ª parte mas foi o suficiente para vencerem e para Mbappé bisar
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A estrela
- Mais ou menos polémico fora do relvado, quando Mbappé entra em campo, faz a diferença, quer se queira, quer não. Apesar de um punhado de boas oportunidades desperdiçadas, o avançado do Real Madrid, com aquele golo aos 66′, reafirmou a sua preponderância numa seleção repleta de talento como é a francesa e numa altura do jogo em que se levantavam cada vez mais questões sobre se os bleus conseguiria ou não torcer o adversário. Aos 90+6′ escreveu o seu nome na história dos gauleses, apontando o seu 58.º golo em 99 jogos pelos bleus.
O joker
- Ismaila Sarr foi quem agitou mais do lado senegalês. Não foi decisivo neste jogo, mas pode vir a ser uma carta diferenciadora para o que se segue no grupo I. Quando não combinou com Jackson, foi ele próprio a bater Hernández no drible e na velocidade para visar a baliza de Maignan.
A sentença
- Com três pontos garantidos diante de uma seleção forte fisicamente como é o Senegal – e isso fará ainda mais diferença nesta edição da prova –, a França caminha a passos largos para um primeiro lugar do grupo I. Ainda assim, a Noruega ainda tem uma palavra a dizer no duelo com os franceses. Precisamente por isso, o triunfo diante dos africanos poderá ser mais importante do que aparenta.
A mentira
- Se o Senegal vencesse a seleção francesa seria uma surpresa. Um empate esboçaria a mesma reação ao mundo do futebol. Mas, justiça seja feita a Thiaw, essa “mentira” ficou mais perto de ser “verdade” no primeiro tempo.