As alterações climáticas e a utilização insustentável da terra estão a exercer uma pressão crescente sobre as pastagens do mundo, metade já degradada, e ameaçam sistemas alimentares, segurança hídrica, biodiversidade e meios de subsistência das comunidades.

O alerta foi deixado esta quarta-feira num comunicado da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), no Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, cujas comemorações decorrem no Quénia tendo o tema das pastagens como pano de fundo.

A UNCCD aponta que os cientistas alertam que o aumento das temperaturas e o agravamento das condições de seca estão a aumentar a pressão sobre as pastagens, que cobrem mais de metade da superfície terrestre, sustentam cerca de dois mil milhões de pessoas e fornecem quase 70% da alimentação do gado global.

Com a seca a intensificar-se e a afetar mais pessoas, governos, cientistas e comunidades locais apelam a ações urgentes para proteger e restaurar pastagens e apoiar quem as cuida e delas necessita.

Numa mensagem a assinalar o dia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, recordou que 2026 é também o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, uma oportunidade para apoiar os pastores e os povos indígenas “cujo conhecimento tradicional pode ajudar a salvaguardar estes ecossistemas”.

“Para proteger o nosso futuro, temos de proteger a terra”, frisou.

Sob o tema “Pastagens: Reconhecer. Respeitar. Restaurar”, o dia mundial centrou-se na crescente importância do pastoreio sustentável, da resiliência à seca e da restauração de ecossistemas.

A ONU nota que apesar das pressões há soluções para melhorar a situação, como o pastoreio rotativo ou os sistemas silvipastoris, o conhecimento indígena e a gestão comunitária, que podem recuperar terras degradadas.

Pastagens saudáveis são por norma mais resilientes à seca.

As pastagens e os pastores estarão em foco na 17.ª conferência da UNCCD (COP17), que se realiza este ano em Ulan Bator, capital da Mongólia, de 17 a 28 de agosto.

O Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca foi declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1994.