O deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, considerou este sábado que o diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, “não tem condições para continuar” no cargo se houver confirmação em segunda instância da sentença do polícia que matou Odair Moniz.

“À frente da direção nacional da PSP deve estar uma pessoa comprometida com os princípios do Estado de Direito. E isso implica não falsificar, não dar cobertura a autos de notícia falsificados”, disse o deputado bloquista que participou na manifestação deste sábado organizada pelo movimento Vida Justa para protestar contra a condenação a pena suspensa do polícia que matou Odair Moniz.

Fabian Figueiredo referiu que “o tribunal diz preto no branco que houve falsificação, falsificação por parte do agente da PSP de meios de prova. Isso é gravíssimo”. “É preocupante que um conjunto de agentes da PSP tenha mexido em prova para alterar, para enganar a investigação”, insistiu, recordando que “o acórdão do tribunal diz que em pouco mais de 20 minutos se colocaram provas falsas no cenário de um crime”.

Para o deputado do Bloco de Esquerda (BE), “Luís Carrilho esteve mal no início do caso e continua a estar mal”, acrescentando que o país precisa de “um diretor nacional da PSP que transmita confiança na instituição”. “O que se espera de um diretor nacional da PSP não é que encubra um caso”, prosseguiu.

Respondendo aos jornalistas, Fabian Figueiredo reforçou que “se em segunda instância se confirmar a sentença (…) fica por demais evidente que Luís Carrilho não tem condições para continuar à frente da PSP”. Considerou ainda que “a justiça por Odair Moniz está por fazer”. “E é muito evidente que assim é porque o Ministério Público recorreu dessa decisão”, frisou.

No dia 15 de junho, o Tribunal de Sintra condenou o agente da PSP Bruno Pinto pelo homicídio do cabo-verdiano Odair Moniz, de 43 anos, baleado na Cova da Moura, no concelho da Amadora, no distrito de Lisboa, em outubro de 2024. Porém, ao mesmo tempo, decidiu aplicar pelo crime uma pena suspensa de três anos e seis meses, considerando ainda que Bruno Pinto pode continuar a ser polícia.

O diretor nacional da PSP disse na sexta-feira que continua suspenso o agente que matou Odair, indicando que é preciso esperar pelo processo disciplinar e que a sentença transite em julgado. “É um caso que ainda não transitou em julgado, ainda admite recurso. Devemos esperar com grande tranquilidade o termo do processo e tudo faremos para continuar a colaborar com a justiça”, disse aos jornalistas Luís Carrilho.

Nas mesmas declarações, o diretor nacional da PSP reiterou “grande solidariedade” com o agente Bruno Pinto, justificando que um polícia que passa por uma circunstância como aquela quer “dar o seu melhor”.