Depois de Luís Montenegro se queixar de ter sido apanhado de surpresa quanto à ameaça do grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano (MAL) e de o ministro da Administração Interna admitir uma falha na comunicação, as Secretas do país adiantam ao Observador que não tiveram conhecimento de nenhum plano organizado contra o primeiro-ministro ou a sua residência.
Fonte oficial do SIRP (Sistema de Informações da República Portuguesa) diz que, com o seu conhecimento, “nada foi partilhado nas reuniões da Unidade de Coordenação Antiterrorismo (UCAT)” nas quais marca presença.
No SIRP, o organismo do Estado responsável por coordenar os serviços de informação e Secretas portuguesas, incluem-se o SIED (Serviço de Informações Estratégicas de Defesa) e o SIS (Serviço de Informações de Segurança). É este segundo que marca presença nas reuniões da UCAT, o órgão responsável por partilhar informações e coordenar o combate ao terrorismo, que funciona 24 horas por dia e se reúne semanal e trimestralmente.
“Qualquer situação que seja partilhada com o SIS, e que exija uma avaliação urgente da ameaça, é feita logo na hora. Mas com o conhecimento do SIRP nunca foi partilhada” qualquer ameaça, acrescenta a mesma fonte ao Observador.
No passado sábado, o ministro da Administração Interna reconhecia ter havido “uma falha de comunicação” por parte das autoridades, uma vez que não tinham feito qualquer aviso ao primeiro-ministro. “A comunicação poderia e deveria ter sido diferente”, afirmou Luís Neves em declarações à RTP à margem do Congresso do PSD. E acrescentou que “em matérias de Estado, não faz sentido as pessoas serem informadas através da comunicação social”.
As declarações do governante surgiram um dia depois de o chefe do Governo relatar ter sido “completamente surpreendido por essa notícia”. “Estava num contexto de reunião em que nem sequer estava contactável. Lamento profundamente que uma questão que coloca em causa a segurança de um cidadão, neste caso do primeiro-ministro e da sua família (mas que podia ser aplicável a qualquer português), não tenha sido partilhada com os próprios.”
Contudo, a Procuradoria-Geral da República explicou em comunicado à agência Lusa que a investigação só teve conhecimento da lista de alvos identificados pelo MAL (e onde se incluía Luís Montenegro) numa fase adiantada do processo, altura em que já nenhuma entidade corria perigo. Quando tal aconteceu, tendo em conta a prisão preventiva dos principais arguidos, “não se verificava nenhuma situação de perigo em concreto para nenhuma das entidades”, acrescentou a PGR.