O ministro da Administração Interna, Luís Neves, reconhece que existiu uma “falha de comunicação” por parte das autoridades, devido à ausência de um aviso dirigido ao gabinete do primeiro-ministro, quando foi descoberto que o grupo nacionalista e neonazi Movimento Armilar Lusitano planeava um ataque contra a casa de Luís Montenegro. Quando seis elementos daquele grupo foram detidos, em junho do ano passado, Luís Neves era diretor nacional da Polícia Judiciária.
“Há uma falha de comunicação. A comunicação poderia e deveria ter sido diferente”, disse o ministro da Administração Interna, em declarações à RTP à margem do Congresso do PSD, acrescentando que, “em matérias de Estado, não faz sentido as pessoas serem informadas através da comunicação social”.
Esta quinta-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro lamentou não ter sido informado pelas autoridades sobre esta ameaça. “Fui ontem completamente surpreendido por essa notícia. Estava num contexto de reunião em que nem sequer estava contactável. Lamento profundamente que uma questão que coloca em causa a segurança de um cidadão, neste caso do primeiro-ministro e da sua família, mas que podia ser aplicável a qualquer português, não tenha sido partilhada com os próprios”, disse Luís Montenegro.
Agora, em declarações à RTP, Luís Neves admitiu que existiu uma falha em relação à ausência de um aviso dirigido ao primeiro-ministro, mas sublinhou que, durante o período em que ele próprio dirigiu a instituição, o circuito de transmissão de informação funcionou. “Enquanto estive na instituição [PJ], todas as ameaças foram transmitidas a quem tinham de ser transmitidas. Na parte final, houve outros elementos que vieram por força das perícias informáticas”, explicou o ministro da Administração Interna, referindo-se provavelmente ao acesso a computadores e telemóveis, a partir dos quais foi possível analisar conversas encriptadas em plataformas como o Signal ou o Telegram.
Era nestas plataformas que os membros do grupo Movimento Armilar Lusitano comunicavam e planeavam os ataques, que acabaram por não se concretizar.
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Em junho de 2025, a Unidade Nacional de Contra Terrorismo lançou a operação “Desarme 3D”, que culminou com a detenção de seis membros do grupo. Cerca de um ano depois, nove elementos do grupo foram acusados pelo Ministério Público de criarem um grupo terrorista neonazi, e vão responder por 29 crimes, entre os quais terrorismo, tráfico de armas e detenção de arma proibida.
Notícia alterada às 22h20 para retirar a expressão ‘mea culpa’, uma vez que, quando a investigação teve acesso às plataformas onde estava a ser planeado o ataque contra o primeiro-ministro, Luís Neves já tinha deixado a Polícia Judiciária