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Esta terça-feira, o Irão deu como concluídas as negociações técnicas com os Estados Unidos. Há vários pontos acordados, que vão desde a suspensão de sanções — incluindo o descongelamento de 12 mil milhões de dólares (10,5 mil milhões de euros) iranianos — até às questões nucleares.

Porém, há versões contraditórias sobre o que foi acordado pelas delegações durante os encontros, que decorreram na Suíça.

O Presidente dos EUA afirmou que o Irão “concordou plena e totalmente com inspeções nucleares ao mais alto nível por um período muito longo no futuro”, o que permitirá ter “honestidade nuclear”. A afirmação foi feita numa longa publicação na rede Truth Social, em que Donald Trump menciona “os protestos e falsas declarações” para “fazer de tudo para minimizar a vitória dos EUA”. “Se eles não concordarem com isto [inspeções nucleares], não haverá mais negociações”, disse Trump.

A publicação de Trump contrasta com as declarações feitas pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baghaei. Em conferência de imprensa, citada pela Al Jazeera, o porta-voz declarou que não há um “calendário claro” para a visita de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) às instalações nucleares do país.

Irão desmente visita da Agência Internacional de Energia Atómica ao país

Na Truth Social, Donald Trump também falou sobre o Estreito de Ormuz. “Tendo em conta esta [inspeções nucleares] e outras concessões feitas pelo Irão, aceitei permitir que o Estreito de Ormuz continue aberto, sem o bloqueio naval”, afirmou o governante. “No entanto, os navios continuarão no local caso seja necessário reinstituir o bloqueio, o que parece, neste momento, altamente improvável.”

Pouco depois, chegou a resposta do Irão e também de Omã. Numa curta nota citada pela agência noticiosa de Omã, os dois países lembraram que “todos os acordos ligados” ao Estreito de Ormuz devem respeitar a soberania de ambos os territórios.

Donald Trump também falou na Truth Social sobre o descongelamento de ativos iranianos. “O dinheiro e/ou as sanções que o Tesouro dos EUA está a libertar entram numa conta de garantia, controlada pelos EUA, e serão usados para a aquisição de alimentos e produtos médicos, exclusivamente dos EUA, incluindo milho, trigo e soja dos nossos grandes agricultores norte-americanos”, afirmou Trump.

Mais uma vez, uma afirmação que contrasta com as declarações do porta-voz iraniano, que declarou que o Irão terá “absoluta liberdade” para gastar estes fundos descongelados.

“Não enfrentamos qualquer restrição à forma como canalizamos esses fundos. Os nossos ativos vão ser usados com liberdade absoluta”, declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão.

A declaração surgiu depois de notícias que citavam a sugestão de Donald Trump sobre o dinheiro só poder ser usado para aquisição de produtos agrícolas dos EUA. “Todos nós já percebemos que a verdadeira razão por trás desta guerra era exterminar a civilização iraniana e esse objetivo transformou-se em proporcionar aos agricultores norte-americanos receitas avultadas com os ativos congelados”, diz Baghaei.