Os vereadores eleitos pelo Partido Socialista na Câmara de Gaia consideraram esta quarta-feira que o projeto para o novo teleférico público é “gato escondido com rabo de fora” e que as contas apresentadas “não batem certo”.
Os socialistas criticaram que não exista “uma única informação oficial sobre o projeto para além dos anúncios em jornais e cerimónias” e afirmaram não acreditar que este teleférico consiga transportar 15 mil pessoas por hora, como foi anunciado pelo presidente da autarquia, Luís Filipe Menezes.
“Para se ter uma ideia, uma linha inteira do Metro do Porto como a Linha Amarela, que serve Vila Nova de Gaia, transporta pouco mais de nove mil pessoas por hora e por sentido. E o próprio teleférico de Paris, que Menezes cita como modelo, foi projetado para 11 mil pessoas por dia. Como é que o presidente da Câmara promete que um teleférico de cabines de 12 lugares transporte, numa só hora, mais do que o teleférico de Paris transporta num dia inteiro?”, questionou o vereador João Paulo Correia.
O vereador criticou também que, ao contrário do que aconteceu em Paris, o projeto de Gaia se trate de uma concessão privada que “só se chama “pública” porque aceitará o passe Andante”.
“O investimento privado pode ascender a 90 milhões de euros, mas o próprio presidente admitiu que a exploração direta pela Câmara custaria apenas ‘dois a três milhões por ano’. Nenhum privado investe 90 milhões para os recuperar apenas com bilhetes de transporte público, a preço de passe e sem mais nenhuma receita, um retorno que, a esse ritmo, provavelmente demoraria mais de um século”, consideraram, apontando que “as contas não batem certo”.
Os socialistas afirmaram ainda ter preocupações sobre o impacto do traçado, que vai percorrer uma área abrangida pelo Programa da Orla Costeira Caminha-Espinho (POC-CE), e querem saber se já existem pareceres da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e se o projeto “prevê expropriações ou servidões sobre habitações e terrenos, se está sujeito a avaliação de impacte ambiental e qual o impacto sobre as habitações sobrevoadas pelas cabines e pilares”.
Os socialistas vão requerer uma reunião extraordinária do executivo de Gaia para que sejam dados esclarecimentos sobre o projeto, considerando que este anúncio “serve sobretudo para desviar as atenções de investimentos que fazem falta a sério à mobilidade de Gaia”.
Em causa está o novo teleférico de Gaia, que vai ligar a praia das Pedras Amarelas à Arrábida, e que será um investimento privado que poderá rondar os 90 milhões de euros e que não vai implicar custos para a autarquia.
A nova ligação terá estações na praia das Pedras Amarelas, praia de Lavadores, Douro Marina, Segundo Cais da Afurada, Jardins da Arrábida e Arrábida.
Na terça-feira, à margem de uma cerimónia de entrega de habitações, Luís Filipe Menezes (PSD, CDS-PP e IL) disse que “a Câmara de Gaia tinha completa capacidade para construir esse teleférico e o explorar sem precisar de se socorrer de qualquer tipo de crédito, nem de se endividar”, o que “custaria à Câmara entre os dois ou três milhões de euros por ano”, mas “a contratação pública em Portugal é muito limitativa” em termos de limite de investimento, o que levou a autarquia a ir pelo modelo privado.
Segundo os números divulgados por Menezes, o novo meio de transporte terá uma capacidade de até 15 mil pessoas por hora, em 12 a 14 pessoas por cabine, e “com lugares específicos para pessoas com handicap, para cadeiras de rodas e para bicicletas”.