O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou esta quinta-feira incompreensível que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não tenha tido “uma palavra de tranquilidade e confiança” às famílias sobre as falhas nos exames nacionais, acusando-o de mostrar uma “insensibilidade atroz”.

“Quero concentrar-me naquilo que são as declarações do ministro da Educação, que disse ontem [quarta-feira] que estava satisfeito porque havia apenas 7% de falhas nos exames nacionais. 7% de falhas são mais de 21 mil provas que não têm para já solução em relação à classificação dos exames”, respondeu aos jornalistas o líder do PS, à entrada para o Aquário Vasco da Gama, onde encerra esta quinta-feira a iniciativa socialista “Rota pela economia do mar”.

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Na perspetiva de Carneiro, é “um assunto demasiado grave que afeta milhares de alunos e milhares de famílias”, criticando o primeiro-ministro por “até agora e incompreensivelmente” não dizer “uma palavra de tranquilidade, de confiança, às famílias”.

“O primeiro-ministro mostra uma insensibilidade atroz na forma como desconsidera matérias de uma grave condição para aquilo que é a vida das famílias”, apontou. “Isso para mim é que é, de facto, neste momento, muito relevante”, considerou.

O secretário-geral do PS disse ainda que esta é “uma crise no modelo de avaliação” como “não há memória”.

O Presidente do Conselho Nacional de Educação afirmou que, em 30 anos que tem de vida dedicada aos modelos de avaliação e ao acompanhamento do ensino, não conhece uma crise com esta extensão e com esta profundidade”, referiu.

A empresa que desenvolveu a plataforma utilizada para classificar os exames nacionais diz que seguiu as especificações definidas pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e intervém no sistema “mediante solicitação”.

“A BLAT desenvolveu a plataforma de classificação para o IAVE/EduQA, sendo responsável pelo seu desenho e desenvolvimento, de acordo com as especificações definidas pelo IAVE/EduQA, intervindo mediante solicitação deste”, refere a empresa, numa resposta à agência Lusa na quarta-feira.

Nesse dia, o ministro da Educação escusou-se a comentar as declarações do Presidente da República sobre garantir que se manterá intacta a confiança das famílias no sistema de avaliação, dizendo apenas que a sua equipa está a “resolver tudo”.

O Presidente da República afirmou na quarta-feira esperar que os problemas na classificação dos exames nacionais do ensino secundário sejam resolvidos rapidamente: “O desejo do Presidente é que rapidamente tudo volte à normalidade e, sobretudo, que a relação de confiança entre os alunos e as suas famílias e o sistema de avaliação se mantenha intacta”, afirmou, mostrando-se confiante que tal irá acontecer.

Em causa estão as falhas identificadas durante o processo de avaliação dos cerca de 300 mil exames nacionais do 11.º e 12.º anos, que levaram a tutela a adiar as datas de divulgação dos resultados da 1.ª fase assim como o calendário das provas da 2.ª fase.