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Presidente da Câmara de Almada admite "realidade difícil" e alerta que reservatórios de água estão a 10% da capacidade

Inês de Medeiros sublinha que o objetivo é reduzir o consumo para metade nos próximos dias, de forma a permitir a recuperação das reservas. Autarca aponta ao dedo às ruturas na rede e furtos de água.

A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, fala com os jornalistas durante a 10ª edição do Festival O Sol da Caparica, em Almada, 17 de agosto de 2025. CARLOS M. ALMEIDA/LUSA
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▲A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, diz ter "plena consciência do momento particularmente difícil" que a cidade vive

CARLOS M. ALMEIDA/LUSA

▲A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, diz ter "plena consciência do momento particularmente difícil" que a cidade vive

CARLOS M. ALMEIDA/LUSA

A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, admite uma realidade “difícil” em todo o concelho devido ao aumento expressivo do consumo de água e às falhas de abastecimento. Num vídeo publicado nas redes sociais da Câmara, a autarca alerta que os reservatórios de água do concelho estão a 10% da capacidade, quando deveriam estar a 60%, e sublinhou que o objetivo é reduzir o consumo para metade nos próximos dias. Garantindo que a resposta à crise no abastecimento de água é a sua “única prioridade”, Inês de Medeiros defende que os cortes programados são a única forma de garantir que as reservas de água recuperem.

“A realidade é simples e difícil. Apesar de todos os esforços, as nossas reservas de água não conseguem responder ao aumento absolutamente excecional do consumo. Estamos a consumir muito mais água do que aquela que o sistema consegue repor. Neste momento os reservatórios estão com cerca de 10% da sua capacidade quando deveriam estar próximos dos 60% para garantir o funcionamento seguro da rede”, disse a presidente da Câmara de Almada, acrescentando ter “plena consciência do momento particularmente difícil” que o concelho (onde vivem cerca de 180 mil pessoas) está a viver.

Não vou omitir nem normalizar a gravidade desta situação. Lamento profundamente os transtornos e dificuldades que esta situação causa às famílias, empresas e instituições”, afirmou Inês de Medeiros, dizendo compreender “a preocupação, a ansiedade e a insatisfação de todos os almadenses”.

A autarca defendeu as medidas de restrição ao consumo de água anunciadas esta quarta-feira, e que foram acompanhadas pela declaração de situação de alerta no município. Na mensagem dirigida aos habitantes do concelho de Almada, Inês de Medeiros referiu que o objetivo do município é reduzir para metade o consumo de água no concelho ao longo dos próximos dias, para permitir a recuperação dos reservatórios.

Câmara de Almada quer reduzir consumo de água para metade, para permitir recuperação das reservas

“O nosso objetivo é reduzir pelo menos para metade o consumo de água nos próximos dias, permitindo que os reservatórios recuperem níveis de segurança. Peço-vos a vossa colaboração. Cada litro poupado faz diferença, cada gota conta“, disse a presidente da Câmara de Almada, revelando ainda que o município está a “abrir novos furos, para aumentar a oferta de água”.

No entanto, avisou, “esta solução não invalida a necessidade imediata de redução do consumo”, que vai ser impulsionada pelos cortes de água no período noturno, entre as 22h e as 6h, de forma alternada em várias zonas do concelho.

“Serão organizados cortes programados no abastecimento, organizados por zonas. Sei que é uma medida difícil, ninguém queria ter de tomar esta decisão, mas é a única forma de permitir que as reservas recuperem e que possamos regressar gradualmente à normalidade”, defendeu a autarca.

Autarquia de Almada decreta situação de alerta. Usos não essenciais de água proibidos e estão planeados mais cortes noturnos

Segundo os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada (SMAS), o corte abrange as localidades de Charneca de Caparica, Aroeira, Marisol, Fonte da Telha, Palhais, Lazarim, Botequim, Vila Nova de Caparica, Capuchos, Pilotos, Funchalinho, Vale Rosal, Vale Cavala, Quintinhas e Quinta de Santa Teresa.

“Tendo em conta a área abrangida, o restabelecimento do abastecimento será efetuado de forma gradual, pelo que a reposição da água poderá chegar à torneira em momentos diferentes dentro das zonas afetadas”, alertava a autarquia esta quarta-feira.

A Câmara Municipal de Almada fala numa “pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento”, adiantando que o consumo médio em Almada ultrapassa os 300 litros por habitante/dia, enquanto a média nacional é de cerca de 180 litros por habitante/dia.

Ao mesmo tempo, a autarquia proibiu o uso de água para serviços e atividades não essenciais, como “rega de jardins públicos e privados, e de campos de golfe”, a “lavagem de viaturas”, o “enchimento de piscinas”, a “utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares”, ainda o “funcionamento de fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água”, a “lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados, com exceção de intervenções de conservação do edificado” e quaisquer outras “utilizações recreativas ou não indispensáveis”.

Presidente da Câmara prioriza serviços essenciais e aponta o dedo aos furtos de água

A presidente da Câmara de Almada explicou que a prioridade do município é “garantir o abastecimento prioritário do Hospital Garcia de Orta, de centros de saúde, lares, bombeiros, e restantes serviços essenciais”, estando a ser aguardada a “chegada de dez camiões cisterna para apoiar as zonas e os equipamentos mais sensíveis”. A autarca adiantou ainda que a “partir do dia 11 serão encerrados equipamentos, balneários e infraestruturas desportivas municipais que impliquem consumos significativos” de água.

Segundo a presidente da Câmara de Almada, as restrições implementadas ao consumo impediram uma situação ainda mais grave no concelho, que poderia resultar num corte total do abastecimento. “O plano de emergência que implementámos permitiu evitar que qualquer zona do concelho ficasse 24 horas seguidas sem água mas revelou também os seus limites”, disse Inês de Medeiros, reconhecendo que “a imprevisibilidade dos cortes acabou por causar ainda mais constrangimentos a famílias e empresas”.

O que justifica a crise de abastecimento de água em Almada? Autarquia fala em recorde de consumo, reguladora alerta para “consumos ilícitos”

Inês de Medeiros garante que foram reforçadas as equipas que fazem a monitorização da rede e das ruturas, apontando também o dedo aos furtos de água e às utilizações ilegais. “Continuamos a reforçar o controlo de perdas e combater furtos de água. Reforçámos a monitorização da rede e dos reservatórios, as equipas de deteção e reparação de fugas e ruturas, e as ações de fiscalização sobre consumos abusivos e utilizações ilegais”, sublinhou a presidente da Câmara de Almada, realçando que, desde maio de 2026, que “os SMAS e a Câmara Municipal têm trabalhado sem interrupção para evitar que chegássemos a este ponto”.

“As nossas equipas estão no terreno 24 horas por dia, a monitorizar a rede, a reparar ruturas, a reforçar o abastecimento e a procurar todas as soluções possíveis para minimizar o impacto na vida das pessoas”, acrescentou a autarca, frisando que a câmara tem estado a “trabalhar em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente e com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, que validaram as medidas agora adotadas”.

“Não descansaremos enquanto o abastecimento de água não estiver plenamente normalizado”, garantiu.

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