Era o segundo voo do dia do instrutor Leandro Bertazzo, de 42 anos. Acompanhava a aluna Rosario, de 22 anos, a bordo do Cessna C-150. A jovem já tinha licença para pilotar, e só precisava de horas de voo, na companhia de um piloto mais experiente. “Já sabe o que tem de fazer”, disse Bertazzo a Rosario, antes de retirar os auriculares, tirar o cinto de segurança, deixar o telemóvel de lado e abrir a porta do avião. Saltou no vazio, enquanto voavam a 250 metros do chão.
A jovem enviou imediatamente uma mensagem aos controladores do aeródromo Coronel Olmedo, de onde o avião partiu naquela manhã de sábado, e foi capaz de aterrar sem problemas. O corpo do instrutor foi encontrado horas depois, numa área rural da cidade de Toledo, na província de Córdoba. O caso está a ser investigado pela procuradoria de Río Segundo, e, de acordo com o La Nación, é tratado até ao momento como um suicídio.
Bertazzo era piloto certificado e preparava-se para começar a trabalhar para uma companhia comercial. Há quatro anos que era instrutor na escola Flying Parrot Córdoba, depois de ter trabalhado sete anos como piloto no Chile. Eduardo Álvarez, diretor da escola de aviação onde trabalhava Bertazzo, disse ao jornal argentino que o instrutor não dava sinais de enfrentar problemas de saúde mental. “Neste dia, vimos Leandro como em qualquer outro dia. Chegou com alegria e beijos, como sempre. Só nos chamou a atenção que, no lugar de vir com o seu carro, como sempre fazia, pediu a um aluno para o buscar a casa. Mas vieram a conversar”, disse Álvarez.
O instrutor havia feito outro voo antes, com uma colega que estava a fazer um novo treino. “Não percebemos nenhuma anomalia, nada que pudesse premeditar este fim”, disse o diretor da escola. Contudo, após comunicarem a morte aos pais de Bertazzo, Álvarez ficou a saber que o instrutor passava por “um mau momento”, e que dias antes havia ido a uma consulta numa clínica psiquiátrica. Leandro Bertazzo era solteiro e não tinha filhos.