O PS em Gaia acusou esta sexta-feira o presidente da Câmara Municipal, Luís Filipe Menezes, de escolher o teleférico e deixar a mobilidade para trás, no dia em que o Porto, governado pela mesma coligação, anunciou transportes gratuitos para os seus residentes.
Em reação à gratuidade dos transportes para residentes na cidade portadores do cartão municipal Porto, esta sexta-feira anunciada pelo autarca portuense Pedro Duarte, a concelhia socialista acusou Menezes de “privilegiar anúncios pomposos, como o teleférico, e deixar por resolver os problemas reais de transporte que afetam diariamente milhares de gaienses”.
“No mesmo dia em que a cidade do Porto, governada pela mesma coligação PSD, CDS-PP e IL que lidera Gaia, passa a oferecer transportes públicos gratuitos aos seus residentes, em Gaia o executivo continua sem apresentar uma única solução ou estratégia de mobilidade para o concelho. É a mesma coligação”, sublinha o PS, “mas com duas realidades opostas: do outro lado do rio avança-se, deste lado adia-se”.
Os socialistas de Gaia consideram que a rede de autocarros Unir é o “exemplo mais claro dessa inércia”, assinalando que, na campanha eleitoral, Luís Filipe Menezes prometeu “repudiar liminarmente o atual modelo fracassado e inaceitável” e, na sua primeira reunião de câmara, em novembro, criou um grupo de trabalho e fixou, pelas suas próprias palavras, o final de 2025 como prazo para apresentar uma solução.
“Passados mais de seis meses sobre o prazo que o próprio Luís Filipe Menezes estabeleceu (…) continua a não existir qualquer solução apresentada, e do grupo de trabalho não se conhece um único avanço público, apesar de o executivo dispor de todos os instrumentos para agir junto dos Transportes Metropolitanos do Porto”, referem.
Menezes anunciou na terça-feira o novo teleférico de Gaia, a ligar a praia das Pedras Amarelas à Arrábida, um investimento privado que poderá rondar os 90 milhões de euros e sem custos para o município.
A concelhia socialista entende ser “sintomático que o executivo consiga mobilizar 90 milhões de euros e um modelo de financiamento para um teleférico turístico-balnear, que promete, sem qualquer sustentação técnica, transportar mais pessoas numa hora do que o teleférico de Paris transporta num dia inteiro, mas não consiga apresentar uma única solução para a mobilidade quotidiana dos gaienses”.
Críticas igualmente para “o contraste na política de apoios”, com o PS a referir que “depois do corte no apoio do passe para pessoas com mais de 65 anos, o executivo anunciou o programa Gaia Amiga prometendo abranger cerca de 60 mil pessoas, mas o número de beneficiários efetivos fica muito aquém desse anúncio”.
“Ao mesmo tempo, no Porto, os transportes passam a ser gratuitos para todos os residentes, sem distinção de idade ou de rendimento”.
A terminar, a concelhia desafiou o executivo “a apresentar, com datas e transparência, a solução prometida para a rede Unir e um plano concreto para a mobilidade do concelho”.
A Lusa tentou obter uma reação da Câmara, mas esta preferiu não fazer comentários.