Uma ambulância chamada à porta de casa e um senador que não pica o ponto há quase um mês. O republicano Mitch McConnell não era visto desde 14 de junho, quando os serviços de emergência médica dos Estados Unidos da América foram chamados para a sua morada para ajudar uma “pessoa inconsciente”, como relataram vizinhos à CNN Internacional.
Mas numa longa nota enviada este domingo, a que o Politico teve acesso, o senador mais experiente de Washington revelou que esteve hospitalizado após uma queda, que esteve a lidar com uma “pneumonia moderada”, mas que tenciona regressar ao trabalho. “Os médicos confirmaram que não parti nenhum osso nem sofri uma concussão. Não tive um ataque cardíaco ou um AVC. Não tenho tumores ou hemorragias. Mas estive inconsciente durante breves momentos e levaram-me para o hospital”, escreveu.
MCCONNELL releases a photo – and statement.
“To my fellow Kentuckians –
“When you elected me to a seventh term and made me our Commonwealth’s longest serving Senator, you did so trusting that I’d keep showing up to fight for you every day. And over the past several weeks,… pic.twitter.com/YTzTXDhEgu— Jake Sherman (@JakeSherman) July 12, 2026
O regresso de Mitch McConnell ao Senado não tem ainda data marcada, mas o republicano garante que tem “toda a intenção de terminar o trabalho para o qual foi eleito”. “Vou continuar a trabalhar arduamente para voltar ao Senado o mais rapidamente possível”, continuou.
Naquela manhã de junho, foram enviadas duas ambulâncias, um carro dos bombeiros e ainda membros da polícia do Capitólio para vedar a rua — algo que as autoridades admitiram que fariam para qualquer pessoa, evitando revelar a identidade da pessoa que transportaram numa maca para o hospital.
A confirmação só chegou umas horas mais tarde, quando a porta-voz de McConnell revelou que o senador de 84 anos, eleito pelo Kentucky, tinha dado entrada no hospital naquela manhã e estava a receber “excelentes cuidados” médicos.
Entretanto, já se passou quase um mês desde o episódio e o gabinete do republicano só revelou o diagnóstico de Mitch McConnell este domingo. O senador continua no hospital e, após duas semanas de interrupção, começa esta segunda-feira uma sessão legislativa que deverá durar cerca de quatro semanas para discutir o orçamento para a Defesa, a segurança nacional e projetos de lei para financiar o governo federal. McConnell deverá regressar ao Senado para participar nestas discussões.
O republicano preside à comissão de regulamento do Senado e a outra que é crucial para definir o financiamento que cai todos os anos para o Pentágono, como recorda o The Guardian. Na ausência de Mitch McConnell, o partido republicano deixa de ter a maioria na comissão e passa a ter o mesmo número de senadores que a oposição democrata.
O governador do Kentucky — por onde McConnell foi eleito senador sete vezes — chegou a publicar uma carta aberta dirigida ao republicano, apelando a algum tipo de divulgação do seu paradeiro. “As pessoas do Kentucky têm ficado cada vez mais preocupadas com o seu estado de saúde e bem-estar, e com a capacidade de continuar em funções”, escreveu Andy Beshear, referindo que esta “incerteza” era “injusta” tanto para o senador como para a população que o elegeu para o Senado. Em resposta, o gabinete de Mitch McConnell agradeceu as “manifestações de apoio” e garantiu que o republicano continuava a trabalhar nos temas que lhe competem enquanto recupera no hospital.
Nem o próprio Presidente dos Estados Unidos — e líder do partido — tinha informação sobre o estado de Mitch McConnell. Questionado sobre a saúde do senador republicano, Donald Trump admitiu “não fazer ideia” de como estava o político de 84 anos. Mas este não é o primeiro episódio preocupante relacionado com a saúde do senador nos últimos anos. Em 2023, caiu e sofreu uma concussão, fraturou o pulso numa outra ocasião e já passou cerca de uma semana internado no hospital no início deste ano, com sintomas de gripe.
Notícia atualizada às 23h10 com a nota enviada por Mitch McConnell