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Um mês depois, chegámos ao jogo 100. Foi há exatamente um mês que arrancou o 23.º Campeonato do Mundo, que decorre na América do Norte. A maior edição de sempre é, de forma natural, a primeira com 100 ou mais jogos, servindo de transição entre os quartos de final e as meias-finais. Assim, a partir de agora, restam apenas quatro equipas em competição e faltam quatro jogos para o fim do Mundial, com a final a acontecer no domingo do próximo fim de semana. Outro ponto positivo, neste caso para os portugueses e meio mundo, era o facto de o Argentina-Suíça ser o último jogo a começar de madrugada (o pontapé de saída acontece às 2 horas de Lisboa). O duelo entre sul-americanos e europeus tinha o condão de ser arbitrado… por um árbitro europeu, ao contrário do que é habitual na FIFA, que nestas circunstâncias opta por árbitros de outro continente. O português João Pinheiro foi o líder da terceira equipa a pisar o relvado do Arrowhead, contando com o apoio dos assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia. Há 16 anos que Portugal não tinha um árbitro a apitar um jogo tão adiantado da competição, quando Olegário Benquerença esteve no Uruguai-Gana dos quartos na África do Sul.
Quando Messi vence nos oitavos e acaba a chorar, está tudo dito (a crónica do Argentina-Egito)
“No Mundial-1986 também diziam que nos favoreciam, não vem de agora. Havia críticas porque é sempre uma das seleções que anima a competição. De alguma forma utilizamos isso para demonstrar aos jogadores que há gente que não quer que a Argentina ganhe. Mas é normal, como haverá gente que não quer que ganhe outra seleção. Há bastante mais gente que quer que não ganhemos. Temos isso em conta, fazemos chegar isso aos jogadores e utilizamos isso como uma espécie de ‘rebelião’, para que joguem ainda melhor. Não há adversários fáceis, todos nós já temos isso em conta. A Suíça é uma equipa muito boa, que compete com as melhores seleções e sai vitoriosa. Tem uma tradição no Mundial e jogadores experientes. Será um adversário difícil, que respeitamos. O Leo [Messi] joga da mesma forma nos jogos, é decisivo e a equipa ajuda-o. Fez uma excelente preparação e está a dar tudo o que tem. Quando sente que pode criar perigo, é uma máquina. Não é surpresa nenhuma. Para além de qualquer resultado, são as experiências de grupo que ficam na memória, aquelas que cada um vai levar consigo”, antecipou Lionel Scaloni.
“Vamos jogar contra a campeã do mundo. Não há nada melhor do que ter esta oportunidade. Mas também ficou claro, nas últimas duas partidas, que a Argentina é vulnerável. Acho que conquistámos esse respeito e que trabalhámos para isso. Vai ser um jogo tático interessante. Podemos desafiar o campeão do mundo. Para um país como a Suíça, não há nada melhor do que disputar um jogo dos quartos de final do Mundial contra a Argentina. Por isso, a expectativa é enorme. Acho que ainda preciso de umas horas, ou de um dia, para assimilar tudo isto. O nosso guarda-redes já começou a treinar os penáltis. Sabemos que a Argentina pode vir a ter um penálti. Quando se tem oportunidades, é nessa altura que se tem de vencer. Tentámos tê-lo em forma, mas, infelizmente, o Johan [Manzambi] não pode jogar. Ainda é muito cedo para ele jogar, o risco seria demasiado grande. Vamos ver como nos saímos amanhã [sábado]”, revelou Murat Yakin.
A spot in the Semi-finals is on the line…#FIFAWorldCup
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) July 11, 2026
Frente à Suíça, a scaloneta manteve-se intocável, com o selecionador a repetir o onze do jogo anterior apenas pela quarta vez em 102 jogos. Por outro lado, Yakin ainda não contou com o lesionado Johan Manzambi, a grande estrela da nati neste Mundial, optando por entrar em campo com quatro médios (Granit Xhaka, Remo Freuler, Fabian Rieder e Djibril Sow) e apenas um extremo puro (Dan Ndoye). Nesse sentido, a única novidade foi a entrada de Sow para o lugar que foi de Ardon Jashari, e a estratégia não podia ter corrido pior. Afinal, foram precisos apenas dez minutos para Lionel Messi fazer das suas. A pulga assumiu a cobrança de um canto na esquerda, colocou a bola a fugir da baliza e a cair na zona do primeiro poste, onde Alexis Mac Allister ganhou a Sow e cabeceou cruzado para o golo inaugural (10′). A reação europeia partiu de um remate de meia-distância de Sow, mas Dibu Martínez agarrou tranquilamente (20′). O jogo acabou por baixar de intensidade até ao intervalo, que chegou com a Argentina a controlar como tanto gosta (1-0).
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A etapa complementar acabou por animar quando a nati equilibrou forças, mas as oportunidades de golo tardaram em aparecer. A primeira nasceu num cruzamento largo de Ricardo Rodríguez para um cabeceamento de Dan Ndoye que obrigou Martínez a aplicar-se (65′), seguindo-se um remate traiçoeiro, de meia-distância, de Xhaka para nova defesa do guarda-redes (66′). Com a Argentina completamente perdida e a ver jogar, Ndoye combinou com Rodríguez na esquerda e rompeu na área, aproveitou a passividade para se aproximar da baliza e, na pequena área, atirou colocado e rasteiro para o empate (68′). O fulgor ofensivo da Suíça, que estava a empurrar a Argentina para trás, acabou por ser contrariado por… Breel Embolo. Inicialmente, João Pinheiro assinalou falta por trás de Leandro Paredes sobre o avançado e mostrou o amarelo ao argentino, mas, depois de ter sido chamado pelo VAR, viu as imagens do lance e mostrou o segundo amarelo ao suíço por simulação (72′).
Ndoye estabelece o empate ????
Temos jogo!
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João Pinheiro foi chamado ao VAR para dar o segundo cartão amarelo e consequente cartão vermelho a Embolo por simulação ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Argentina #Suíça pic.twitter.com/RaMuv3C4z4
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Lionel Scaloni aproveitou a pausa para hidratação para refazer a sua estratégia, lançando Nicolás González no lugar de Tagliafico. Depois, colocou Gonzalo Montiel e Lautaro Martínez e passou a jogar com dois pontas de lança, passando Messi para o corredor. Murat Yakin respondeu com Silvan Widmer, Zeki Amdouni e Miro Muheim e, nos últimos minutos do tempo regulamentar, Nico cruzou atrasado para mais uma entrada de cabeça de Mac Allister, mas desta feita para fora (89′). Seguiu-se uma tentativa de Messi de pé direito, com o remate em arco a sair para fora (90+2′), a entrada de Eray Cömert para fechar a defesa e para Gregor Kobel impedir o golo de Lisandro Martínez com uma enorme saída (90+9′).
O prolongamento arrancou com Thiago Almada em campo e, com poucos minutos em campo, o médio do Atl. Madrid conseguiu encontrar espaço à entrada da área para armar um remate que saiu perto da baliza (95′). Jashari saiu do banco logo a seguir, seguindo a entrada de Nico Otamendi no intervalo do prolongamento. Já com Flaco López em campo, foi dos pés do ponta de lança do Palmeiras que surgiu o golo da Argentina, com Flaco a baixar para o corredor esquerdo para entregar em Alvarez que, à entrada da área, puxou para dentro e desferiu um fantástico remate em arco que entrou junto ao ângulo superior do poste mais distante (112′). Com a desvantagem, Rubén Vargas entrou de imediato e, a fechar, Lautaro iniciou o contra-ataque, soltou em Almada, o médio meteu a bola por entre as pernas de Nico Elvedi e rematou para defesa apertada de Kobel e, na recarga, o avançado do Inter Milão completou para o 3-1 final (120+1′).
O QUE FOI ISTO, JULIÁN ÁLVAREZ? ????
Que golaço do argentino!#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Argentina #betano pic.twitter.com/bgG2YLZ5sd
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A estrela
- Depois de Kylian Mbappé e Jude Bellingham terem dado show nestes quartos de final, faltava Lionel Messi entrar em ação. O astro argentino voltou a “responder” aos rivais, começando por abrir um livro com um canto como só ele sabe marcar: em arco a fugir da baliza e a cair no momento exato em que Mac Allister atacou o primeiro poste. É o jogador que menos corre entre todos aqueles que participaram neste Mundial, mas não precisa de o fazer para deixar a sua marca. Só faltou o golo que o faria voltar a desempatar com o francês.
Lionel Messi foi o Destaque Sofascore de Argentina 3-1 Suíça!
????️ 1 assistência
???? 6 passes decisivos (1º do jogo!)
⚙️ 99 ações com bola (!)
???? 8/13 duelos ganhos pelo chão (!)
???? 3/4 dribles certos (1º do jogo!)
↪️ 5/11 cruzamentos certos (1º do jogo!)
???? Nota… pic.twitter.com/3F8944jMG5— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) July 12, 2026
O joker
- Há dias em que a aranha é o melhor amigo de… Lionel. Depois de Lautaro Martínez ter mostrado melhor entrosamento com a pulga, Lionel Scaloni não abdicou das suas ideias e manteve Julián Alvarez ao lado do craque e voltou a colher frutos da sua aposta. Foi o avançado do Atl. Madrid que resolveu o jogo e apurou a Argentina para as meias-finais, apontando um dos melhores golos deste Mundial no final do prolongamento.
???????? Julian Alvarez vs. Switzerland:
· 1 goal
· 3 shots
· 54 touches
· 2 key passes
· 3 defensive contributions
· 6 recoveries
· 2/6 ground duels won pic.twitter.com/cava1y31bZ— The Touchline | ???? (@TouchlineX) July 12, 2026
A sentença
- Ao oitavo jogo, voltou a dar Argentina. No histórico entre as duas seleções, a albiceleste tem agora seis vitórias e continua sem derrotas, tendo vencido todos os duelos em Mundiais e sem sofrer golos (2-0 em Inglaterra-1966, 1-0 a.p. no Brasil-2014 e 1-0 na América do Norte-2026). Pela segunda edição consecutiva e a sétima vez na história, a seleção das pampas está nas meias-finais, onde vai defrontar Inglaterra, na quarta-feira, em Atlanta. Por outro lado, a Suíça continua sem conseguir passar dos quartos de final, tendo terminado pela segunda vez no top 8 e 72 anos depois.
???????? ???????????????????????????????? | The World Cup semi-finals are CONFIRMED! ✅ pic.twitter.com/6gyVOB7uC1
— EuroFoot (@eurofootcom) July 12, 2026
A mentira
- A história estava ali tão perto como não acontecia há mais de sete décadas e a Suíça voltou a claudicar. É certo que caiu de pé frente a uma das melhores seleções do torneio, que é também a campeã em título, mas o que dizer de Breel Embolo? Depois de ter começado a aparecer no jogo com lances de rutura na segunda parte, o avançado “estragou” o jogo da sua equipa no momento em que esta se estava a superar a Argentina com uma simulação que levou o VAR a intervir para trocar o amarelo de Leandro Paredes. Sem Johan Manzambi e com Rubén Vargas “tocado”, a Suíça perdeu criatividade no ataque, mas conseguiu equilibrar o jogo… até à expulsão.
Leandro Paredes was given a yellow card for this challenge but after review, VAR overturned it and gave a yellow card to Breel Embolo for simulation.
Embolo was already on a yellow card so he was sent off with a red card. pic.twitter.com/yrcsUKdYmU
— ESPN FC (@ESPNFC) July 12, 2026