É um país com dois governos. Um reconhecido internacionalmente e que controla o centro e o sul do país (apoiado pela Arábia Saudita, que é o seu maior aliado). Outro é um Governo não reconhecido liderado pelos houthis, a milícia xiita pró-Irão que controla partes do norte, incluindo Saana, a capital. É neste contexto conturbado que o aeroporto internacional de Saana, a capital do Iémen, foi atacado esta segunda-feira.
Num comunicado citado pela televisão Almasirah, controlada pelos houthis, o grupo do Iémen acusou inicialmente o “inimigo saudita” por ser o responsável por atacar o aeroporto internacional de Saana com um “número de ataques criminosos, numa escalada perigosa” que atingiu a pista da principal infraestrutura aeroportuária iemenita.
???? مشاهد أولية من استهداف العدوان السعودي #مطار_صنعاء الدولي بعدد من الغارات#الرد_قادم pic.twitter.com/fc85oQONew
— قناة المسيرة (@TvAlmasirah) July 13, 2026
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Iémen com ligações aos houthis acusou a Arábia Saudita de ter posto fim ao período de desescalada que estava em vigor e ao cessar-fogo. Num comunicado publicado na rede social X, o ministério afirmou que Riade “deu início à guerra” e que deverá assumir “total responsabilidade” pelas consequências dessa decisão, prometendo retaliar.
???? وزارة الخارجية:
سنبدأ مرحلة جديدة بالاستعانة بالله لانتزاع حقوقنا كاملة غير منقوصة وسيكتشف النظام السعودي أنه أوقع نفسه في مأزق إستراتيجي كبير وسيدفع أثمانا باهظة نتيجة لذلك pic.twitter.com/4OYmZtXK6H— قناة المسيرة (@TvAlmasirah) July 13, 2026
Ainda assim, contrariando as acusações dos houthis de que teria sido a Arábia Saudita a atacar o aeroporto, as Forças Armadas do Iémen — do Governo internacionalmente reconhecido — emitiram um comunicado a garantir que visaram a infraestrutura para impedir que um avião iraniano aterrasse.
“As milícias terroristas houthi, apoiadas pelo regime iraniano, insistiram que os iranianos violassem o território iemenita, razão pela qual a pista do aeroporto foi alvo de ataques”, lê-se no comunicado, citado pelo canal saudita Al-Arabiya. “As Forças Armadas consideraram a utilização do aeroporto nessas circunstâncias uma violação da soberania iemenita, salientando que o exército tomará as medidas necessárias para evitar quaisquer tentativas semelhantes no futuro.”
Ao mesmo tempo, o Executivo reconhecido pela comunidade internacional deu conta de que os houthis apreenderam um avião e fizeram “reféns” funcionários da Cruz Vermelha. No X, Muammar Al-Eryani, ministro da Informação do Governo central do Iémen, escreveu que “a milícia terrorista dos houthis deteve uma aeronave da Cruz Vermelha no Aeroporto de Saana, impedindo que parta”. “Fez o piloto e as assistentes reféns, numa escalada perigosa e numa violação flagrante do direito internacional humanitário”, afirmou o governante.
في هذه اللحظات أقدمت مليشيا الحوثي الإرهابية على احتجاز طائرة اللجنة الدولية للصليب الأحمر الدولي في مطار صنعاء، ومنعت مغادرتها، كما احتجزت الطيار ومساعده كرهينتين، في تصعيد خطير وانتهاك سافر للقانون الدولي الإنساني ولكافة الأعراف والمواثيق الدولية التي تكفل حماية البعثات…
— معمر الإرياني (@ERYANIM) July 13, 2026
A Arábia Saudita é um dos principais apoiantes do Governo internacionalmente reconhecido do Iémen. A diplomacia do país ainda não reagiu oficialmente ao sucedido, nem às acusações dos houthis.