A Câmara de Almada chegou a prever que o novo furo de captação de água, que está em funcionamento desde 11 de julho, só estivesse pronto no final do mês. No meio de uma crise de abastecimento num concelho em estado de alerta, conseguiu trazer mais cedo água às condutas que servem o município através de um novo ponto de captação na Marisol, criado para dar prioridade ao abastecimento da Charneca da Caparica.
Mesmo assim, nesta localidade, os cortes totais no abastecimento noturno de água continuam a ser agendados, de forma rotativa, sem que os níveis de água nos reservatórios tenham chegado ao pretendido. A zona da Charneca da Caparica vai ficar sem água das 22h00 às 06h00 nos dias 19 e 23 de julho. Em todo o concelho, estão planeados cortes pelo menos até dia 24 de julho.
“Como o sistema é em rede, [o novo furo] vai apoiar todo o município de Almada”, informa fonte oficial da Câmara Municipal de Almada ao Observador sobre o furo mais recente que vem responder ao problema base da falta de água em Almada: não a ausência do recurso hídrico, mas sim a falta de furos para a sua captação. “Não estávamos a conseguir captar água suficiente em função da utilização na rede”, afirmou Inês de Medeiros numa entrevista ao jornal Público.
Segundo a autarquia de Almada, a caminho estão mais dois furos, em fase de procedimento concursal (Vale Figueira e Sobreda) e outros dois em fase de projeto (Aroeira e Seixal). Os dois primeiros serão “furos semiconfinados” e deverão entrar em obras no início de agosto.
Sem prazos ainda definidos pelo município, está projetado um furo de captação semiconfinado (140 metros) na Aroeira. A autarquia garante que o projeto está feito e que “faltam apenas as peças do procedimento de contratação” para avançar para a fase de obra.
O que é um aquífero semiconfinado
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Um aquífero semiconfinado é um “aquífero limitado superior e/ou inferiormente por formações de espessura relativamente reduzida e muito pouco permeáveis, através das quais a circulação vertical de água, embora muito lenta, permite a sua alimentação”.
Manual de boas práticas para a execução e exploração de furos de captação de águas subterrâneas
Nos planos da autarquia está ainda o de selar um furo de captação de água subterrânea e executar um novo furo confinado no Seixal, a 150 metros, revelando que a obra já está adjudicada. “A entrada em obra depende da autorização dos proprietários para acesso ao terreno”, revela ainda o executivo de Almada.
Almada defende captação no Seixal. “Foi preciso fazer furos em locais com condições hidrogeológicas mais favoráveis”
Em declarações ao Correio da Manhã, o presidente da Câmara do Seixal, Paulo Silva, acusou a Câmara de Almada de dever cerca de dois milhões de euros à sua autarquia pelos furos de água em Corroios. O autarca tem vindo a defender que a maior parte da água captada em Almada tem origem no Seixal e garante que a execução de mais furos iria custar vários milhões de euros.
Em resposta ao Observador, fonte oficial da Câmara de Almada defende que “toda a Península de Setúbal assenta sobre o Aquífero Tejo-Sado”, sendo que a área de Almada se localiza “numa das zonas onde este aquífero apresenta menor disponibilidade de água subterrânea“.
Assim, garante que se torna necessário “realizar captações (furos) em locais com condições hidrogeológicas mais favoráveis”.
E garante: “Esta foi a opção desde a criação do Abastecimento Público a Almada.” Na entrevista ao Público, a presidente da Câmara de Almada já tinha referido que os furos que servem Almada no Seixal remontam ao fim da década de 1950.