O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) irá visitar o Chipre durante os dias 27 e 29 de julho, de forma a avançar as conversações de paz entre a comunidade cipriota, composta por gregos (no sul) e turcos (no norte, com reconhecimento limitado).

De acordo com um comunicado da ONU, Guterres regressa a Nova Iorque esta segunda-feira, depois de participar na Conferência Mundial de IA, na China. Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral, afirmou o “compromisso forte demonstrado” pelo português na questão cipriota.

O antigo primeiro-ministro irá reunir-se com representantes da comunidade cipriota grega e turca e outras partes envolvidas no conflito, bem como orientar o processo de paz através do trabalho da Força das Nações Unidas para a Manutenção da Paz no Chipre (UNFICYP).

A Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas em Chipre (UNFICYP) é uma força de manutenção da paz das Nações Unidas que foi criada ao abrigo da Resolução 186 do Conselho de Segurança das Nações Unidas em 1964 para evitar a recorrência dos combates na sequência de violência intercomunitária entre os cipriotas gregos e cipriotas turcos.

Nikos Christodoulides, presidente do Chipre e representante da comunidade greco-cipriota nas conversações, esteve recentemente reunido com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, e afirma estarem próximos de “desenvolvimentos” no processo de paz.

Segundo a agência Reuters, apesar de desenvolvimentos, as diferenças entre propostas de paz persistem. Enquanto os greco-cipriotas desejam um Estado soberano para ambas as comunidades, os turco-cipriotas manifestam vontade de estabelecer dois países, um para cada comunidade.

Caso se venha a concretizar, as extensões nas conversações de paz poderão realizar-se na fronteira entre o governo cipriota internacionalmente reconhecido e a república turca no norte da ilha, que é administrada pela ONU e inclui, a leste, a base britânica de Dhekelia.

As tensões entre os três países, Chipre, Turquia e Grécia, têm sido representativas do “clima europeu” atual, tendo em conta que têm sido um grande obstáculo à adesão do país euro-asiático à União Europeia.

Em 1999, a União Europeia estabeleceu no Conselho Europeu de Helsínquia que a reunificação não era uma condição para a adesão do Chipre. A Grécia ameaçou vetar a candidatura da Turquia se não se incluísse esta decisão.

Em 2004, ano de adesão do Chipre à UE, a comunidade greco-cipriota rejeitou um projeto de paz apresentado pela ONU, sob preocupações de “viabilidade a longo prazo” do futuro Estado partilhado.

A última proposta de paz, discutida em 2017, terminou de forma infrutífera.

De acordo com o portal de notícias turco Turkish Minute, o líder turco Erdogan não irá marcar presença nas celebrações do 52.º aniversário da república separatista, sendo substituído pelo “vice” Cevdet Yilmaz.

O conflito entre os países é fruto da invasão turca do Chipre, a 20 de julho de 1974. A manobra militar turca foi realizada cinco dias após o golpe de Estado por forças paramilitares pró-Grécia a 15 de julho, e ocupa até hoje 37% do território cipriota.

A República Turca do Chipre é um Estado que ocupa a parte norte da ilha, no Mediterrâneo oriental. Em termos diplomáticos, é reconhecida apenas pela Turquia e pela Organização para a Cooperação Islâmica.

Em 1960, a pequena nação insular do Chipre conquistou a independência do Reino Unido, mas esteve envolvida em conflitos entre as duas comunidades por conta da divisão de poderes, fator que persiste até hoje na governação da ilha. Na época, a comunidade turco-cipriota opôs-se à independência.

Entre 1571 e 1878, a ilha foi parte integrante do Império Otomano. Até à Primeira Guerra Mundial, pertenceu legalmente à Turquia, quando em 1914 o Reino Unido passou a considerá-la como parte do seu império devido à aliança da Turquia com os Impérios Centrais.