Ferrán Torres foi o herói da final do Mundial-2026. O avançado espanhol entrou na segunda parte para marcar o golo da vitória de Espanha, já no prolongamento, selando o triunfo por 1-0 sobre a Argentina e guiando La Roja para o seu segundo título de campeão mundial. Após a partida, ainda com muita emoção na voz, o jogador do Barcelona recusou ficar apenas com os louros do momento. “Acho que no final o golo é de 47 milhões de pessoas, não meu. O destino estava escrito, estava feito para que ganhássemos. Se todas as finais são difíceis, quando tens o Messi na equipa adversária entra sempre aquele nervosismo, mas nós dependemos de nós próprios e demonstrámo-lo mais uma vez”, disse à RTVE. Recordou ainda as críticas de que foi alvo ao longo da prova: “Uma libertação muito grande. Fui muito criticado ao longo do Mundial, mas o destino está escrito e graças a Deus, que me dá sempre forças para continuar. Como costumo dizer… Deus dá as coisas a quem mais as merece”.
Pasarán los años, pero el nombre de Ferran Torres quedará ya para siempre en la historia de España.
''He sido una persona muy criticada, pero el destino está escrito y Dios le da las cosas al que más se la merece''
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— Teledeporte (@teledeporte) July 19, 2026
Luis de la Fuente não escondeu a emoção depois de conquistar o segundo título mundial da seleção espanhola. “Temos falado muito com os jogadores e diziam-me: ‘Mister, ganhámos tudo’. Isso é maravilhoso. Esta geração é um exemplo e demonstra que juntos somos mais fortes. Que não reste dúvida a ninguém”, afirmou o selecionador à TVE. O técnico reconheceu ainda o mérito de Emiliano Martínez, guarda-redes argentino, que impediu que o resultado ficasse resolvido mais cedo: “As grandes intervenções do Dibu impediram que o jogo se resolvesse antes e que nos colocássemos à frente com mais clareza. Mas isto era uma final de um Mundial e, apesar de o rival ter ficado com dez jogadores, tínhamos de continuar a sofrer. Voltámos a demonstrar que esta equipa está preparada para qualquer situação”.
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Rodri, capitão espanhol, não escondeu a dimensão do momento, à RTVE: “Quero agradecer, este grupo é sensacional e somos campeões do mundo, é incrível dizê-lo. É o torneio mais difícil da história dos Mundiais, têm o melhor da história, batemos todos os recordes”. Sobre a forma como a Espanha geriu a falta de oportunidades claras da Argentina, resumiu a filosofia da equipa: “Este é o segredo desta seleção, seja o que for que tenhamos pela frente, vamos atrás disso, é preciso ser valente na vida e a vida recompensa isso“. O médio, que recuperou de uma grave lesão no joelho para chegar a este Mundial, deixou ainda uma mensagem pessoal: “Que possam ver que um jogador que toca o céu e cai ao mais baixo, com esforço, a vida acaba por lhe pagar isso. Sou um exemplo de superação. Há muita gente que não te conhece, mas senti o apoio, o carinho das pessoas em Espanha”, concluiu.
Pedro Porro, ex-jogador do Sporting, dedicou o momento à família, à DAZN: “Por toda a minha família que ficou ali, que me apoiou desde o primeiro minuto. Não acredito, o que é que te vou dizer…”. Entre as felicitações que chegaram de antigos internacionais espanhóis, destacou-se a de Pepe Reina: “Para mim é um orgulho enorme, olho para muitos destes jogadores e sou muito fã de todos vocês“.
Nico Williams resumiu a euforia do momento: “Acho que não temos consciência do que isto realmente é, mas estamos muito felizes. Uma loucura”. O extremo do Athletic Bilbao, que viveu um Mundial de crescendo depois de recuperar de lesão, sublinhou o espírito coletivo do grupo: “Toda a gente está aqui para dar o seu contributo, ninguém pode vir a fazer-se de estrela, trabalhamos todos uns para os outros”. Mas foi ao olhar para trás, para o ano que teve, que Williams se emocionou mais: “É uma loucura, passei por muita coisa difícil este ano e agora estou aqui, a viver o dia mais feliz da minha vida“.
Do lado argentino, Lionel Scaloni evitou qualquer tipo de desculpa e reconheceu o mérito do novo campeão do mundo. “Espanha foi melhor e nós demos tudo”, resumiu, no MetLife Stadium. O técnico valorizou o compromisso mostrado pelos seus jogadores ao longo de todo o torneio: “Agradecimento eterno a estes rapazes”, disse, referindo-se ao grupo que voltou a levar a Argentina a uma final mundial. Scaloni deixou ainda uma reflexão sobre como encarar a derrota: “Sabemos perder, perdemo-lo e assumimos as coisas. Nem por isso vamos deixar de nos lembrar do que estes jogadores fizeram”. No fecho das suas declarações, agradeceu o apoio recebido durante toda a competição: “Ao país quero dizer que demos tudo. Se derem tudo como estes deram hoje, é um grande exemplo para a nossa gente e para o nosso país. Quando dás tudo, é muito difícil reprovar alguma coisa”, concluiu.
Em conferência de imprensa, Scaloni falou também sobre a sua continuidade à frente da seleção, confirmando que terá de se reunir com Claudio Tapia, presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), para decidir o futuro. “Tenho uma ideia do que quero fazer. Cumprirei o contrato e depois vejo. Sinto necessidade de pensar. Não sei se se vai conseguir fazer algo tão grande como isto. Se calhar… Estou agradecido ao presidente”, disse. Entre lágrimas, o treinador da Albiceleste pediu desculpa por não ter alcançado o objetivo e admitiu que vai ser muito difícil voltar a montar um grupo como este, antes de terminar repentinamente a conferência de imprensa.
"TENGO UNA IDEA DE LO QUE QUIERO HACER, CUMPLIRÉ EL CONTRATO"
Lionel Scaloni, entre lágrimas, sobre su futuro en la Selección Argentina. #MundialEnDSPORTS#FIFAWorldCup pic.twitter.com/XWu5UYJPYR
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Nem tudo foi cordial no final do jogo. Assim que o árbitro esloveno Slavko Vinčić apitou para o fim, Nicolás Otamendi confrontou Rodri, capitão espanhol, quando este tentava cumprimentá-lo. “Estiveste a semana toda a chorar. Tu e o Laporte, os dois. Isso não se faz, estiveste a chorar com os árbitros, amigo”, acusou o defesa argentino, cara a cara, enquanto o médio espanhol se mostrava surpreendido: “De quê, de quê?”. Mikel Oyarzabal aproximou-se para tentar acalmar os ânimos e, ao ver-se ignorado, afastou-se da cena. Rodri pediu “respeito”, mas Otamendi insistiu: “Tenho respeito, mas tu não tens de falar assim, sabes?”. A tensão tinha origem em declarações feitas por Aymeric Laporte antes do jogo, sobre a postura da Argentina em campo: “Nos últimos jogos vimos coisas que estranhámos muito, ações que se deixam passar. Sobretudo com a Argentina, que é uma equipa que deixa muitos recados. Isso no futebol não se devia permitir, especialmente em competições tão grandes, porque te pode desestabilizar e irritar”, afirmou.
O presidente argentino, Javier Milei, não esteve presente na final por superstição — desde o início do torneio, acompanhava os jogos da seleção sempre no mesmo local e com as mesmas pessoas, seguindo a crença popular de que alterar as condições associadas a boas campanhas pode quebrar a sorte da equipa. Pedro Sánchez e Donald Trump estiveram, esses sim, presentes no camarote a assistir ao jogo. Pouco depois do apito final, Milei reagiu nas redes sociais: “Muito obrigado, jogadores. Até ao fim com as botas calçadas. A Argentina sempre no topo”, escreveu no X, numa mensagem que se tornou viral, com milhões de argentinos a mostrarem apoio à Albiceleste.
Muchas gracias Jugadores…!!!
Hasta el final con las botas puestas.
Argentina siempre en lo alto.— Javier Milei (@JMilei) July 19, 2026
A imagem que fechou a noite pertenceu a Messi. Depois da derrota por 1-0 no prolongamento, o capitão argentino recebeu a medalha de prata e colocou-se, imóvel e com lágrimas no rosto, em frente ao setor dos adeptos da Albiceleste — que continuaram a cantar o seu nome com fervor, mesmo depois de o jogo ter terminado.