O embaixador dos EUA em Portugal afirmou esta terça-feira que cada cabo submarino fiável em solo português é um que não chega a um local menos fiável, considerando que é preciso garantir que a infraestrutura crítica é tratada como tal.

John J. Arrigo falava no Oceanário, em Lisboa, numa cerimónia que juntou responsáveis da Google, da Meo, o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, e a presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) para celebrar a amarração do cabo submarino transatlântico Nuvem, que liga os EUA, as Bermudas, os Açores e Portugal continental.

“Cada novo cabo fiável a amarrar em solo português é um cabo que não está a amarrar num local menos fiável, vamos garantir que esta infraestrutura crítica é tratada como tal”, afirmou o diplomata, na sua intervenção.

“A política está estabelecida para evitar fornecedores não fiáveis em qualquer ponto da cadeia de abastecimento”, prosseguiu o embaixador, salientando que isso “é importante para Washington” e acredita “ser importante para Lisboa”.

O cabo submarino Nuvem “é apenas um exemplo de como as empresas americanas fizeram dos Estados Unidos o terceiro maior investidor externo em Portugal: quase 20 mil milhões de dólares [quase 17,5 mil milhões de euros] e a somar, abrangendo desde IA, energia, agricultura, turismo”, elencou o embaixador norte-americano.

Cabos como o Nuvem “são simplesmente o sinal mais evidente de uma parceria que é muito mais profunda“, referiu John J. Arrigo.

“Mas isto é apenas o início. Espera-se mais de 40 mil milhões de dólares [35 mil milhões de euros, ao câmbio atual] em investimento tecnológico dos EUA em Portugal até 2031 — 40 mil milhões —, tornando-se a maior concentração de investimento americano em infraestruturas de IA em toda a Europa”, enfatizou o diplomata.

Só os investimentos da Google em cabos submarinos deverão gerar mais de 500 milhões de euros de impacto económico anual.

O Nuvem e a parceria da Google com Portugal inserem-se numa agenda económica e tecnológica EUA-Portugal em crescimento em 2026, que se vai ancorar no CEO Forum EUA-Portugal, que irá promover a cooperação e o alinhamento em matéria de IA, computação em nuvem, minerais críticos e infraestruturas, facilitando o investimento e reforçando a segurança, segundo a embaixada.

Já Gonçalo Matias, que interveio no início da cerimónia e não estava presente quando o embaixador falou, disse, referindo-se aos “amigos e parceiros americanos“: O Nuvem “é um fio numa amizade muito mais antiga e uma promessa de tudo o que ainda podemos construir juntos”.

“Portugal não quer ser apenas um lugar de passagem de dados. Uma ponte é útil — mas uma ponte, por si só, não retém nada”, prosseguiu o ministro.

“Queremos que os dados fiquem. Que sejam armazenados aqui. Que sejam processados aqui. Que gerem conhecimento aqui — e, a partir desse conhecimento, investimento e empregos de elevada qualificação para homens e mulheres portugueses”, sublinhou, referindo que “este cabo não surge isolado, é a base de algo muito maior — uma estratégia nacional coerente e deliberada”, apontou.

Em síntese, “uma Estratégia Digital Nacional para definir a visão a longo prazo para a nossa transformação”, rematou o responsável.

Por sua vez, a presidente da Anacom, Sandra Maximiano, salientou que “se a conectividade é essencial” para a sociedade, então a infraestrutura que a suporta é uma “responsabilidade partilhada“.

Já Nuno Cadima, responsável pelas operações [Chief Operations Officer] da Meo, agradeceu à Google pela sua visão, pela sua confiança em Portugal e por ter escolhido a operadora de telecomunicações como parceira nacional no projeto emblemático.

A entrada em funcionamento do cabo está prevista para 2027.