A edição de 2026 da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira recebeu 57 candidaturas e selecionou sete finalistas para o prémio principal, num conjunto que a curadoria considerou representar “o que melhor se tem visto” na fotografia contemporânea.
Durante a apresentação pública da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (BF26), que decorreu esta quinta-feira no Museu do Neo-Realismo, o curador da mostra, David Santos, também diretor científico do museu, adiantou que foram submetidas 43 candidaturas ao Prémio Bienal de Fotografia, das quais resultou a seleção de sete artistas finalistas.
Os selecionados são Airis Teixeira, João Mendes, Mariusz Klepura, Pedro Gil Mendonça, Pedro Pena, Rodrigo Cardoso e Vasco Rafael Carvalho.
Ao Prémio Concelho de Vila Franca de Xira concorreram seis candidaturas, tendo sido escolhido o trabalho de Filipe Bianchi, enquanto o Prémio Tauromaquia recebeu oito candidaturas, mas não registou qualquer selecionado, à semelhança do que aconteceu nas edições de 2018 e 2020.
Durante a apresentação pública da Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (BF26), o membro do Conselho de Curadores do Prémio da bienal, Sérgio Gomes, considerou que os projetos selecionados estão “em linha com o que melhor se tem visto” na fotografia contemporânea nacional, destacando a diversidade de abordagens presentes nos portfólios escolhidos.
“Há muita qualidade, há muita diversidade, há diferentes discursos sobre uma infinidade de coisas”, afirmou.
Segundo o responsável, entre os trabalhos finalistas encontram-se propostas de caráter mais poético e filosófico, projetos assentes sobre o quotidiano e a intimidade, bem como abordagens centradas na observação do espaço urbano.
O curador apontou ainda a recorrência de temas ligados “à tensão entre natureza e cidade, urbanização e construção do território”, considerando tratar-se de uma “presença transversal a grande parte dos trabalhos selecionados”.
Sérgio Gomes salientou que a escolha dos finalistas foi alcançada com “relativa facilidade”, uma vez que existiu um elevado grau de concordância entre os três elementos do Conselho de Curadores, composto também por Pauliana Valente Pimentel e Sofia Nunes.
“Houve pouca discussão acerca de quem deveria entrar ou ficar de fora, porque reconhecemos muito rapidamente a qualidade destes sete portfólios”, afirmou.
O também crítico de fotografia aproveitou ainda para manifestar preocupação com a reduzida presença de trabalhos de retrato e de fotografia documental entre as candidaturas recebidas.
“É cada vez mais raro encontrar este tipo de portfólios em prémios de fotografia”, observou, referindo-se aos projetos ancorados no documental, na reportagem ou no ensaio fotográfico.
Paralelamente ao concurso e às exposições dos finalistas, a BF26 contará com um programa curatorial concebido por David Santos e subordinado ao tema “Porque uma ilusão nunca é só uma ilusão. As temporalidades da fotografia contemporânea”.
Segundo este curador, a edição deste ano propõe uma reflexão sobre a relação da fotografia com o tempo, uma característica que considerou distintiva deste meio artístico desde os seus primórdios.
De acordo com o responsável, os artistas convidados para o programa curatorial foram selecionados por desenvolverem abordagens distintas em torno das várias dimensões da temporalidade, através de projetos que refletem sobre “memória, transformação, permanência e sobre a forma como as imagens são produzidas e interpretadas na contemporaneidade”.
De acordo com o curador, esta reflexão ganha uma relevância acrescida numa época marcada pela proliferação das imagens digitais capazes de alterar ou manipular conteúdos visuais, reforçando as dúvidas sobre a sua relação com o real.
Durante a sessão foi também anunciado que o prémio principal da Bienal passou de 5.000 para 10.000 euros, enquanto os restantes dois prémios duplicaram de 1.000 para 2.000 euros.
A Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira decorrerá entre 21 de novembro de 2026 e 7 de março de 2027.
Organizada pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira desde 1989, a Bienal destaca que é o mais antigo prémio de fotografia realizado de forma continuada em Portugal.
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