A marcha contra a sobrelotação turística na ilha espanhola de Palma de Maiorca ficou marcada com confrontos entre a polícia e os manifestantes, provocando oito feridos, no domingo. Dois dos feridos ligeiros foram encaminhados para o centro hospitalar, sendo que um é um fotógrafo que levou uma pancada na cabeça de um polícia, avança a agência de notícias EFE. A Polícia Nacional defende-se dizendo que havia um “grupo agressivo e violento” que atirou pedras, garrafas e paus aos polícias e que agrediu um casal de turistas.

A carga policial deu-se por volta das 22h00 locais (21h00 em Lisboa), na reta final do protesto em que milhares de pessoas ainda gritavam nas ruas de Palma frases como: “Não há espaço para mais turistas“, “Menos Turismo, Mais Vida“, “Para onde quer que você olhe, só vê turistas” e “Turistas, voltem para casa”.

No protesto, onde estiveram reunidas cerca de 135 organizações da ilha do arquipélago espanhol das Baleares, no mar Mediterrâneo, foi lido um manifesto em que se exigiu que os líderes políticos tenham em conta as reivindicações da população, antes das eleições de 2027.

“O turismo invadiu as nossas costas, depois as nossas vilas e cidades, e agora ocupa as nossas casas. Numa crise habitacional sem precedentes, mais de 105 mil casas em Maiorca são utilizadas para fins turísticos, sejam legais ou ilegais”, insurgiu-se a plataforma que organizou o protesto, a Menys Turisme, Més Vida (Menos Turismo Mais Vida), que agrega mais de 60 grupos e associações, no discurso com que iniciou a manifestação “Maiorca no Limite” pelas 19h00 locais (18h00 em Lisboa), na Plaza España.

Para eles, só há uma solução: a limitação do turismo e a consequente diminuição do número de turistas, uma vez que em Maiorca “não há espaço para mais carros, não há espaço para mais hotéis, não há espaço para mais alugueres turísticos, não há espaço para mais ‘franchisings’ de café, ‘fast food’ ou lojas de ‘cheesecake’, e não há espaço para mais turistas”, defendem.

Polícia defende-se das críticas: “Havia grupos agressivos entre os manifestantes”

A atuação da polícia foi alvo de muitas críticas. O deputado do Més per Mallorca no Congresso, Vicenç Vidal, presente na manifestação, partilhou na rede social X um vídeo onde se percebe a violência da polícia e exigiu a demissão do delegado do Governo, Alfonso Rodríguez: “O PSIB-PSOE está a permitir isto”, denunciou.

Alfonso Rodríguez, por sua vez, recusou demitir-se do cargo e anunciou que se vai reunir com o chefe da polícia para pedir explicações sobre o que ontem já classificava de “inaceitável”.

E esta segunda-feira, em conferência de imprensa, o delegado lamentou o que se tinha passado e assumiu ser “claro” que houve atos violentos por parte de alguns polícias que usaram força física contra pessoas que “aparentemente” não representavam qualquer ameaça.

Também a Polícia Nacional nas Ilhas Baleares veio justificar a carga policial ao El País argumentando que havia um grupo de cerca de 200 pessoas “agressivas e violentas”. Estas fontes policiais acrescentaram ainda ao jornal espanhol que o grupo atacou um casal de turistas e arremessou objetos aos polícias do dispositivo de segurança.

Na zona de Antoni Maura, alguns “manifestantes começam a atirar garrafas e a lançar paus”, garante uma fonte da polícia ao jornal espanhol. O “grupo agressivo” começou a “agredir os agentes com paralelepípedos, pedras, latas e parafusos, e os polícias viram-se obrigados a disparar três salvas de tiros para o ar”, continua a mesma fonte. “Há um casal de turistas por ali e um dos manifestantes dá um soco no homem e atira o telemóvel da mulher ao chão. Nessa altura, os agentes tiveram de dispersar a multidão e dispararam mais salvas”.

Segundo o El País, a polícia disse que será investigada a atuação do agente que bateu com o cassetete na cabeça do fotojornalista que estava a trabalhar.

Os números dos manifestantes variam. Para a polícia, o protesto, que não é o primeiro sobre o excesso de turismo, reuniu 25 mil pessoas, enquanto os organizadores falam em 70 mil pessoas. A polícia diz ainda que ficaram feridos cinco agentes.

Até ao momento, a Polícia Nacional não confirmou se havia algum detido, mas a IB3 Notícias, a emissora pública de rádio e televisão das Ilhas Baleares, dá conta de uma detenção.

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Texto editado por Dulce Neto