A marcha contra a sobrelotação turística na ilha espanhola de Palma de Maiorca ficou marcada com confrontos entre a polícia e os manifestantes, provocando oito feridos, no domingo. Dois dos feridos ligeiros foram encaminhados para o centro hospitalar, sendo que um é um fotógrafo que levou uma pancada na cabeça de um polícia, avança a agência de notícias EFE. A Polícia Nacional defende-se dizendo que havia um “grupo agressivo e violento” que atirou pedras, garrafas e paus aos polícias e que agrediu um casal de turistas.
???? Desenes de milers de persones han sortit avui al carrer contra el turistificació de masses que ven l'illa al millor postor.
Més de 70.000 persones segons @menysturisme s’han manifestat avui a Palma sota el lema “Mallorca al límit” per denunciar un model turístic que expulsa… pic.twitter.com/LeZYCEfv0Y
— David Melero ???? ???? ✏ ???? (@davidmelero__) July 27, 2026
A carga policial deu-se por volta das 22h00 locais (21h00 em Lisboa), na reta final do protesto em que milhares de pessoas ainda gritavam nas ruas de Palma frases como: “Não há espaço para mais turistas“, “Menos Turismo, Mais Vida“, “Para onde quer que você olhe, só vê turistas” e “Turistas, voltem para casa”.
No protesto, onde estiveram reunidas cerca de 135 organizações da ilha do arquipélago espanhol das Baleares, no mar Mediterrâneo, foi lido um manifesto em que se exigiu que os líderes políticos tenham em conta as reivindicações da população, antes das eleições de 2027.
“O turismo invadiu as nossas costas, depois as nossas vilas e cidades, e agora ocupa as nossas casas. Numa crise habitacional sem precedentes, mais de 105 mil casas em Maiorca são utilizadas para fins turísticos, sejam legais ou ilegais”, insurgiu-se a plataforma que organizou o protesto, a Menys Turisme, Més Vida (Menos Turismo Mais Vida), que agrega mais de 60 grupos e associações, no discurso com que iniciou a manifestação “Maiorca no Limite” pelas 19h00 locais (18h00 em Lisboa), na Plaza España.
Para eles, só há uma solução: a limitação do turismo e a consequente diminuição do número de turistas, uma vez que em Maiorca “não há espaço para mais carros, não há espaço para mais hotéis, não há espaço para mais alugueres turísticos, não há espaço para mais ‘franchisings’ de café, ‘fast food’ ou lojas de ‘cheesecake’, e não há espaço para mais turistas”, defendem.
???? 25.000 persones, segons la Policia Nacional, i 70.000, segons l'organització, s'han manifestat a Palma contra la massificació turística, sota el lema 'Mallorca al límit'.
Una protesta, però, que ha acabat amb una persona detinguda per desordres, lesions i atemptat i 8… pic.twitter.com/px8gN5nXTo
— IB3 Notícies (@IB3noticies) July 27, 2026
Polícia defende-se das críticas: “Havia grupos agressivos entre os manifestantes”
A atuação da polícia foi alvo de muitas críticas. O deputado do Més per Mallorca no Congresso, Vicenç Vidal, presente na manifestação, partilhou na rede social X um vídeo onde se percebe a violência da polícia e exigiu a demissão do delegado do Governo, Alfonso Rodríguez: “O PSIB-PSOE está a permitir isto”, denunciou.
El Delegat del Govern espanyol del @psibpsoe està permetent això. Alfonso Rodríguez, has de dimitir. pic.twitter.com/YRJgXXlWNT
— Vicenç Vidal Matas (@vidalmatas14) July 26, 2026
Alfonso Rodríguez, por sua vez, recusou demitir-se do cargo e anunciou que se vai reunir com o chefe da polícia para pedir explicações sobre o que ontem já classificava de “inaceitável”.
Sigo con preocupación los hechos posteriores a la manifestación de hoy.
Hay imágenes que son inaceptables. Pediré informe exhaustivo de las actuaciones y las explicaciones necesarias, para que se asuman las responsabilidades que hubiere.
Deseo una pronta recuperación a heridos.— Alfonso Rodríguez (@AlfonsoCalvia) July 26, 2026
E esta segunda-feira, em conferência de imprensa, o delegado lamentou o que se tinha passado e assumiu ser “claro” que houve atos violentos por parte de alguns polícias que usaram força física contra pessoas que “aparentemente” não representavam qualquer ameaça.
Também a Polícia Nacional nas Ilhas Baleares veio justificar a carga policial ao El País argumentando que havia um grupo de cerca de 200 pessoas “agressivas e violentas”. Estas fontes policiais acrescentaram ainda ao jornal espanhol que o grupo atacou um casal de turistas e arremessou objetos aos polícias do dispositivo de segurança.
Na zona de Antoni Maura, alguns “manifestantes começam a atirar garrafas e a lançar paus”, garante uma fonte da polícia ao jornal espanhol. O “grupo agressivo” começou a “agredir os agentes com paralelepípedos, pedras, latas e parafusos, e os polícias viram-se obrigados a disparar três salvas de tiros para o ar”, continua a mesma fonte. “Há um casal de turistas por ali e um dos manifestantes dá um soco no homem e atira o telemóvel da mulher ao chão. Nessa altura, os agentes tiveram de dispersar a multidão e dispararam mais salvas”.
Segundo o El País, a polícia disse que será investigada a atuação do agente que bateu com o cassetete na cabeça do fotojornalista que estava a trabalhar.
Os números dos manifestantes variam. Para a polícia, o protesto, que não é o primeiro sobre o excesso de turismo, reuniu 25 mil pessoas, enquanto os organizadores falam em 70 mil pessoas. A polícia diz ainda que ficaram feridos cinco agentes.
Esta ha sido la brutalidad policial en la manifestación en Palma contra el modelo del turismo de masas capitalista. Matones con placa. pic.twitter.com/aVOdbSYmUZ
— Fonsi Loaiza (@FonsiLoaiza) July 27, 2026
Até ao momento, a Polícia Nacional não confirmou se havia algum detido, mas a IB3 Notícias, a emissora pública de rádio e televisão das Ilhas Baleares, dá conta de uma detenção.
???? 25.000 persones, segons la Policia Nacional, i 70.000, segons l'organització, s'han manifestat a Palma contra la massificació turística, sota el lema 'Mallorca al límit'.
Aquí tens la crònica.
↘️ https://t.co/2ZtktvXaZp pic.twitter.com/vGnTfxhkYS
— IB3 Notícies (@IB3noticies) July 27, 2026
[Já saiu o terceiro episódio de “O Candidato Perfeito”. Em “Três candidatos e uma chave”, Vicente Valbom cai a pique nas sondagens para a Câmara de Lisboa. Zé consegue fugir dos raptores e pede ajuda a um estranho. Mas as coisas podem não correr como esperado. Este novo podcast de ficção do Observador, em parceria com a Coyote Vadio, é a continuação da história de “O Zé faz 25”. Conta com as vozes de José Raposo, Tiago Teotónio Pereira, Madalena Almeida, Vera Moura, Paulo Calatré, Susana Brandão, Sara Matos, Fábio Baptista, Pedro Laginha e Carla Andrino. Pode ouvir este episódio no site do Observador e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube. Os primeiro e segundo episódios estão aqui e aqui.]
Texto editado por Dulce Neto