Era o segredo mais mal guardado do futebol francês e o conceito de segredo foi piorando com o tempo, à medida que corria o Campeonato do Mundo. Didier Deschamps estava na porta de saída dos bleus e o seu sucessor seria alguém bem conhecido, Zinedine Zidane. Esta terça-feira, mal ou bem mantido, esse segredo deixou de o ser, com a apresentação oficial do antigo número 10 como novo selecionador francês, na sede da Federação Francesa de Futebol (FFF), em Paris. O ex-internacional gaulês e campeão mundial e europeu assinou um contrato de quatro anos e vai orientar os bleus no Campeonato do Mundo de 2030, coorganizado por Portugal, Espanha e Marrocos. Nas suas primeiras palavras como técnico da seleção francesa, o antigo treinador do Real Madrid assumiu uma “alegria imensa” e revelou ainda que recusou todas as “ofertas nos últimos quatro ou cinco anos” para assumir o cargo oficializado esta terça-feira.
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“Antes de começar, gostaria de deixar uma mensagem de apoio a todos os bombeiros e a todo o mundo agrícola que está a ajudar as pessoas em dificuldade neste momento. É um momento complicado para muitas famílias e os meus primeiros pensamentos são para eles. Quero agradecer ao presidente Philippe Diallo, ao comité executivo e a todos os funcionários da FFF pela confiança depositada em mim. Para mim, isto é uma continuidade e um sonho. O cargo na seleção de França era o único que eu queria. Tive propostas ao longo destes últimos quatro ou cinco anos para assumir clubes e recusei-as todas pela seleção francesa, pois era a única coisa que queria fazer após a minha experiência no Real”, começou por referir.
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“Comecei nesta seleção como infantil e passei por todas as etapas até chegar à seleção principal, que é o expoente máximo. É uma alegria imensa e uma grande fonte de orgulho poder tornar-me o selecionador desta equipa. Não tenho outras palavras. Sinto uma emoção muito forte e estou a tentar conter-me porque tenho muitos sentimentos dentro de mim, mas estou pronto e muito entusiasmado para este desafio. Não há nada maior do que a seleção francesa. Quero também dar os parabéns ao Didier Deschamps e a toda a sua equipa técnica pelos 14 anos notáveis, todos estamos gratos pelo trabalho que ele fez”, acrescentou o técnico sobre o antigo companheiro na Juventus e na seleção, com vários títulos ganhos em conjunto.
E prosseguiu, deixando uma garantia: “Vou dar tudo para que esta equipa continue a ganhar, é a única coisa que me motiva. Sei que temos a matéria-prima necessária, com jogadores extraordinários, e o meu papel como líder será explicar-lhes o meu projeto de jogo para continuarmos a vencer. O meu estilo? O estilo Zidane verão em breve, mas sou um número 10 e o que me anima é o jogo, é marcar golos, mantendo sempre o equilíbrio da equipa. Fui um líder em campo e agora serei um líder através da minha experiência e do que sou como treinador. Este é um trabalho completamente diferente do trabalho de um clube mas não me assusta, permitirá um melhor equilíbrio entre a minha vida pessoal e a seleção”, afirmou o técnico que esteve presente em vários jogos do último Mundial, incluindo a final entre Espanha e Argentina.
Como treinador, tudo o que conquistou foi aos comandos do Real Madrid: três Ligas dos Campeões, duas Supertaças Europeias, dois Mundiais de Clubes, duas Ligas espanholas e duas Supertaças espanholas. Como jogador, a história é outra, com títulos não só conquistados pelos merengues, como em Itália, pela Juventus, e a nível internacional. Essa história volta a cruzar-se com a seleção francesa, agora como selecionador. Nos bleus, Zidane foi campeão do mundo de seleções, em 1998, e foi campeão da Europa dois anos depois. Quando Zidane fala em “continuidade” e em “continuar a ganhar”, poderá estar também a referir-se à história que cruzou o seu caminho com a da seleção gaulesa.
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“Sempre acompanhei a seleção de França como adepto e como futuro selecionador, o percurso recente no Mundial foi magnífico e o ambiente fabuloso”, defendeu Zidane. “Não falarei em rutura com o passado, pois o ‘DD’ [Didier Deschamps] foi o ‘DD’, o Laurent Blanc foi o Laurent Blanc e o ‘Zizou’ é o ‘Zizou’. Vou simplesmente fazer o que sei fazer. Em relação ao plantel, ainda não falei com o Kylian Mbappé, pois o mais importante agora é que ele descanse após uma época longa. Sobre um futuro embate com a Espanha, é uma equipa difícil que conheço bem, mas o meu foco total é o primeiro jogo contra a Turquia“, acrescentou, referindo-se aos primeiros jogos da próxima edição da Liga das Nações.
A conferência de imprensa de apresentação do novo selecionador francês ainda chegou a questões extra-relvado – das declarações racistas a que alguns jogadores da seleção francesa têm sido sujeitos ao patrocinador de “há 30 anos” de Zinedine Zidane. “Sou totalmente contra o racismo e lutarei para proteger a minha equipa disso. Durante estes cinco anos em que estive parado, não fiquei de braços cruzados. Vi imensos jogos, até mais do que quando estava no Real Madrid, e estudei muito este grupo. Quanto aos meus patrocinadores, estou com a Adidas há 30 anos e isso não vai mudar, mas é claro que, nos estágios da seleção, usarei a marca oficial da Federação [Nike]”, apontou.
“A minha equipa técnica já está praticamente definida, será a mesma que me acompanhou no Real Madrid, com algumas novas incorporações, pois sou fiel a quem me é fiel”, explicou, referindo-se à equipa técnica, que contará com David Bettoni, Hamidou Msaidie, Roberto Vázquez e Grégory Dupont. “Tenho grandes ambições para esta seleção”, rematou Zinedine Zidane, ao lado do presidente da FFF, Philippe Diallo.