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Chuva pode voltar segunda-feira, mas o calor vai manter-se: veja a previsão a 10 dias

Agosto começa perto dos 40ºC, mas o cenário muda rapidamente. Na segunda-feira pode chover do Norte a Lisboa, mesmo com máximas perto dos 30ºC. Veja a previsão para a sua cidade.

O mapa da Meteored, segundo o modelo europeu, para segunda-feira, dia 3
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O mapa da Meteored, segundo o modelo europeu, para segunda-feira, dia 3

O mapa da Meteored, segundo o modelo europeu, para segunda-feira, dia 3

Guarda-chuva numa mão, chinelos nos pés e fato de banho vestido. Pode não ser uma combinação assim tão absurda na segunda-feira. Depois do primeiro fim de semana de agosto com temperaturas perto — e localmente acima — dos 40ºC, no arranque da semana pode chover em boa parte do Norte e Centro, no Vale do Tejo e até em Lisboa ou Évora, mas sem uma entrada de frio que obrigue a trocar a roupa de praia pelo casaco: há cidades onde a probabilidade de precipitação é elevada e, ainda assim, as máximas previstas chegam aos 27ºC, 28ºC ou 29ºC.

É uma mudança rápida, mas aparentemente também curta. Este sábado temos o pico do atual episódio de calor, no domingo as temperaturas começam a descer e, na segunda-feira, com a aproximação de uma depressão atlântica, chegam a nebulosidade e as condições para a precipitação. Na terça ainda pode chover sobretudo no Norte e Centro. Depois, se as previsões atuais se confirmarem, a chuva perde terreno e o calor começa novamente a ganhar terreno.

E convém sublinhar desde o princípio a probabilidade: pode chover. Há uma possibilidade elevada de precipitação, mas isso não significa que vá chover durante todo o dia, nem sequer garante que a chuva chegue exatamente à cidade indicada pela previsão. E ainda muito menos que caia em grandes quantidades. Estaremos sempre a falar de aguaceiros.

A chuva pode chegar até Lisboa e mais a Sul

Na atualização do IPMA desta sexta-feira, 31 de julho, a possibilidade de precipitação para segunda-feira estende-se por uma parte considerável do continente. A probabilidade chega aos 94% em Braga, 86% em Viana do Castelo, 84% no Porto e em Coimbra, 80% em Leiria, 76% em Aveiro e Lisboa, 75% em Santarém e 73% em Viseu.

Há indicações de precipitação ainda em Vila Real e Guarda, com 63%, Castelo Branco, com 53%, Setúbal, com 45%, e Bragança, com 41%. A distribuição não é homogénea, portanto, as probabilidades diminuem à medida que avançamos para sul. No Algarve, pelo contrário, o calor predomina e não há qualquer indicação de que caia qualquer gota. Évora é um bom exemplo da incerteza que ainda existe: a capital alentejana chegou a aparecer nas previsões com indicação de chuva para segunda-feira, mas, na atualização mais recente do IPMA, o símbolo desapareceu e a probabilidade de precipitação caiu para 16%. Não significa que a primeira previsão estivesse “errada”: significa que, a três dias de distância, alterações relativamente pequenas na trajetória e posição dos sistemas atmosféricos podem deslocar as áreas onde é mais provável chover.

É também por isso que, nesta fase, não faz sentido anunciar uma segunda-feira de chuva generalizada. O que existe é uma possibilidade elevada de precipitação em muitas regiões do Norte e Centro, que se prolonga até Lisboa e ao Vale do Tejo e ainda aparece, com menor probabilidade, em Setúbal e até Évora.

Pode chover com 29ºC?

A parte mais curiosa desta mudança meteorológica é aquilo que não desaparece com a chuva: o calor. Leiria pode chegar aos 29ºC na segunda-feira com 80% de probabilidade de precipitação; Santarém, também aos 29ºC, com 75%; Coimbra aos 28ºC, com 84%; Lisboa aos 27ºC, com 76%; e Braga aos 27ºC, apesar de a probabilidade de precipitação chegar aos 94%.

Não há contradição meteorológica. Porque para chover não é necessário que uma massa de ar frio se instale junto à superfície. É preciso apenas haver humidade suficiente e um mecanismo que obrigue esse ar húmido a subir na atmosfera. Neste caso, a aproximação de uma depressão atlântica altera temporariamente a circulação atmosférica sobre Portugal e favorece a entrada de ar mais húmido.

Quando o ar sobe, encontra menor pressão, expande-se e arrefece. Se esse arrefecimento for suficiente para atingir a saturação, parte do vapor de água condensa-se, formam-se gotículas, desenvolvem-se nuvens e, reunidas as condições necessárias, temos precipitação. E cá em baixo podem continuar 27ºC, 28ºC ou 29ºC.

Há ainda uma pequena armadilha na forma como se leem as aplicações meteorológicas. Se a previsão para Coimbra indicar 28ºC e chuva, isso não significa que estejam necessariamente 28ºC enquanto chove. Os 28ºC correspondem à temperatura máxima prevista durante todo o dia. Pode chover de manhã, abrir durante algumas horas e a temperatura atingir a máxima à tarde; ou pode haver períodos de chuva alternados com abertas.

No verão, aliás, calor e precipitação convivem sem qualquer dificuldade. Uma trovoada pode desenvolver-se depois de uma tarde muito quente e fazer a temperatura cair em poucos minutos: chuva não é sinónimo de frio.

Antes do guarda-chuva, ainda vêm os 40ºC

A mudança de segunda-feira chega depois de um sábado que deverá ser o dia mais quente deste curto episódio de calor pelo qual estamos a passar. Segundo os quadros do IPMA desta sexta-feira, Castelo Branco e Évora podem atingir 38ºC, Beja 37ºC e Faro 36ºC. E estes são valores das capitais de distrito: localmente, os termómetros podem subir mais.

É sobretudo no Algarve que aparecem alguns dos extremos. As projeções do modelo europeu ECMWF apontam para 41ºC em Alcoutim, 39ºC em Tavira e 37ºC em Vila Real de Santo António no sábado. O distrito de Faro está sob aviso amarelo por persistência de temperaturas elevadas até às 21h00 de domingo, e no Sotavento algarvio algumas áreas poderão ficar entre 7ºC e 9ºC acima do normal para esta altura do ano.

O calor também se vai manter à noite. Faro e Olhão podem ter mínimas de 24ºC de sábado para domingo; Tavira e Vila Real de Santo António, de 23ºC. São noites tropicais, a designação utilizada quando a temperatura mínima não desce abaixo dos 20ºC, e significam que o organismo tem muito menos oportunidade de recuperar do calor acumulado durante o dia.

O contraste dentro do próprio Algarve ajuda a perceber como o relevo e a influência do mar podem produzir temperaturas muito diferentes a poucas dezenas de quilómetros de distância. O interior do Sotavento e o Vale do Guadiana estão menos expostos ao efeito moderador do Atlântico; a Serra do Caldeirão funciona também como barreira à entrada do ar marítimo e, em determinadas situações, o ar que desce a sotavento pode aquecer por compressão. É uma das razões pelas quais Alcoutim aparece tantas vezes entre os locais mais quentes do país.

Domingo é o dia da mudança

No domingo, a massa de ar mais quente começa a deslocar-se para leste, para o lado de Espanha, e as máximas descem, embora continue a ser verão e o interior permaneça quente. No Algarve, a diferença pode ser particularmente evidente: Alcoutim pode passar dos 41ºC previstos para sábado para cerca de 36ºC no domingo.

Ao mesmo tempo, aumenta a influência atlântica. A depressão desloca-se a norte da Península Ibérica e, embora o seu núcleo não tenha de atravessar Portugal, a circulação que lhe está associada é suficiente para transportar mais humidade e aumentar a nebulosidade. É essa mudança que abre a possibilidade de precipitação a partir de segunda-feira. A descida das temperaturas torna-se mais evidente no Norte, Centro e região de Lisboa, mas não chega uma massa de ar verdadeiramente fria. O Sul continua quente e, mesmo nas zonas onde pode chover, muitas máximas permanecem confortavelmente instaladas nos 20 e muitos graus.

A terça-feira, 4 de agosto, ainda apresenta possibilidade de precipitação sobretudo no Norte e Centro. Nos quadros do IPMA, há ainda indicação de chuva para, entre outros locais, Braga, Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Viseu e Guarda, embora com probabilidades diferentes das previstas para segunda-feira.

Depois, a fotografia volta a mudar. A precipitação tende a perder terreno e as temperaturas começam a recuperar durante a segunda metade da semana. Évora, por exemplo, passa dos 30ºC previstos para segunda-feira para cerca de 35ºC na quarta e volta aos 36ºC no fim de semana seguinte. Castelo Branco, depois de descer para 31ºC na segunda, regressa aos 35ºC–36ºC. Vila Real volta a aproximar-se dos 33ºC no domingo, dia 9.

A sequência prevista para o início de agosto é, por isso, mais uma oscilação do que uma mudança definitiva de padrão: calor muito intenso no sábado, descida no domingo, possibilidade de chuva na segunda e terça e recuperação das temperaturas logo a seguir. Mas quanto mais avançamos na previsão a dez dias, maior é a incerteza, sobretudo na localização e intensidade da precipitação.

Chover com calor significa que Portugal está a tropicalizar-se?

Uma segunda-feira com chuva e 29ºC não transforma Portugal num país tropical, nem a coexistência de calor e precipitação é uma novidade meteorológica. Há, no entanto, uma questão climática relevante por trás desta aparente contradição. Uma atmosfera mais quente consegue conter mais vapor de água. A relação física é de aproximadamente 7% de capacidade adicional por cada grau Celsius de aquecimento, desde que exista humidade disponível. E oceanos mais quentes podem também fornecer mais vapor de água e energia à atmosfera. Isso cria condições para que, quando existe um mecanismo capaz de fazer subir esse ar quente e húmido, haja mais água disponível para alimentar a precipitação.

Mas isto não significa simplesmente que Portugal vá ter “mais chuva”. Um clima mais quente pode trazer períodos secos mais prolongados e, ao mesmo tempo, aumentar a quantidade de água disponível para episódios de precipitação intensa quando se conjugam as condições necessárias. O importante não é saber se num determinado dia choveu com 28ºC, mas acompanhar como estão a mudar a frequência, a duração e a intensidade dos extremos de calor e de precipitação.

Neste caso, a explicação é bastante menos exótica. Uma depressão atlântica aproxima-se, muda temporariamente a circulação, transporta mais humidade e pode chover em pleno verão sem que o verão desapareça com a chuva. Tanto que, poucos dias depois, os termómetros deverão começar novamente a subir.

[Os serviços secretos portugueses enfrentam uma crise de segurança sem precedentes: existe uma toupeira infiltrada no SIS. A suspeita é de que esteja a vender segredos da NATO à Rússia de Putin. E a confirmação final vai ser feita pelas secretas norte-americanas: a CIA traz o nome de um dos espiões mais antigos do serviço. Já estreou “A Vida Dupla do Espião Traidor”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

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