Foram suspensos todos os 78 agentes e funcionários de uma esquadra da polícia em Lahore, no Paquistão, após a denúncia da alegada violação de uma jovem de 20 anos com dificuldades de aprendizagem por um subinspetor nas próprias instalações policiais. Em declarações ao The Guardian, o vice-inspetor-geral das operações da polícia da cidade explicou que a decisão foi tomada porque todos os elementos da esquadra têm o dever de prevenir e denunciar quaisquer irregularidades ocorridas no local, algo que considera não ter acontecido neste caso.

Nenhum polícia questionou por que razão o subinspetor assistente levou a mulher à esquadra sem a presença de nenhuma polícia feminina”, disse o vice-inspetor-geral das operações da polícia de Lahore, Faisal Kamran, citado pelo jornal britânico. “Suspendi todos os 78 polícias, e a divisão de crimes de género está a investigar o caso. Vamos despedir os culpados e garantir a segurança de todas as esquadras da cidade”, acrescentou o dirigente.

A jovem, segundo o jornal britânico, alega que foi detida pelo subinspetor e levada para a esquadra de Ghaziabad, onde terá sido violada numa sala no segundo andar. De acordo com testemunhos familiares, a mulher desapareceu enquanto se encontrava na rua e regressou mais tarde a casa em lágrimas, relatando ter sido vítima de agressão sexual nas instalações policiais.

Entretanto, o subinspetor acusado foi detido e está a ser alvo de uma investigação criminal pela alegada violação.

“Um incidente extremamente perturbador”

Embora a suspensão de todos os funcionários da esquadra seja considerada uma das maiores ações disciplinares alguma vez aplicadas à polícia paquistanesa, organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que o caso “reflete a longa história de falta de responsabilização no seio das forças policiais”.

Farzana Bari, ativista pelos direitos das mulheres, classificou o caso como “um incidente extremamente perturbador” e um “exemplo flagrante de abuso de poder”, em declarações ao The Guardian. A ativista sublinhou ainda que as alegações de má conduta policial e de crimes sexuais sob custódia não são inéditas no Paquistão, lembrando que casos semelhantes têm sido registados ao longo dos anos.

“Embora o historial da polícia na proteção das mulheres continue a ser mau, o facto de este caso ter sido denunciado oferece alguma esperança de que a justiça seja feita”, acrescentou a ativista.

Ocorreram, segundo o jornal britânico, mais de 20 mil crimes contra mulheres na província de Punjab, onde se localiza a cidade de Lahore, no primeiro semestre de 2026. Bari considera necessária “uma reforma estrutural e uma fiscalização mais rigorosa para garantir justiça às pessoas comuns”.

[A investigação ao espião português suspeito de vender segredos à Rússia é inesperadamente confrontada com uma vida dupla. Tem relações com várias mulheres do leste, é frequentador de bares de alterne e striptease e é ainda presença habitual em reuniões da maçonaria. Ao mesmo tempo, os serviços secretos norte-americanos querem montar uma armadilha à “toupeira” no interior do SIS.  Já pode ouvir o segundo episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor” no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]