Annelise tinha apenas dois anos quando foi encontrada inconsciente numa piscina de hotel. Foi transportada para um hospital pediátrico em Houston e apesar de o coração ter voltado a bater, a criança nunca recuperou a consciência. Enquanto lutava para recuperar das consequências do afogamento, os pais lutavam legalmente para impedir os médicos de realizar exames para determinar a morte cerebral. Annelise não resistiu e, passados 70 dias, morreu após terem desligado o suporte de vida.
A história remonta ao Memorial Day, um feriado federal para comemorar os combatentes norte-americanos que morreram em batalha ao serviço da bandeira dos Estados Unidos. A família Camp estava de viagem, numa visita a familiares no Texas. Annelise entrou para a piscina do hotel em que estavam alojados sem supervisão e sem as boias que normalmente utilizava. A criança já estava dentro de água, inanimada, quando foi encontrada por membros da família, que a puxaram para as extremidades da piscina para efetuar manobras de reanimação enquanto esperavam pelos primeiros socorros, contou o pai à FOX26 Houston.
O coração de Annelise só voltaria a bater uma hora depois, quando chegou ao Texas Children’s Hospital na maior cidade do estado. “Ela nunca desistia quando eu lhe pedia para fazer alguma coisa… Não vou desistir dela”, desabafou àquela estação. Com esta ideia na cabeça — e com o coração da filha ainda a bombear sangue para o resto do corpo, apesar de inconsciente —, Johnston e Joy Camp, os pais, requereram uma providência cautelar contra os médicos daquele serviço pediátrico, depois de lhes terem dito que já haviam esgotado todas as opções de tratamento, três dias após ter sido internada.
Desde que deu entrada, a vida de Annelise estava dependente do ventilador e, por não terem encontrado uma alternativa, os profissionais de saúde do Texas sugeriram realizar exames para verificar se a criança já tinha atingido a morte cerebral. Naquele estado, quando é determinada a morte cerebral de um paciente, o hospital pode retirar o suporte de vida. Neste caso, se fossem em frente com os exames e os resultados concluíssem que já não era possível recuperar a função cerebral de Annelise, então os médicos podiam desligar o ventilador.
Johnston e Joy Camp defenderam, em tribunal, que o cérebro de Annelise não deveria ser testado, para que a filha pudesse ter mais tempo para recuperar. Neste processo, que durou mais de dois meses, procuraram outros hospitais que pudessem receber a criança de dois anos, com uma opção de tratamento viável. Nos documentos legais a que a Associated Press teve acesso, o Texas Children’s Hospital garantiu ter contactado 36 outros serviços pediátricos em busca de um outro local para receber o caso de Annelise. Trinta e cinco rejeitaram e o que deixou a porta aberta disse que precisava de testar a capacidade cerebral da paciente para avançar com a transferência.
Os Camp acabaram por conseguir mudar a filha de hospital, para um no estado vizinho do Louisiana. Durante estes meses, receberam milhares de mensagens de apoio — incluindo uma do procurador-geral do Texas. “A Annelise Camp está a lutar pela sua vida e merece uma equipa médica que lute com o mesmo empenho”, escreveu Ken Paxton na rede social X. Entre junho e julho, entre várias declarações à imprensa local, Johnston Camp repetiu que a evolução da criança estava a ser “positiva” e que “o coração continuava a bater”.
Annelise Camp is fighting for her life and deserves a medical team that will fight just as hard. I'm calling on Texas Children’s to prioritize the treatment her family is seeking or allow adequate time to transfer her to a hospital that will. Will Memorial Hermann do the right… pic.twitter.com/lcFSPqkSx9
— Attorney General Ken Paxton (@KenPaxtonTX) June 4, 2026
Mas, quando tudo parecia estar a evoluir favoravelmente, de acordo com os relatos familiares, Annelise foi transferida de volta para o hospital pediátrico onde fora admitida no final do mês de maio e, naquele mesmo local, foi retirada do suporte de vida. A notícia foi partilhada pelo avô Steve Camp, sem mencionar a razão que levou a família a tomar a decisão de desligar o ventilador. “Quando foi feito, ela partiu muito rapidamente”, escreveu na rede social X.
UPDATE ON OUR GRANDDAUGHTER ANNELISE!
This past Monday Annelise was exubated, taking out the tubes, they kept her breathing these last ten weeks since her accidental drowning on Memorial Day.. When this was done, she passed very quickly.
The Celebration of Life will be held…
— PastorSteveCamp (@PastorSJCamp) August 5, 2026