O stock de óculos para ver o eclipse foi reforçado nas farmácias e nas óticas, mas muitas pessoas não os conseguiram comprar. Ao Observador, Ema Paulino, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), detalha que esta manhã, “concretizou-se o reforço em algumas farmácias que conseguiram contactar os fornecedores para entregas ainda durante o dia de hoje”, mas muitos óculos estavam já reservados e não foram, por isso, colocados à venda para quem não tivesse feito reserva.

Contudo, ainda estão disponíveis em óticas, indica fonte oficial da Associação Nacional dos Óticos (ANO) ao Observador. “Alguns associados têm stock reduzido”, que tem sido “reforçado várias vezes”. Muitos destes estabelecimentos ofereceram-nos como “cortesia” a clientes, mas muitas óticas também os venderam. Foram também as óticas que distribuíram os óculos gratuitos oferecidos através da parceria entre a Ciência Viva e o Club da Visão, e que esgotaram na semana passada.

“As farmácias acabaram por entrar nesta solução de promover o acesso de mais pessoas aos óculos apenas a partir do momento em que nos apercebemos que estava a haver uma escassez”, afirma Ema Paulino. “Cada farmácia teve de encontrar os seus fornecedores e estabelecer um plano de entrega para os óculos disponíveis. Portanto, há muitas farmácias que podem não ter conseguido identificar fornecedores ou ter acesso a stock de óculos”, concede. “Sabemos que muitas farmácias já não têm óculos disponíveis.”

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A escassez de óculos verifica-se não só em Portugal, mas também em “Espanha e no Reino Unido”. Segundo o jornal britânico The Guardian, várias lojas colaram cartazes nas montras em que indicam não ter óculos. O jornal espanhol El Periódico dá como esgotados os óculos em várias óticas e farmácias.

Esta manhã, a situação não foi diferente na freguesia de Alvalade, em Lisboa. Em 20 minutos, a farmácia Alentejo recebeu vários clientes à procura de óculos em vão. Ao contrário de outros estabelecimentos, aqui não foi colocado um papel à porta para avisar os clientes que os óculos não estão disponíveis. Alexandra Matos diz que prefere “explicar às pessoas”. A diretora técnica garante que fez “todos os esforços” junto dos fornecedores, mas que nunca obteve “qualquer resposta”.

Quando ontem ouviu a notícia de que o stock de óculos ainda ia ser reforçado antes do eclipse, ligou para a Associação Nacional de Farmácias (ANF) para saber como, apesar de a presidente da ANF referir que essa decisão cabia a cada uma das farmácias. No entanto, explica que quem respondia do outro lado da linha não conseguiu dar qualquer informação ou garantia. Alexandra Matos diz que tentou “contactar previamente” os fornecedores, mesmo ainda quando os óculos estavam disponíveis gratuitamente nas óticas, sem sucesso.

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Noutra farmácia, a farmacêutica Cláudia Portugal responde, com ironia, já ter dito que não tem óculos “mais de três mil” vezes. Além das pessoas que acorrem ao estabelecimento, o fluxo de chamadas telefónicas é tão grande que perturba e condiciona o atendimento prestado a outros utentes. Além disso, revela que há quem “tire senhas prioritárias” injustificadas para passar à frente na fila.

O Observador telefonou ainda para 17 estabelecimentos, um em cada capital de distrito (com exceção de Lisboa), que confirmaram duas coisas: não têm óculos em stock e não receberam qualquer reforço durante esta manhã.

Contudo, ressalva a presidente da ANF, um par de óculos pode ser partilhado entre várias pessoas durante a “janela temporal” do eclipse. A solução passa por “procurar garantir que cada agregado familiar, ou nas empresas, que exista um par de óculos disponível e que haja essa possibilidade de haver essa partilha”, afirma.

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