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O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo convocou o embaixador do Japão em Moscovo para manifestar desagrado pelas críticas da primeira-ministra japonesa à visita do Presidente russo às ilhas Curilas, um arquipélago em disputa com Tóquio, foi divulgado esta segunda-feira.

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, esclareceu que o embaixador japonês, Akira Muto, irá comparecer na sede do ministério na terça-feira, embora tivesse sido convocado no mesmo dia em que o Japão fez o mesmo com o embaixador russo em Tóquio, na passada quinta-feira.

Zakharova atribuiu a ausência de Muto ao “pretexto de uma doença” e assegurou que o diplomata “se sente subitamente melhor”, pelo que poderá comparecer na terça-feira na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, explicou anteriormente que a embaixada japonesa “não dava muitos esclarecimentos” sobre a recusa a comparecer às convocatórias anteriores.

“Hesitavam e depois explicavam que ele não poderia vir na sexta-feira, dia 14, nem na segunda-feira, dia 17 de agosto, porque ou não estava em Moscovo ou não se sentia bem”, afirmou Lavrov.

“De qualquer forma, convocámos o senhor embaixador: ele deve comparecer no Ministério dos Negócios Estrangeiros e falaremos sobre o comportamento das autoridades japonesas relativamente à visita do Presidente Putin à ilha russa de Iturup”, acrescentou Lavrov.

O líder russo deslocou-se na passada quinta-feira, pela primeira vez pessoalmente, a Iturup, uma das quatro ilhas do arquipélago das Curilas em disputa, que o Japão denomina Etorofu, no âmbito de uma visita que o levou a outros territórios da Sibéria e da região do Extremo Oriente.

Primeira visita do líder da Rússia a ilhas disputadas provoca protesto no Japão

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, manifestou o seu descontentamento com este gesto, que classificou de “absolutamente inaceitável”, apesar de Tóquio ter instado Putin, em várias ocasiões, a abster-se de realizar a visita, alegando que as ilhas Curilas — Territórios do Norte para o Japão — são “parte inerente” do país, palavras que Moscovo classificou como “ofensivas, extremamente indignantes e inaceitáveis”.

A visita de Putin às ilhas Curilas está a ser interpretada como uma mensagem clara da Rússia sobre a sua soberania sobre o arquipélago num momento de forte instabilidade, em que Tóquio, além de se ter juntado às sanções internacionais contra Moscovo devido à guerra na Ucrânia, intensificou as suas manobras militares em conjunto com os Estados Unidos no Pacífico.

Desde 1945 que Tóquio invoca um tratado de fronteiras de 1855 entre a Rússia czarista e o Japão para reivindicar a posse do arquipélago.

A Rússia, por sua vez, baseia-se na Conferência de Ialta, de fevereiro de 1945, durante a qual o antigo líder soviético Josef Estaline terá obtido do antigo presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt a promessa de recuperar as Curilas em troca da entrada de Moscovo na guerra contra o Japão.

Esta disputa impede os dois países de concluir um tratado de paz formal e resolver a questão.

Nas Curilas vivem cerca de 20.000 cidadãos russos num clima rigoroso, mas rico em depósitos de ouro e prata, bem como abundantes zonas de pesca, e que adquiriram importância estratégica durante a Guerra Fria.