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A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, instou Israel a abandonar os seus planos de expansão dos colonatos na Cisjordânia, salientando que estes são ilegais ao abrigo do direito internacional.
No domingo, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros sublinhou que “a posição da UE é clara: os colonatos israelitas na Cisjordânia, incluindo a Área E1, são ilegais ao abrigo do direito internacional”.
O Governo israelita lançou na semana passada um concurso público para a construção de sete complexos residenciais com 1.234 habitações na zona E1, localizada a leste de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada, parte de um plano de expansão, aprovado em agosto de 2025, que prevê a construção de 3.400 habitações.
Numa declaração, Kallas apelou ao governo israelita para “retirar o concurso” e “suspender os seus planos para a Área E1, bem como todos os outros projetos de expansão dos colonatos”.
De acordo com a alta representante, o início do concurso “prejudica seriamente as perspetivas de uma solução de dois Estados”, na medida em que, salientou, “dividiria a Cisjordânia em duas, isolando Jerusalém Oriental”.
A diplomata europeia enfatizou a atual “instabilidade e os níveis recorde de violência dos colonos” que abalam a Cisjordânia, afirmando ainda que “toma nota” das “recentes acusações apresentadas pelo Ministério Público israelita contra alguns dos perpetradores desta violência”.
Colonos israelitas cercam famílias palestinianas pelo quarto dia consecutivo
Kallas instou as autoridades israelitas a garantirem que “os responsáveis pela violência dos colonos sejam responsabilizados”, reafirmando, de seguida, o “compromisso inabalável” da UE com uma “paz abrangente, justa e duradoura, baseada na solução de dois Estados”, na qual “Israel e Palestina vivam juntos em paz e segurança dentro de fronteiras seguras e reconhecidas”.
Na sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já tinha considerado inaceitáveis os planos de Israel de expandir os colonatos.
Numa publicação nas redes sociais, a alemã anexou o comunicado de uma dezena de países, incluindo Espanha, Canadá e Reino Unido, a condenar a expansão dos assentamentos como ilegal ao abrigo do Direito Internacional.
The Israeli Government’s decision to publish construction tenders for the E1 settlement project is unacceptable.
We have long opposed this step.
It undermines the two-state solution by dividing the West Bank and breaking the territorial continuity of the Palestinian… pic.twitter.com/oWUTRETYgz
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) August 21, 2026
O projeto já mereceu também a oposição do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que afirmou que a expansão “teria graves consequências para a integridade territorial do Território Palestiniano Ocupado e representaria uma ameaça existencial para a solução de dois Estados”.
O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, instou Israel a “abster-se de adotar novas medidas a este respeito e a agir em conformidade com as resoluções relevantes das Nações Unidas e com o Parecer Consultivo do Tribunal Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024”.
O parecer defende que a política de construção de colonatos nos territórios palestinianos ocupados viola a proibição da deslocação forçada de pessoas e constitui um processo de anexação.