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Para males sauditas, remédios portugueses. Samu Costa e Ronaldo operam reviravolta e Al-Nassr bate Al-Taawoun em casa

O jogo começou com um golo visitante, mas Samu não deixou que o intervalo chegasse sem uma igualdade (45+5'). Na segunda parte (50'), Ronaldo fez o golo da vitória — o seu 978.º e está a 22 dos 1000.

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▲Ronaldo, Samu Costa e João Félix foram titulares na vitória do conjunto saudita por 2-1

Getty Images

▲Ronaldo, Samu Costa e João Félix foram titulares na vitória do conjunto saudita por 2-1

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O jogo anterior tinha acabado numa polémica que se estendeu para fora das quatro linhas. Não porque o Al-Nassr tivesse empatado ou perdido. Os sauditas venceram por 3-2 o Al Ettifaq, em Dammam, numa reviravolta que custou uma noite de pesadelo ao guarda-redes de 18 anos Al Otaibi — lançado aos 12 minutos depois da expulsão de Bento por falta como último homem — e que gerou um dos momentos mais comentados da jornada. Antes do intervalo, Ronaldo não escondeu a frustração perante os erros do jovem guardião, gesticulando agressivamente no meio-campo numa imagem que rapidamente circulou nas redes sociais. Ao intervalo, a discussão estendeu-se: o capitão português criticou o colega de forma que não passou despercebida nos bastidores do Al Ettifaq.

Ange Postecoglou tomou então uma decisão que só aumentou a polémica: substituiu Ronaldo, que saiu nitidamente descontente do relvado — ainda que o Al-Nassr estivesse a perder por 2-0 com um jogador a menos. O australiano explicou-a na conferência de imprensa: “Quando fiz as substituições, incluindo a saída do Cristiano Ronaldo, acreditei que os jogadores que entraram poderiam ter um impacto. Estou aqui para ajudar a equipa com o que vejo, e todos sabem que o Cristiano Ronaldo não joga há muito tempo. Ele teve um desempenho excecional na primeira parte e optámos por uma abordagem diferente”, explicou. O que se seguiu deu-lhe razão — ainda que com um sabor agridoce. Mané bisou aos 74 e 90 minutos, com o golo do empate, por Al Amri, pelo meio, aos 77′. O golo da vitória, já nos descontos, ainda foi alvo de revisão VAR antes de ser validado. O Al-Nassr tinha ganho sem Ronaldo — e isso seria o tema da noite.

Por entre a polémica, um nome saía a ganhar: João Félix. O internacional português jogou os 90 minutos, fez as duas assistências que permitiram a Mané e Al Amri marcarem na segunda parte e foi eleito o homem do jogo. São números que já não surpreendem: desde que chegou a Riade, Félix soma 30 golos e 21 assistências em 51 jogos — uma participação direta em 51 golos do Al-Nassr. No arranque desta temporada, o ex-Benfica já leva dois golos e duas assistências em três jornadas. É ele quem carrega o Al-Nassr quando Ronaldo não está — e quando está, como frente ao Al Ettifaq, é ele quem decide. Com este pano de fundo chegava o Al-Taawoun a Riade.

O génio de Félix salvou a estreia para esquecer de um miúdo: Ronaldo sai ao intervalo mas Al Nassr consegue reviravolta no minuto 90

Neste duelo, estavam os dois. Restava saber quem estava não só de corpo presente. Além de Félix e Ronaldo, Samu Costa também alinhava nos titulares eleitos pelo técnico australiano. Foi com os três portugueses em campo que o Al-Nassr viu o seu domínio territorial, desde o primeiro minuto, sair em vão: um remate de longe esbarrou na trave da baliza de Al Aqidi aos 11 minutos de jogo, mas não impediu que Bassam Al Hurayji, dos visitantes, adiantasse o Al-Taawoun na recarga. Na finalização para golo, o guardião saudita ainda tocou no esférico, mas de forma insuficiente para evitar o que a trave tinha adiado segundos antes.

O golo da vantagem visitante atenuou as intenções dos anfitriões. A um domínio territorial que não teve efeitos práticos para o Al-Nassr, seguia-se a incapacidade de chegar tão à frente como os cavaleiros de Najd tinham conseguido até ao golo. Essa incapacidade deu ao Al-Taawoun mais espaço e, acima de tudo, o consentimento de repetidas ocupações no meio-campo defensivo do conjunto da casa. As diferenças deixaram o resultado à beira de uma desigualdade ainda maior, quando o marroquino Younes El Bahraoui recebeu orientado — em rotação — e enganou suficientemente a defesa amarela de forma a conseguir um remate sem qualquer marcação. Porém, a finalização saiu à figura de Al Aqidi.

O momento não deixou de assustar os adeptos da casa, que, pouco depois, quase celebraram um autogolo dos visitantes. Na marcação a Ronaldo, Al Mufarriji cortou um cruzamento na direção da baliza do brasileiro Mailson. A diferença para o resultado se manter inalterado foi a distância a que a bola saiu do travessão — suficientemente perto para o número 1 do Al-Taawoun fazer uma “estirada de prevenção”. O segundo grande aviso à baliza visitante foi feito por Samu Costa, que aproveitou o espaço dado pela defesa do Al-Taawoun para experimentar a meia distância aos 33′. O médio português replicou o remate à figura que El Bahraoui tinha feito na baliza oposta momentos antes.

Depois foi Ronaldo, cerca de dois minutos depois, a não conseguir chegar a uma bola que só pedia a emenda para entrar, depois de Kingsley Coman protagonizar um lance individual que o deixou em boa posição para cruzar para o número 7, que, à semelhança dos adversários, não alcançou o esférico, que atravessou toda a pequena área, em frente à baliza, sem o “dedo” de ninguém. A timidez que o golo do Al-Taawoun tinha imposto há muito tinha acabado, com a sucessão de oportunidades. Sadio Mané tentou dar consequências ao fim dessa timidez, mas Mailson estava atento quando o senegalês aproveitou, ao segundo poste, um cruzamento largo para rematar à baliza e tentar igualar a partida.

Depois de tantas oportunidades no primeiro tempo — às quais se juntava ainda um remate de Mané muito longe do alvo mesmo em cima do intervalo —, a bola acabou mesmo por entrar na baliza visitante e a chave era portuguesa. Depois de Sadio Mané cortar do corredor esquerdo para o central, a bola seguiu em “câmara lenta” na direção de Samu Costa, que não perdeu tempo para dominar a bola. De pé esquerdo, o médio português atirou rasteiro em direção ao poste direito da baliza de Mailson. Mesmo antes de chegar à baliza, a bola completou o arco que Samu tinha encomendado no gesto e o guardião brasileiro, mesmo com uma estirada, não chegou a tempo de evitar a igualdade, aos 45+5′. Os anfitriões evitavam, assim, uma ida para os balneários em desvantagem e a culpa era, outra vez, de um português. Agora, Samu Costa.

A segunda parte chegou com as mesmas tendências do início da primeira, mas com a intensidade do seu final. A chave voltou a ser portuguesa para o Al-Nassr dar a volta ao marcador aos 50′. Félix desenhou um drible sobre Parfait Guiagon pela esquerda e conseguiu um cruzamento, que encontrou Simakan à entrada da área. O defesa central não teve contemplações, tal como Samu. Rematou de primeira, mas não colocado. A experiência de Cristiano falou mais alto. A bola a que não tinha chegado no primeiro tempo, agora vinha na sua direção. Ou a sua leitura do tempo e do espaço fazia parecê-lo. Talvez fosse o contrário e fosse o número 7 a conseguir perceber mais rápido onde o esférico ia passar — mais rápido que o próprio Mailson, que viu o capitão da Seleção Nacional meter maldade numa bola que carecia dela — e desviá-lo para o golo da vantagem.

A vantagem dos anfitriões trouxe a lentidão que lhes convinha. O 978.º golo da carreira de Cristiano tirou a intensidade que se tinha estabelecido enquanto o Al-Nassr ainda procurava o empate. E foi nesse ritmo que o jogo se foi acercando do final de um jogo com menos sofrimento que o anterior. O resultado, depois de o Al-Nassr “tirar o pé do acelerador”, manteve-se tal e qual como aquele que Ronaldo tinha estabelecido, quando leu e antecipou tudo antes dos demais.

Nas contas globais restam a Cristiano, depois dos dois golos que apontou no arranque do campeonato saudita — um contra o Al-Riyadh e agora outro diante do Al-Taawoun —, 22 golos para o milésimo. Olhando para o número de vezes que marcou nos últimos anos, Cristiano deverá bater a marca dos quatro dígitos esta temporada, caso não se lesione — é isso que a história recente diz. O capitão da Seleção marcou 50, 35 e 30 golos nas três épocas anteriores, respetivamente. Já o Al-Nassr, depois deste triunfo, salta para o primeiro posto da Liga Saudita, à frente do Al-Hilal, que tem menos um jogo. Em caso de vitória, as Ondas Azuis igualam pontualmente o conjunto de Cristiano Ronaldo na tabela classificativa.

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