O comentador e ativista político de extrema direita Milo Yiannopoulos foi deportado dos Estados Unidos após ser detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). O antigo editor do Breitbart News, que já foi assessor político do rapper Kanye West, foi detido a 27 de agosto em Nova Orleans e deportado na passada sexta-feira, informou o Departamento de Segurança Interna (DHS).

O comunicado publicado nas redes sociais fala de “um imigrante ilegal do Reino Unido” que foi enviado “de volta ao seu país de origem”. De acordo com o DHS, Yiannopoulos entrou nos EUA legalmente a 14 de maio de 2019, pela cidade de Nova Iorque, mas “optou por permanecer no país além do prazo permitido, violando as leis do nosso país”. O ativista conservador “recebeu uma ordem final de deportação de um juiz de imigração em 22 de julho, após não comparecer à sua audiência de imigração”. Foi detido a 27 de agosto, quando chegava ao Aeroporto Internacional Louis Armstrong de Nova Orleans, e mantido numa instalação do ICE no Estado do Louisiana até ser deportado para o Reino Unido.

Milo Yiannopoulos, de 41 anos, cresceu em Kent, no sul da Inglaterra, mas fez carreira nos Estados Unidos da América como comentador político, influenciador e jornalista. O antigo editor do site noticioso de extrema direita Breitbart, conhecido pelo seu estilo por vezes irónico e frequentemente controverso, apoiou a candidatura de Donald Trump em 2016 e ganhou fãs pelo estilo “politicamente incorreto”. Além disso, trabalhou por dois anos com o rapper Kanye West, que chegou a se candidatar à Presidência dos EUA por duas vezes com uma plataforma de governo confusa e com pouco detalhamento.

O ativista conservador já demonstrou apoio às operações do ICE no passado. Defendeu medidas como postos de controlo do ICE em supermercados, a expulsão imediata de qualquer pessoa que não conseguisse provar ser um residente legal nos EUA e até “imunidade legal total para agentes do ICE quando estiverem em serviço”. “Precisamos deportar milhões e milhões de pessoas. Sem isso, nada mais importa”, chegou a escrever nas redes sociais em 2025, recorda a BBC.

As posições públicas de Yiannopoulos não foram suficientes para evitar a deportação do comentador político. No comunicado emitido na passada sexta-feira, o DHS informa que o Governo norte-americano oferece 3 mil dólares e uma passagem de volta para o país de origem aos imigrantes ilegais que se “autodeportarem”. “Encorajamos todas as pessoas que estão aqui ilegalmente a aproveitarem esta oferta e a reservarem a chance de voltar aos EUA de forma legal para viver o sonho americano. Caso contrário, você será preso e deportado sem chance de regressar“.