Depois de cerca de nove meses no mar, os mais de 5.000 marinheiros a bordo do porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln voltaram finalmente a pisar terra firme, ao desembarcarem na Tailândia, mais concretamente em Pattaya, uma localidade conhecida pela sua vida noturna e pelo ‘red light district’.
A aguardar a chegada dos marinheiros, que desceram com roupas civis e divididos por grupos, estava o presidente da câmara e os responsáveis da polícia, além de algumas mulheres envergando trajes tradicionais tailandeses. A exceção entre a tripulação foi o capitão do navio, Dan Keeler, que surgiu com o uniforme da Marinha dos Estados Unidos da América.
Segundo conta o jornal The Guardian, Pattaya era antigamente uma vila piscatória que na Guerra do Vietname se tornou um conhecido ‘bairro de luz vermelha’, então procurado pelas tropas americanas destacadas nas bases militares usadas pelos EUA na Tailândia. O fim do conflito nos anos 70 e a saída dos soldados americanos não significou o fim dessa vertente mais boémia de Pattaya, que passou a ser também procurada por europeus, chineses e russos.
No entanto, a área de Soi 6 e a zona circundante — contíguas ao Hard Rock Hotel onde os marinheiros foram recebidos pelas autoridades locais — estarão interditas à tripulação após o pôr do sol, declarou o autarca de Pattaya, Poramet Ngampichet.
A chegada dos marinheiros ocorre também na sequência de relatos sobre uma degradação acentuada das condições de vida da tripulação ao fim de tantos meses a bordo, tendo inclusivamente sido propaladas supostas tentativas de suicídio. O porta-aviões esteve vários meses no Médio Oriente no apoio às ações militares norte-americanas na região.
Citado pelo jornal britânico, o capitão do USS Abraham Lincoln desdramatizou o cenário descrito nessas notícias. “Parece um carro sujo num parque de estacionamento”, contou, continuando: “Não sei como dizê-lo de outra forma, senão que há uma discrepância entre o que é noticiado no país e o que se passa no navio“.
Segundo Keeler, “quem navega pela primeira vez vai queixar-se da comida e das condições de vida, tal como acontece quando se mandam os filhos para a faculdade pela primeira vez”.
“Ficámos apanhados num ciclo eleitoral e fomos atirados de um lado para o outro como uma bola de futebol”, referiu o capitão do porta-aviões, que não comentou os relatos de tentativas de marinheiros saltarem do porta-aviões, apontando para investigações em curso sobre essas alegações.
Já sobre o comentário crítico de Donald Trump, que tinha afirmado que a missão de nove meses “não foi, de forma alguma, suficientemente longa” para os marinheiros, o capitão Dan Keeler distanciou-se dessas palavras: “O Presidente fala por si próprio“.
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