O semanário económico germânico WirtschaftsWoche teve acesso a um plano secreto de revitalização do consórcio alemão Volkswagen, que atravessa um período de quebra de vendas e uma consequente redução dos lucros. Daí surgiu a necessidade já anunciada de encerrar quatro fábricas e cortar 100.000 postos de trabalho, sendo que o mercado acredita que ambos os valores venham a aumentar. Surpresa foi saber-se que o plano passa por extinguir uma das 13 marcas do grupo, nomeadamente a Seat, e já em 2029.

Volkswagen pondera cortar 100 mil postos de trabalho e encerrar quatro fábricas na Alemanha

A Seat nasceu em 1950 para produzir modelos da Fiat em Espanha sob licença (do Seat 1400 ao Seat 600, passando pelo Seat 124), situação que se manteve até 1982, altura em que o construtor espanhol mudou de equipa e assinou um acordo de cooperação industrial com o Grupo Volkswagen, que viria a adquirir a marca na totalidade em 1986. A Cupra surgiu mais tarde, em 1996, como uma linha desportiva da Seat, tendo evoluído em 2018 para marca independente, mas sempre parte do então criado Grupo Seat. À época, enquanto a Cupra dava os primeiros passos, a Seat vendia 517.000 unidades por ano, um recorde para o construtor espanhol.

Somando as vendas conjuntas da Seat e da Cupra, o desempenho deste grupo espanhol, criado sob os auspícios do Grupo VW, não cresceu propriamente de uma forma espectacular, uma vez que em 2024 transaccionou um total de somente 558 mil unidades, com a Seat a ser responsável por aproximadamente 310 mil unidades e a Cupra por 248 mil veículos, precisamente no ano em que a marca mais jovem celebrava o seu 7.º aniversário. Isto representa apenas um incremento de 8% das vendas face ao melhor ano em que a Seat era o único construtor espanhol do Grupo VW, antes de a Cupra reforçar as vendas, mas tornando evidente que o sucesso da Cupra foi conseguido à custa do sacrifício da Seat, que nunca ofereceu modelos eléctricos e viu-se impedida de colocar no mercado mecânicas híbridas plug-in (PHEV) durante muito tempo, enquanto estas eram oferecidas pela VW, Skoda e Cupra. Comparativamente, uma estratégia similar nunca foi aplicada à Skoda, cujo posicionamento no mercado é idêntico ao da Seat, consistindo em propor veículos interessantes por preços acessíveis.

Agora sim: a Seat morreu e não haverá mais modelos

O documento que dita a morte a prazo da Seat resulta de uma decisão do Conselho da Supervisão, tomada nos primeiros dias de Setembro, determinando que a Seat será retirada, de forma gradual e a custos controlados, o mais tardar até ao final de 2029. O Grupo Volkswagen garantirá o serviço pós-venda aos clientes, bem como as obrigações para com o mercado.

Na corda bamba: Seat pode não passar de 2029

A fábrica da Seat SA — que ainda produz os modelos da Seat e da Cupra — tem o futuro assegurado, sendo demasiado importante para Espanha e, sobretudo, para a Catalunha. A garantia vem do facto de a fábrica catalã passar a ser igualmente responsável pela produção dos modelos eléctricos Cupra Raval e VW ID. Polo, após um avultado investimento nestas instalações fabris. Isto para começar, uma vez que vão suceder-se mais veículos eléctricos com a mesma arquitectura e concebidos sobre a mesma plataforma (MEB+).