Acompanhe o nosso liveblog sobre os conflitos internacionais
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou esta quarta-feira as tropas israelitas no sul da Síria, onde declarou um “controlo absoluto como nunca” em vastas regiões no Médio Oriente e reafirmou a previsão de colapso iminente do regime iraniano.
“Estamos no cume do Monte Hermon. Damasco está já aqui, o Líbano está já ali, os Montes Golã sírios estão já ali, e controlamos toda a área desde o topo do Hermon até ao rio Yarmouk, e daí até ao mar Mediterrâneo: controlo absoluto como nunca antes”, declarou o líder israelita numa mensagem divulgada pelo seu gabinete a partir do território ocupado da Síria.
Acompanhado pelo ministro da Defesa, Israel Katz, o chefe do Governo israelita frisou que não permitirá que “nenhum exército terrorista estabeleça posição” junto da fronteira com o seu país.
“Esta é uma das enormes conquistas que alcançámos na Guerra da Redenção”, observou, referindo-se à designação assumida pelas autoridades de Telavive da ampla operação militar na Faixa de Gaza, em resposta aos ataques de 7 de Outubro de 2023, liderados pelo grupo islamita palestiniano Hamas, no sul de Israel.
O primeiro-ministro israelita advertiu que “ainda há trabalho a fazer” e que a principal tarefa é “derrubar o regime terrorista” no Irão. “Estamos muito perto disso. Sabemos que todo este eixo [grupos aliados da República Islâmica] acabará por ruir”, afirmou Netanyahu, voltando a uma ideia já expressada na semana passada, numa rara visita às tropas israelitas destacadas na Faixa de Gaza.
Netanyahu defendeu nessa ocasião que a liderança iraniana “está a lutar pela sua sobrevivência”, em pleno reatamento das confrontações militares entre Estados Unidos e a República Islâmica e após o anúncio de uma operação de “guerra económica” da administração norte-americana para isolar Teerão.
Israel lançou uma campanha conjunta de ataques aéreos com os Estados Unidos contra o Irão em 28 de fevereiro, desencadeando um conflito que se propagou a vários países do Golfo e reacendeu os confrontos entre o grupo xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerão, e as forças israelitas, que expandiram as posições que já ocupavam no sul do Líbano.
Apesar de Israel não se ter envolvido diretamente nas últimas operações militares contra o Irão, Netanyahu tem avisado repetidamente que usará a força se o seu país for visado pelos militares iranianos.
Israel mantém também posições militares no sul da Síria, junto dos Montes Golã ocupados, desde a queda do regime do antigo Presidente sírio Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, alegando que pretendia criar uma “zona de segurança”.
As novas autoridades de Damasco que emergiram dos anteriores grupos rebeldes têm transmitido o desejo de dialogar com Israel, que, no entanto, continua a executar operações militares no país vizinho, incluindo um bombardeamento de uma base aérea síria, no mês passado, a pretexto da alegada presença de uma delegação turca.
Antes de Netanyahu, o ministro da Defesa israelita já tinha visitado as suas tropas no sul da Síria, gerando protestos das autoridades sírias, que se referiram a uma “violação flagrante da soberania do país”. “Estamos aqui para enviar uma mensagem muito forte ao Presidente da Síria, que está a 35 quilómetros de distância, no seu palácio em Damasco: estamos aqui no Monte Hermon, estamos na zona de segurança e não sairemos daqui”, disse esta quarta-feira Israel Katz, repetindo a mensagem que já tinha deixado em 25 de agosto na sua anterior visita ao sul da Síria, onde também já tinha estado o comandante das forças armadas, Eyal Zamir.
Israel realiza eleições legislativas em 27 de outubro, nas quais Netanyahu disputa a continuidade do seu Governo de coligação com a extrema-direita, num momento em que o país se envolveu em várias frentes de conflito no Médio Oriente.