O número de ativistas ambientais mortos no Brasil duplicou em 2025, tornando o país o segundo mais perigoso do mundo para defensores do ambiente, depois da Colômbia, segundo um relatório divulgado esta quarta-feira pela organização não governamental (ONG) Global Witness.

A Colômbia e o Brasil concentraram 52% dos assassinatos de defensores ambientais registados no mundo no último ano, com 39 e 26 vítimas, respetivamente. Grande parte dos homicídios no Brasil está ligada a disputas por terras, uma fonte histórica de tensão entre comunidades indígenas e grandes proprietários rurais.

“Pode-se matar pessoas porque se tem a certeza de que ficará impune, é quase uma licença para matar”, denunciou à agência France-Presse Carlos Lima, da Comissão Pastoral da Terra, organização que defende os direitos dos camponeses e das populações indígenas. “Em geral, quem ordena um assassinato não cumpre pena, não é detido”, acrescentou.

[Duarte Lima chega ao Brasil 45 horas antes de Rosalina Ribeiro ser assassinada. Tinha encontro marcado com a milionária no Rio de Janeiro mas aterra em Belo Horizonte. Na reconstituição dos movimentos dele, a polícia percebe que o advogado nunca usou o telemóvel pessoal no Brasil. Mas foram detetados contactos a partir de dois telefones portugueses e um suiço. Um deles liga várias vezes para a casa da milionária. Já pode ouvir o terceiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

Pelo quarto ano consecutivo, a Colômbia surge como o país mais violento do mundo para os ativistas ambientais, também alvo de pressões e ameaças de grupos armados dedicados à exploração mineira ilegal.

Na América Latina, região mais mortífera para os defensores do ambiente, a maioria das vítimas são indígenas (36%) e agricultores (40%). O risco é particularmente elevado em zonas remotas, onde a presença do Estado é limitada, sublinha o relatório.

No total, foram registados 124 assassinatos de ativistas ambientais em todo o mundo no último ano. As Honduras e as Filipinas ocupam o terceiro lugar da lista, com 12 mortes cada, seguidas do México, com 10 vítimas.

Desde 2012, quando a Global Witness iniciou o levantamento, o número de defensores ambientais mortos ou desaparecidos no mundo cresceu para 2.375 pessoas.