A vila de Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, regressa aos tempos medievais, entre sexta-feira e domingo, com um programa que recorda, este ano, o funcionamento do antigo Hospital do Espírito Santo.
A 23.ª edição da feira Alvalade Medieval, no distrito de Setúbal, é dedicada ao tema “Da Maleita à Cura”, com a recriação do antigo Hospital do Espírito Santo, uma instituição que prestava assistência a doentes e acolhia os viajantes que passavam pela vila.
“Queremos essencialmente abordar o tema das doenças e, de certa forma, recriar uma grande instituição que existiu em Alvalade, o Hospital do Espírito Santo, criado pela Ordem de Santiago da Espada”, explicou esta quinta-feira à agência Lusa Sónia Silva, presidente da Associação Amigos de Alvalade.
Em declarações à agência Lusa, a responsável precisou que o antigo hospital “tinha a função de tratar” os doentes, mas servia “também de albergue” devido à localização da vila numa antiga rota comercial.
Organizado pela Associação de Amigos de Alvalade, o evento conta com os apoios da Câmara de Santiago do Cacém e da Junta de Freguesia de Alvalade.
Segundo os promotores, foi a 20 de setembro de 1510 que D. Manuel I atribuiu a carta de foral a Alvalade, sendo a data assinalada, desde 2022, com a recriação da vida na época, através do Alvalade Medieval.
Durante o certame, acrescentou Sónia Silva, o público vai ter a oportunidade de assistir à recriação “do tratamento das feridas com unguentos e às sangrias”, entre outros tratamentos que eram realizados naquele antigo hospital.
A feira ocupa cerca de uma dezena de ruas do centro histórico, incluindo a Praça D. Manuel I.
À semelhança de anos anteriores, o programa do certame “é recheado de muita música e animação itinerante”, com diversas personagens históricas, torneios a cavalo e apeados, espetáculos de fogo e cortejos históricos. De acordo com a responsável, “haverá também mercado medieval, onde estarão representados artesãos e todos os artífices da zona e alguns produtos tradicionais e medicinais”.
Entre as novidades da edição deste ano, destacou, estão duas oficinas dedicadas ao fabrico do alaúde, instrumento musical “que tem origem medieval”, e de uma caneca de barro.
Outra das novidades é a realização de um banquete com a “participação” de D. Manuel I e da rainha, marcado para sábado e domingo, às 12h30, no denominado “Buraco do Rei”, onde será servida “açorda de perdiz ou feijoada de lebre”, entre outros pratos.
Os cortejos históricos da feira medieval, que tem um orçamento que ronda os 85 mil euros, realizam-se no sábado e no domingo, a partir das 15h00, com passagem pelas ruas da vila e chegada de D. Manuel I à Praça D. Manuel I.
O bilhete diário custa cinco euros e as pessoas que se apresentem trajadas a rigor têm entrada gratuita.