O santuário da Peninha, na serra de Sintra, vai ser restaurado pela Parques de Sintra-Monte da Lua, numa empreitada que será lançada até ao fim do ano, com um investimento inicial de 1 milhão de euros, foi esta quinta-feira anunciado.

Segundo o presidente da Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), João Sousa Rego, a sociedade vai “começar a fazer o trabalho de restauro da Peninha”, que “ainda vai demorar”, pois será aberto “um concurso”, mas que resulta de “um trabalho de investigação” na empresa.

“É um monumento muito interessante, que também teve ao longo dos anos muitas alterações. Aquilo que já vemos hoje até é muito diferente do monumento original, à exceção da capela”, afirmou o responsável, numa conversa em torno de projetos da sociedade que gere os monumentos e jardins históricos de Sintra.

De acordo com Sousa Rego, “a capela é toda forrada em azulejos, com um teto abobadado” e “é lindíssima”.

“É um monumento que queremos valorizar e também abrir ao público, portanto, vamos começar a desenvolver essas atividades, são sempre obras que demoram algum tempo, mas temos de começar”, acrescentou.

O concurso para a empreitada, com uma duração estimada de seis meses, vai ser lançado “até ao final do ano” e “o valor de investimento inicial é cerca de 1 milhão de euros”, pois “é uma obra que vai ter de ser faseada”, adiantou.

Para Sousa Rego, a recuperação da Peninha vai ser “um desafio bom” para a PSML, que gere o património edificado, na linha divisória com o município de Cascais, enquanto a empresa municipal Cascais Ambiente tem a seu cargo a gestão da “parte rústica” da propriedade.

O responsável admitiu que “ainda está por definir” o programa funcional e que, para já, quiseram estancar “a degradação patrimonial e começar o restauro”, num caminho em que o “objetivo é sempre a conservação e a valorização com a fruição”.

Situado no alto da serra de Sintra, o santuário é composto pela capela de Nossa Senhora da Penha e respetivas dependências, classificado como imóvel de interesse público, abrangido pela “zona tampão” da Paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO.

A primeira fase de intervenção, avançou a PSML à Lusa, “incide na recuperação da capela da Peninha, respondendo à necessidade urgente de travar o processo de degradação do edifício, garantir a sua estabilidade estrutural e assegurar a preservação dos valores patrimoniais que lhe conferem um caráter excecional”.

“A intervenção respeitará integralmente a identidade arquitetónica, a autenticidade dos materiais e as características históricas do monumento, assegurando a sua preservação para as gerações futuras”, referiu a fonte oficial.

Além da capela, primeiro passo de um plano mais abrangente, será reabilitada a Ermida de São Saturnino e as casas dos romeiros e do caseiro, permitindo uma valorização integrada de todo o santuário da Peninha.

A remoção de elementos dissonantes e reorganização dos espaços interiores criarão condições “para a instalação futura de um núcleo museológico, reforçando a fruição cultural do conjunto e devolvendo à capela da Peninha o protagonismo patrimonial e paisagístico”.

O santuário da Peninha faz parte de um conjunto arquitetónico formado pela antiga Ermida de São Saturnino (fundada por D. Pêro Pais na época da formação do reino de Portugal) e pelo palacete romântico construído em 1918, com traça de fortificação, associado como local de “peregrinação com longa tradição mágico-religiosa”, informou o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

O ICNF, em 2017, estabeleceu com a Cascais Ambiente e a PSML, um protocolo para a gestão conjunta da Quinta da Peninha, com 60 hectares, para a “utilização, exploração e conservação quer do seu património natural, quer do seu património edificado”.

O protocolo, a que a Lusa teve acesso, previa a cogestão, com a PSML, dos imóveis com cerca de 23.125 metros quadrados (m2), e, com a Cascais Ambiente, das tapadas com uma área de 587.520 m2.

Em termos de desafios, João Sousa Rego apontou que, devido às tempestades e alterações climáticas, a empresa tem de acautelar quer a “capacidade de tornar os monumentos mais resilientes”, quer a seguir às tempestades alterar o modelo de gestão operacional “para garantir respostas imediatas”.