A Gronelândia, a Dinamarca e os Estados Unidos vão assinar o acordo sobre o território ártico na próxima terça-feira em Nova Iorque, à margem da assembleia-geral das Nações Unidas, anunciou esta segunda-feira o gabinete da primeira-ministra dinamarquesa em comunicado.

“A cerimónia de assinatura terá lugar no edifício das Nações Unidas às 10h30, hora local [15h30 em Lisboa]”, indicou o gabinete de Mette Frederiksen, que, segundo o comunicado, vai subscrever o acordo com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e com o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen.

Os chefes de governo da Dinamarca e da região autónoma da Gronelândia partiram no domingo para Nova Iorque, depois de as partes terem anunciado na sexta-feira um acordo sobre o território ártico, cujo conteúdo integral ainda não é conhecido.

Donald Trump provocou este ano uma crise com os aliados europeus ao ameaçar anexar o território autónomo dinamarquês, mais a sua localização estratégica na região ártica e recursos naturais cobiçados por Washington.

Apesar de os detalhes não terem sido divulgados, o Governo dinamarquês destacou que o acordo sobre a Gronelândia respeita as “linhas vermelhas” de Copenhaga, ao garantir a sua soberania, mesmo que Washington mantenha o “controlo permanente” sobre a segurança do território.

O acordo “reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo gronelandês à autodeterminação”, realçou Mette Frederiksen.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, saudou nas redes sociais o fim de “um longo período de incerteza”, esperando que seja seguido por “um acordo vinculativo que reforçará a segurança no Ártico e no Atlântico Norte” e também na Dinamarca no seio da NATO e da Europa.

No mesmo sentido, Jens-Frederik Nielsen saudou um acordo “que garante e reforça a segurança da Gronelândia, do Reino da Dinamarca, dos Estados Unidos e da aliança ocidental” e espera que o compromisso possa trazer “um pouco mais de tranquilidade” para os habitantes do território.

Segundo a administração de Donald Trump, o entendimento impede a China e a Rússia de estabelecerem bases na Gronelândia ou de realizarem investimentos sensíveis sem o seu consentimento, abrindo também caminho para o reforço da presença militar norte-americana.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, espera pelo seu lado que o anúncio ajude “a acalmar os ânimos”, tendo sido um dos poucos líderes europeus a reagir de imediato à iminência de um acordo.

“Observo simplesmente que a soberania dinamarquesa é respeitada, que o direito internacional é respeitado, e que era isso que estávamos a pedir”, declarou.

No domingo, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, felicitou a homóloga dinamarquesa pelo acordo alcançado com os Estados Unidos e a Gronelândia, segundo um resumo da reunião entre os dois líderes divulgado por Downing Street.

“O primeiro-ministro felicitou a primeira-ministra Frederiksen e o Reino da Dinamarca pela negociação de um acordo que beneficia os Estados Unidos, a Gronelândia e a Dinamarca, e indicou que transmitiria as suas felicitações ao Presidente Trump”, acrescentou o comunicado.

Já o líder do comité militar da NATO, Giuseppe Cavo Dragone, considerou sem se alongar que o compromisso “é muito bem-vindo”, enquanto um porta-voz da aliança atlântica comentou que “contribuirá para fomentar a segurança, a estabilidade e a cooperação nesta região vital”.

Um acordo de defesa de 1951, atualizado em 2004, já concedia às forças armadas norte-americanas praticamente carta branca para implantar instalações na Gronelândia, desde que notificassem as autoridades.

O vice-presidente norte-americano, JD Vance, visitou a Gronelândia em março de 2025, uma viagem que as autoridades de Nuuk e Copenhaga receberam como uma provocação.

Donald Trump chegou a admitir a possibilidade de “usar a força” para tomar o território de 57 mil habitantes, semeando alta preocupação na União Europeia e nos aliados da NATO.

Atualmente, os Estados Unidos contam apenas com a base da Força Espacial de Pituffik (antiga base de Thule) na ilha, após décadas de redução da sua presença, embora as autoridades dinamarquesas tenham salientado que essa política foi uma decisão de Washington.