Depois das chamadas de atenção do Presidente da República ao Governo de Luís Montenegro durante a fase dos exames nacionais, os dois foram juntos inaugurar a Escola Secundária de Cascais. O primeiro-ministro foi o primeiro a falar e começou por dizer que Seguro é também ele “professor” e como Presidente da República é “sempre muito atento, empenhado e interessado com o que se passa na escola, em todos os níveis de escolaridade”. Montenegro partiu depois para uma espécie de auto e hetero avaliação e tentou amarrar o chefe de Estado à política do Governo: “[O Presidente tem] uma visão que é partilhada com o Governo, de que o processo formativo dos cidadãos e a concretização da democracia e da liberdade começa precisamente na escola”.

António José Seguro manteve, no entanto, os níveis de exigência ao Executivo. O Presidente da República diz que “os resultados do PISA mostram que Portugal tem muito caminho a percorrer. Infelizmente, a expressão correta é muito caminho a recuperar. Com essa recuperação temos todos de avançar melhor.” Seguro avisa que “é obrigatório olhar para esses resultados com serenidade, mas também com ambição”. Isto depois de já ter dito que a responsabilidade da educação não se esgota nas escolas. “E é aqui que começa a nossa responsabilidade. A nossa do Governo, a nossa do Presidente da República, a nossa da Assembleia da República.”

Seguro assume que “o sistema educativo está a atravessar uma transformação que nos obriga a repensar a própria escola”, mas avisa que essa mudança “só pode ser feita com quem todos os dias a constrói. Os professores, os alunos, as famílias e todos os profissionais que lhes dão apoio.” O Presidente da República, já se sabe, exige que os professores sejam envolvidos nessas transformações: “Valorizar os professores é valorizar a própria Educação, porque nenhum sistema educativo será verdadeiramente forte se aqueles que todos os dias ensinam não sentirem que a sua profissão é respeitada, a sua missão é reconhecida e o seu esforço é valorizado.”

As declarações têm especial relevância pelo facto de o Governo ter oscilado durante a avaliação dos exames, entre culpabilizar a novidade ou responsabilizar algumas resistências do sisstema (vindas, também, de professores). Luís Montenegro, aliás, tinha lembrado esses problemas minutos antes: “Sabemos que este ano que começa comporta novos desafios, como aquele que terminou teve também necessidades que tiveram de ser preenchidas e objetivos que tiveram de ser alcançados, muitas vezes com dificuldade, muitas vezes com a exigência de estarmos predispostos a aguentar o tempo da mudança, o tempo do progresso”. Mais uma vez, o primeiro-ministro voltou a auto-avaliar-se: “A transformação foi suplantada e fez acreditar que vale a pena um sistema que não deixa ninguém para trás”.

Montenegro disse ainda que tem centrado uma parte da atenção na zona de Lisboa e Vale do Tejo, não só pelas insuficiências das instalações, mas pela necessidade de reter professores (que fogem dos preços da habitação e do custo de vida). Sobre a revitalização do Parque Escolar, o primeiro-ministro alertou que “o Governo tem um acordo já subscrito com o Banco Europeu de Investimento para mais de mil milhões de euros de financiamento destinado a intervenções em 200 escolas. Cerca de metade desse valor, 450 milhões de euros, está localizado, precisamente, aqui na região de Lisboa e Vale do Tejo”.