O homem acusado de matar a mulher com 17 facadas em agosto de 2025, no Porto, disse esta quinta-feira ter ficado “cego e descontrolado”, acusando a vítima de o tentar agredir primeiro, após discutirem por causa da aliança de casamento.

Na primeira sessão do julgamento, que arrancou esta manhã no Tribunal de S. João Novo, o arguido, de 57 anos, casado com a vítima há três anos quando ocorreu o crime, disse estar “arrependido das consequências” daquilo que fez.

O homem é acusado de um crime de homicídio qualificado e de um crime de posse de arma proibida, estando a responder ao processo em prisão preventiva.

A acusação sustenta que o arguido matou a mulher com 17 golpes com uma faca de 13 centímetros de lâmina.

O arguido explicou que, na noite dos factos, 22 de agosto de 2025, pelas 22h00, teve uma discussão com a vítima “por causa da aliança de casamento”.

“Ela perguntou-me pela aliança, eu disse que tinha tirado a aliança e posto na mesinha de cabeceira há uma semana. Fomos ao quarto e a aliança não estava lá”, contou o arguido.

Depois, segundo contou, a vítima “ameaçou chamar a polícia”, a que se seguiram outras acusações.

“Quando me virei, ela vinha com a faca e acusou-me de ter vendido a aliança”, contou.

E continuou: “Eu tirei-lhe a faca da mão, fiquei completamente descontrolado e, infelizmente, desferi os golpes no corpo dela“, referiu.

A acusação relata que a vítima fugiu para a rua “com a faca cravejada nas costas”, facto que o arguido confirmou, contando que também saiu “para a rua para pedir ajuda”.

Questionado sobre como foram desferidos os golpes, o arguido não respondeu: “Eu não me lembro de nada”, repetiu várias vezes.

“Perdi o controlo e estou arrependido das consequências”, declarou.

Ainda sobre a noite dos factos, o arguido afirmou que a vítima “estava um pouco alcoolizada”.

“Percebi nela que tinha ingerido bebidas alcoólicas, ela cheirava a bebida e estava com o comportamento exaltado”, disse, referindo que era um hábito da vítima “aos fins de semana”.

Sobre esta questão, explicou a juíza presidente, a autópsia revelou que a vítima tinha uma taxa de álcool de 0,7 gramas por litro no sangue, valor que a magistrada não considerou significativo, uma vez que a mulher “tinha quase 100 quilos” e que aquele era um valor abaixo do considerado crime.

O arguido, mecânico de profissão, contou que a relação do casal, “era boa no início e depois não”, mas recusou ter alguma vez agredido a vítima, afirmando, no entanto, que a vítima chegou a arranhá-lo em discussões anteriores.

A vítima deixou dois filhos, anteriores ao casamento com o arguido, que é pai de cinco filhos, igualmente oriundos de relações anteriores.

O julgamento continua com a audição das testemunhas.