É o quinto assassinato de uma jovem no México este ano. Mas desta vez, há um suspeito, que foi constituído arguido e colocado sob prisão preventiva esta quarta-feira.

Karla Margarita Pérez Jiménez, estudante de Medicina de 22 anos, foi encontrada morta no município de Zapopan, no estado de Jalisco, dois dias depois de ter sido dada como desaparecida. O corpo apresentava sinais de violência, segundo informou a Procuradoria-Geral da República que está a investigar o caso sob a moldura penal de feminicídio, noticia a imprensa mexicana como o Milenio ou o El País Mexico, por exemplo.

Katia foi localizada num caminho rural na zona de Nextipac, a menos de um quilómetro do Campus de Ciências Agropecuárias da Universidade de Guadalajara, local onde decorriam as buscas. A operação contou com o apoio de drones que ajudaram a encontrá-la, “lamentavelmente já sem vida”, afirmou Blanca Trujillo Cueva, vice-procuradora para as Pessoas Desaparecidas. Junto ao local onde localizaram o corpo, as autoridades apreenderam ainda o telemóvel da jovem e uma mota queimada que se revelariam fundamentais na investigação.

Natural de Irapuato (Guanajuato), a jovem mexicana tinha-se mudado para a área metropolitana de Guadalajara para estudar na Universidade Cuauhtémoc. Segundo a família, o último contacto com Karla ocorreu na segunda-feira, 14 de setembro, quando saía, de bata branca, do seu turno na instituição médica onde realizava as horas clínicas do curso. Terá depois seguido numa mota de uma plataforma de transporte privado, a InDrive. Desde então, deixou de dar notícias, o que levou a família e a comunidade académica a mobilizarem-se em alertas e protestos nas redes sociais e nas ruas.

As investigações e a peritagem aos dados de geolocalização do telemóvel encontrado pela polícia permitiram a detenção de um suspeito, Eduardo Isaac “N” (o condutor da mota), que foi constituído arguido e colocado em prisão preventiva indiciado pelo crime de feminicídio, avançaram meios de comunicação social mexicanos como o portal de notícias Excelsior, ou o jornal Proceso.

A morte de Karla ocorre num momento de indignação generalizada e de grande tensão social face à violência contra as mulheres e a comunidade universitária no México. Apenas seis dias antes, tinha sido assassinada Claudia Tacoronte, uma estudante espanhola de intercâmbio de 21 anos que frequentava a Universidade Autónoma do Estado de Morelos (UAEM). O homicídio da jovem levou a Universidade de Granada, em Espanha, a suspender o programa de mobilidade e a cancelar a estadia de outros três alunos na instituição mexicana.

Claudia Tacoronte tornou-se a quarta estudante da UAEM assassinada em apenas sete meses, juntando-se aos casos de Kimberly Ramos (18 anos, estudante de Direito), Karol Toledo (18 anos) e Michelle Itzayana Fuentes (de 15 anos, aluna do ensino secundário, que faz parte do sistema escolar da Universidade Autónoma do Estado de Moledo) lembra o El Pais Mexico. As três tinham sido reportadas como desaparecidas em fevereiro e foram posteriormente encontradas mortas.

Estudante espanhola de 21 anos assassinada durante intercâmbio no México. Universidade de Granada cancela estadia de três alunos

A vaga de crimes desencadeou fortes protestos, greves estudantis e marchas pacíficas em vários pontos do país, aumentando a pressão sobre as autoridades mexicanas para esclarecerem os crimes e reforçarem as medidas de segurança das estudantes.

Texto editado por Dulce Neto