É o quinto assassinato de uma jovem no México este ano. Mas desta vez, há um suspeito, que foi constituído arguido e colocado sob prisão preventiva esta quarta-feira.
Karla Margarita Pérez Jiménez, estudante de Medicina de 22 anos, foi encontrada morta no município de Zapopan, no estado de Jalisco, dois dias depois de ter sido dada como desaparecida. O corpo apresentava sinais de violência, segundo informou a Procuradoria-Geral da República que está a investigar o caso sob a moldura penal de feminicídio, noticia a imprensa mexicana como o Milenio ou o El País Mexico, por exemplo.
Katia foi localizada num caminho rural na zona de Nextipac, a menos de um quilómetro do Campus de Ciências Agropecuárias da Universidade de Guadalajara, local onde decorriam as buscas. A operação contou com o apoio de drones que ajudaram a encontrá-la, “lamentavelmente já sem vida”, afirmou Blanca Trujillo Cueva, vice-procuradora para as Pessoas Desaparecidas. Junto ao local onde localizaram o corpo, as autoridades apreenderam ainda o telemóvel da jovem e uma mota queimada que se revelariam fundamentais na investigação.
???????? ???? HORROR EN MÉXICO: Estudiante de medicina desapareció luego de abordar un mototaxi para ir a clases.
Una ola de profunda rabia, indignación y dolor conmociona al estado de Jalisco tras revelarse el atroz femicidio de Karla Margarita Pérez Jiménez, de solo 22 años. La… pic.twitter.com/OUpPtXhrvT
— MACHI ???? (@arroba_machi) September 19, 2026
Natural de Irapuato (Guanajuato), a jovem mexicana tinha-se mudado para a área metropolitana de Guadalajara para estudar na Universidade Cuauhtémoc. Segundo a família, o último contacto com Karla ocorreu na segunda-feira, 14 de setembro, quando saía, de bata branca, do seu turno na instituição médica onde realizava as horas clínicas do curso. Terá depois seguido numa mota de uma plataforma de transporte privado, a InDrive. Desde então, deixou de dar notícias, o que levou a família e a comunidade académica a mobilizarem-se em alertas e protestos nas redes sociais e nas ruas.
As investigações e a peritagem aos dados de geolocalização do telemóvel encontrado pela polícia permitiram a detenção de um suspeito, Eduardo Isaac “N” (o condutor da mota), que foi constituído arguido e colocado em prisão preventiva indiciado pelo crime de feminicídio, avançaram meios de comunicação social mexicanos como o portal de notícias Excelsior, ou o jornal Proceso.
???? Trasladan a Puente Grande al presunto feminicida de Karla Margarita
Eduardo Isaac “N”, señalado como presunto responsable del feminicidio de Karla Margarita Pérez Jiménez, estudiante de Medicina de 22 años, fue trasladado al complejo penitenciario de Puente Grande, donde… pic.twitter.com/I9rdJitF4M
— Antena Noticias (@antenanoticias) September 18, 2026
???? Detienen a Eduardo Isaac N, presunto feminicida de la estudiante Karla Margarita
???????? La Fiscalía de Jalisco confirmó la detención de Eduardo Isaac N, señalado como presunto responsable del feminicidio de Karla Margarita Pérez, estudiante de Medicina de 22 años, originaria de… pic.twitter.com/RhT7eakHDu
— SDP Noticias (@sdpnoticias) September 18, 2026
A morte de Karla ocorre num momento de indignação generalizada e de grande tensão social face à violência contra as mulheres e a comunidade universitária no México. Apenas seis dias antes, tinha sido assassinada Claudia Tacoronte, uma estudante espanhola de intercâmbio de 21 anos que frequentava a Universidade Autónoma do Estado de Morelos (UAEM). O homicídio da jovem levou a Universidade de Granada, em Espanha, a suspender o programa de mobilidade e a cancelar a estadia de outros três alunos na instituição mexicana.
Claudia Tacoronte tornou-se a quarta estudante da UAEM assassinada em apenas sete meses, juntando-se aos casos de Kimberly Ramos (18 anos, estudante de Direito), Karol Toledo (18 anos) e Michelle Itzayana Fuentes (de 15 anos, aluna do ensino secundário, que faz parte do sistema escolar da Universidade Autónoma do Estado de Moledo) lembra o El Pais Mexico. As três tinham sido reportadas como desaparecidas em fevereiro e foram posteriormente encontradas mortas.
A vaga de crimes desencadeou fortes protestos, greves estudantis e marchas pacíficas em vários pontos do país, aumentando a pressão sobre as autoridades mexicanas para esclarecerem os crimes e reforçarem as medidas de segurança das estudantes.
Texto editado por Dulce Neto