Um grupo de 31 deputados democratas norte-americanos pediu a Donald Trump que não interfira nas presidenciais do Brasil, se comprometa a respeitar o processo eleitoral e reconheça o resultado das eleições de outubro.

Numa carta enviada na quinta-feira ao secretário de Estado, Marco Rubio, os legisladores, entre os quais o senador Bernie Sanders, manifestaram preocupação com o que consideram ser uma campanha de pressão da Administração do Presidente Trump sobre o Brasil através de medidas diplomáticas, económicas e políticas.

Segundo os congressistas, as ações podem afetar a relação bilateral e gerar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro.

Os deputados referiram as tarifas impostas aos produtos brasileiros e as sanções contra o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, adotadas por Washington enquanto o magistrado participava no processo judicial contra o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (2019-2022).

Os congressistas pediram ainda ao Departamento de Estado que explicasse os fundamentos jurídicos e as provas utilizadas para sancionar de Moraes.

A carta questiona também a decisão dos Estados Unidos de designar como organizações terroristas estrangeiras as fações brasileiras Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, bem como a revogação do visto do embaixador do Brasil em Washington.

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Os congressistas questionaram ainda a tentativa de uma delegação do Departamento de Estado de se deslocar ao Brasil para examinar o sistema eleitoral, uma visita que, segundo o documento, foi rejeitada pelas autoridades brasileiras.

Os deputados sustentam que as ações de Washington representam uma pressão sobre as instituições brasileiras e alertam que uma maior intervenção norte-americana poderá afetar a confiança no processo eleitoral.

Em particular, questionam o encontro realizado na Casa Branca entre o Presidente Trump e o senador Flávio Bolsonaro — candidato presidencial e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — em maio.

Trump tem sido acusado pelos opositores de tentar influenciar processos eleitorais de outros países a favor de candidatos de direita.

Nas Honduras, em 2025, manifestou publicamente apoio antes do sufrágio a Nasry ‘Tito’ Asfura, que acabou por vencer, enquanto na Colômbia manifestou apoio a Abelardo De la Espriella durante a campanha para as eleições presidenciais de maio, que também resultaram na vitória do milionário da direita radical.

Na terça-feira, no discurso na sessão de abertura da Assembleia-Geral da ONU, o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva advertiu sobre tendências hegemónicas e declarou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.

“Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não podem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos”, afirmou.

Lula disse que o processo eleitoral é transparente e competitivo, numa referência às urnas eletrónicas e à justiça eleitoral brasileira, e com “ampla liberdade de expressão”.

“Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associarem a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos as redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha”, acusou o Presidente brasileiro.

As eleições presidenciais no Brasil estão agendadas para o próximo dia 04 de outubro e, caso uma primeira volta não seja conclusiva, para 25 do mesmo mês.

De acordo com o agregador de sondagens da BBC, divulgado na quinta-feira, a dez dias da primeira volta da eleição presidencial, Lula da Silva lidera com 40% das intenções de voto, logo seguido por Flávio Bolsonaro com 38%, que vem a subir consistentemente nos inquéritos desde o início de setembro.

As intenções de voto para a mais do que provável segunda volta colocam Lula e Flávio empatados, ambos com 45%, segundo pesquisas divulgadas até à passada quarta-feira, 23 de setembro.