O primeiro-ministro iraquiano afirmou esta sexta-feira a ambição do Iraque de se tornar um “centro global de produção de energia” e pediu à comunidade internacional para investir no país.

“Aqui, a partir das Nações Unidas, dizemos ao mundo: invistam no Iraque. O Iraque possui recursos, mercados, uma boa localização e a vontade necessária para construir uma nova economia”, afirmou Ali al-Zaidi durante o seu discurso na 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, no qual recordou que, além disso, o seu Governo está a travar uma batalha contra a corrupção endémica no país.

O Iraque é atualmente o segundo maior produtor de petróleo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O ex-empresário recordou que o Iraque deixou para trás décadas de conflito e instabilidade que dizimaram os seus recursos e que, atualmente, está a tentar desenvolver a sua indústria para gerar oportunidades de investimento, está a conceder facilidades ao setor privado e a desenvolver a sua infraestrutura energética.

“A nossa ambição é que o Iraque se torne um centro global de produção de energia”, acrescentou Al-Zaidi, que também manifestou preocupação face aos “acontecimentos relacionados com a liberdade de transporte e navegação marítima”, numa referência ao encerramento pelo Irão do estreito de Ormuz, que causou graves prejuízos à economia do Iraque, que depende quase inteiramente da venda de petróleo.

Perante esta crise, afirmou que o Governo está a trabalhar para diversificar os portos de exportação de petróleo e gás e para desenvolver linhas e corredores energéticos que liguem o Iraque, a Turquia, a Jordânia e a Síria, com o objetivo de “alcançar os mercados globais e contribuir para a segurança energética” mundial.

Além disso, as autoridades iraquianas estão a adotar um programa para aumentar a produção de crude “de forma coerente” com as suas reservas comprovadas, ao mesmo tempo que procuram expandir as suas capacidades de refinação e de produção de derivados de petróleo.

Recordou ainda aos presentes o ambicioso projeto da Rota do Desenvolvimento, que pretende ligar o Oriente ao Ocidente a partir do porto de Al Faw (sul do Iraque) à Europa através da Turquia, pelo que apelou à colaboração com os vizinhos para gerar prosperidade através de interesses económicos partilhados.

“Quando os países da região estão interligados através de portos, vias férreas, linhas elétricas, comércio e investimentos, têm um maior interesse em preservar a estabilidade”, afirmou Al-Zaidi, após ter lançado mais um apelo para apoiar os esforços destinados a aumentar os fluxos comerciais através do Iraque.

No seu discurso, o primeiro-ministro iraquiano reafirmou o compromisso do país em garantir o desarmamento das milícias que operam no seu território e de estreitar a colaboração com os países parceiros, sobretudo agora que chega ao fim a missão da coligação internacional que combatia o terrorismo na região.

“Esforçámo-nos por garantir que seja o Estado a tomar a decisão final em matéria de paz e guerra, e que as armas e os instrumentos de poder permaneçam nas mãos das suas instituições constitucionais”, sublinhou Al-Zaidi.

No próximo dia 30, o Governo iraquiano dará início a um processo para desarmar as fações que operam à margem do Estado, uma medida que está a deparar-se com a resistência de algumas milícias pró-iranianas que operam no país e que lançaram ataques contra tropas dos Estados Unidos no Médio Oriente e contra países do Golfo Pérsico durante a guerra atual.

Isto decorre em paralelo com as operações do Estado para confiscar os mais de seis milhões de armas que se encontram na posse de cidadãos e grupos armados.

No entanto, Al-Zaidi assegurou que as medidas do seu Governo “estão no bom caminho” e que o resultado deste processo servirá, entre outras coisas, para “criar o ambiente necessário para o desenvolvimento e o investimento” no país, assolado por décadas de conflito, instabilidade e atividade terrorista.