Seis municípios do Médio Tejo receberam esta sexta-feira tratores para reforçar a gestão de combustível e a prevenção de incêndios, numa estratégia que prevê intervenções permanentes no território, com pelo menos 80 quilómetros anuais distribuídos por autarquia.
“Ter o equipamento é fundamental, porque permite não só fazer uma vez, mas, ao longo dos anos, fazer a manutenção e a gestão dessa mesma faixa”, disse nesta sexta-feira à Lusa o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, defendendo uma “gestão permanente” do território.
Os equipamentos foram entregues aos municípios de Constância, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, todos no distrito de Santarém, através de protocolos celebrados com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Os tratores destinam-se à gestão de combustível em estradas municipais, caminhos e estradões florestais e à proteção de infraestruturas, aldeias e espaços isolados, permitindo operações de desmatação, limpeza e manutenção das faixas consideradas prioritárias.
Cada município assume o compromisso de intervencionar anualmente pelo menos 80 quilómetros de caminhos ou 80 hectares de faixas de gestão de combustível, uma meta que Rui Ladeira considerou possível superar.
“Eu diria que os municípios vão superar e vão conseguir até dobrar este número”, afirmou, considerando que uma maior intervenção aumenta a capacidade de proteção e gestão do território.
O presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Manuel Mourato, classificou o trator como “um meio essencial para a prevenção do risco de incêndio florestal” e destacou o reforço da “capacidade e da autonomia dos municípios” na limpeza e manutenção das faixas de gestão de combustível.
Mourato recordou ainda os danos provocados pela tempestade Kristin na floresta e infraestruturas da região, considerando que confirmaram a necessidade de reforçar os meios municipais de intervenção.
Também o presidente da Câmara de Ourém e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, Luís Albuquerque, disse que o equipamento permitirá reduzir a contratação externa e “ser mais eficaz” na limpeza da floresta, ainda “num estado muito lastimável” após a tempestade Kristin.
Os equipamentos são cedidos gratuitamente, em regime de comodato, por cinco anos, tendo Albuquerque adiantado que Ourém pretende ultrapassar os 80 quilómetros anuais previstos devido à extensão da rede de caminhos florestais do concelho.
A entrega integra um programa nacional financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que prevê disponibilizar 150 tratores aos municípios, num investimento de cerca de 27,5 milhões de euros.
Segundo Rui Ladeira, todos os municípios do continente foram auscultados, tendo mais de 70% manifestado interesse em receber equipamentos, cuja entrega o Governo espera concluir até final de outubro, dependendo do fornecimento, homologação e legalização das máquinas.
Além dos equipamentos destinados às autarquias, Rui Ladeira adiantou que mais de quatro dezenas de organizações de produtores florestais com equipas de sapadores vão receber tratores com capinadeiras ou destroçadores, para reforçar a capacidade de gestão e redução do risco de incêndio.
No conjunto da estratégia, o governante apontou para mais de 280 tratores destinados a municípios e organizações florestais, além de 18 máquinas de rastos atribuídas a comunidades intermunicipais, reforçando os meios disponíveis para intervenção no território.
O secretário de Estado anunciou ainda o relançamento do Floresta Ativa, programa de apoio à limpeza, gestão e valorização de terrenos florestais, com uma dotação de 4 milhões de euros e abertura prevista para outubro.
O aviso para o programa manterá o modelo simplificado e o adiantamento de 50% após aprovação pelo ICNF. Na primeira edição, em 2025, foram contratualizadas 1.710 candidaturas, abrangendo 6.447 hectares, com 4,22 milhões de euros de apoio aprovado.