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Alto comando militar proíbe o regresso de Sissoco Embaló ao país

Afinal, o ex-Presidente da Guiné-Bissau já não pode voltar ao país. O Alto Comando Militar proibiu o seu regresso. Argumenta que não estão reunidas as condições para Sissoco Embaló retornar.

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▲Horta Inta-A, o Presidente de Transição terá deixado de ter os homens de Sissoco (que nesta imagem está na fotografia na parede) na sua Guarda Presidencial

AFP via Getty Images

▲Horta Inta-A, o Presidente de Transição terá deixado de ter os homens de Sissoco (que nesta imagem está na fotografia na parede) na sua Guarda Presidencial

AFP via Getty Images

Se dúvidas houvesse sobre a posição da Junta Militar sobre o regresso de Umaro Sissoco Embaló, foram esta quinta-feira desfeitas. O ex-Presidente da Guiné-Bissau, deposto em novembro último num golpe de Estado, está proibido de voltar ao país.

O Alto Comando Militar para a Restauração da Segurança Nacional e da Ordem Pública, que controla o país desde então, anunciou que, “após analisar a situação nacional e a situação securitária do país”, concluiu que não existem “por enquanto, condições de segurança para garantir o retorno ao território nacional do antigo Presidente”.

Em comunicado, a Junta Militar que assumiu o poder depois do golpe de Estado, explica que a decisão se baseia “exclusivamente em razões de segurança nacional, na preservação da ordem pública e na prevenção de situações que possam comprometer a estabilidade e tranquilidade sociais”.

Esta posição surge dois dias depois de o Conselho Nacional de Transição ter declarado que qualquer cidadão guineense tinha “o direito de regressar ao país” e de concorrer às eleições, desde que reunisse as condições exigidas. Na segunda-feira, Umaro Sissoco Embaló anunciou à AFP e à Jeune Afrique que ia voltar a Bissau este domingo, dia 4, e que seria candidato no ato eleitoral de 6 de dezembro.

“Vai haver tiros”. Bissau, sob tensão, espera onda de violência se Sissoco Embaló regressar no domingo

Mas na terça-feira, houve movimentações de militares no Palácio Presidencial, e segundo garantiram várias fontes ao Observador, foram desarmados e detidos militares fiéis a Sissoco Embaló, que faziam parte da Guarda Presidencial. A segurança de Horta Inta-A, o Presidente da República de Transição, terá passado para as mãos dos fuzileiros. Mais, uma fonte guineense adiantou que até o diretor dos Serviços de Informação de Segurança, um dos homens do ex-líder guineense, “foi desarmado e detido”.

Terça-feira foi um dia tenso em Bissau, as escolas e algumas instituições e escritórios chegaram mesmo a fechar, mas o Governo, através do porta-voz do ministro do Interior, deu uma conferência de imprensa para dizer que não havia qualquer problema e que a movimentação dos militares no Palácio não tinha sido nada mais do que transferências de posto, normais no meio militar.

Analistas e políticos ouvidos pelo Observador não acreditaram nesta explicação, vendo antes no que se passou um sinal claro de que o atual primeiro-ministro e uma ala militar significativa deixaram de ser aliados de Sissoco Embaló. Terá sido mesmo o Comando Militar a desarmar as milícias do antigo Presidente.

Agora, a Junta Militar que deu o golpe em novembro, e que muitos dizem ter sido uma encenação orquestrada por Sissoco Embaló para evitar a divulgação dos resultados eleitorais que davam a vitória ao opositor Fernando Dias da Costa, tornou tudo muito claro. Sissoco Embaló não pode voltar.

“Está a confirmar-se que Umaro Sissoco Embaló está a ser afastado do jogo político pelos seus próprios homens”, diz ao Observador o jurista e analista guineense Néxus Faria.

“Há uma tensão dentro do atual regime que exerce o poder na Guiné-Bissau. Existe uma ala que apoia o regresso do Umaro Sissoco Embaló e a outra que não endossa o retorno.
Portanto, parece que a ala que não apoia o seu regresso dispõe de mais fuzil no momento”, afirma o advogado.

Mas esta decisão não significa que as liberdades democráticas tenham sido repostas no país. As manifestações e reuniões políticas continuam proibidas no âmbito da Transição Política, avisa o Alto Comando Militar na mesma nota divulgada pelo Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Presidência da República.

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