Uma equipa de investigação liderada pela Universidade de Coimbra (UC) está a estudar de que forma dois programas de intervenção psicológica, que promovem empatia e compaixão, podem reduzir preconceitos contra grupos socialmente minoritários e que mudanças psiconeurofisiológicas lhes estão associadas.
O trabalho decorre no âmbito do projeto ProSocial-Living: um estudo psiconeurofisiológico sobre o papel da empatia e da compaixão em relação a indivíduos socialmente minoritários, que é coordenado por Sérgio Andrade Carvalho, investigador do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) e da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
“Com este projeto, os investigadores esperam conseguir identificar de que forma intervenções baseadas em compaixão e empatia podem alterar respostas automáticas de viés preconceituoso e fortalecer comportamentos pró-sociais — ações realizadas com o intuito de ajudar e cuidar de outras pessoas”, destacou Sérgio Andrade Carvalho.
De acordo com o investigador, para compreender os mecanismos envolvidos, foram criados dois programas distintos, um centrado na promoção da empatia e outro na promoção da compaixão, que serão testados em participantes adultos.
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“Pretendemos perceber se estes programas conseguem produzir mudanças nas atitudes, mas também como é que essas mudanças acontecem. Em particular, queremos estudar se alterações psicológicas – por exemplo, a capacidade de compreender a perspetiva do outro ou a motivação para responder ao seu sofrimento – são acompanhadas por alterações em indicadores psicofisiológicos e neuroendócrinos (sinais físicos e químicos do corpo humano que mostram as reações da mente e das emoções) associados à resposta ao stress e à afiliação social”, explicou.
Os participantes no estudo vão ser avaliados antes e depois da participação nos programas digitais, sendo também aplicados questionários para avaliar empatia, compaixão, atitudes relativamente a grupos socialmente minoritários e outros processos psicológicos.
Vão ser igualmente recolhidos indicadores fisiológicos, como a variabilidade da frequência cardíaca e indicadores neuroendócrinos obtidos através de amostras de saliva, nomeadamente o cortisol.
Segundo Sérgio Andrade Carvalho, este projeto tem “uma abordagem ao preconceito como um fenómeno complexo, que não se esgota naquilo que as pessoas pensam ou dizem”, procurando estudar conjuntamente as suas dimensões psicológica, social e psicofisiológica.
“Se conseguirmos identificar formas eficazes de promover atitudes mais pró-sociais e reduzir o preconceito, esse conhecimento poderá ajudar a informar futuramente o desenvolvimento de programas educativos, iniciativas de prevenção da discriminação e medidas de promoção da inclusão e da coesão social”, afirmou.
O investigador da UC esclareceu ainda que o estudo se centra na dimensão biopsicossocial do preconceito, não abrangendo fatores sociopolíticos como a polarização normativa, a socialização política ou a identidade social ideológica.
“Os resultados do projeto, ao contribuírem para uma melhor compreensão da relação entre pró-socialidade e preconceito, têm potencial para contribuir para o desenho de políticas e medidas destinadas à promoção da igualdade e à redução da discriminação”, acrescentou.
Financiado pela Fundação BIAL, o projeto reúne investigadores da UC, através do CINEICC, da FPCEUC, do Centro de Neurociências e Biologia Celular e do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, contando ainda com a participação de especialistas do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, da Universidade John Cabot (Roma), da Universidade Deakin (Austrália), da Universidade Sapienza de Roma e da Universidade do Luxemburgo.