Os líderes da União Europeia reúnem-se na próxima semana em Bruxelas para uma cimeira na qual vão discutir respostas para o aumento do custo de vida e tentar consensualizar “os elementos fundamentais” do próximo orçamento comunitário.

Na carta-convite dirigida aos chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), António Costa refere que a cimeira de 15 e 16 de outubro terá um “forte enfoque na economia” e na necessidade de se encontrarem respostas para o aumento do custo de vida.

“Precisamos de dar orientações à Comissão sobre medidas específicas e temporárias destinadas a atenuar o impacto dos preços elevados da energia nos nossos cidadãos e empresas, prosseguindo, ao mesmo tempo, a nossa estratégia para reduzir a dependência da Europa face aos combustíveis fósseis”, indica.

Além desta questão, Costa salienta que os líderes vão também debater o próximo orçamento da UE, para o período entre 2028 e 2034, numa altura em que o Governo irlandês, que detém a presidência rotativa do Conselho da UE, irá apresentar este sábado a sua proposta negocial.

Insistindo que é necessário chegar a acordo sobre o orçamento até ao final do ano, António Costa adverte que, a partir deste mês, as negociações vão entrar “numa fase decisiva”. “A próxima reunião deve, por isso, aproximar-nos da consolidação dos elementos fundamentais necessários para alcançar um acordo até ao final do ano. Conto com a vossa liderança e espírito de colaboração”, refere.

Ainda em matéria económica, Costa convida os líderes a avaliarem os progressos que estão a ser feitos no âmbito da estratégia “Uma Europa, Um Mercado”, que visa incentivar a competitividade da UE, e a ouvirem a Comissão sobre o trabalho que está a fazer “para reduzir os desequilíbrios macroeconómicos mundiais” que estão a afetar a indústria europeia.

O presidente do Conselho Europeu informa ainda os líderes da UE que, à semelhança do que tem feito frequentemente, convidou o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para participar presencialmente na reunião quando for abordado o ponto sobre a guerra no país.

Costa afirma que o intuito é Zelensky explicar quais são “as necessidades operacionais” da Ucrânia para o próximo inverno, num contexto de “crescentes ataques da Rússia a infraestruturas críticas”.

Sobre a Rússia, o presidente do Conselho Europeu indica ainda que os líderes vão discutir “o comportamento cada vez mais imprudente” de Moscovo, “incluindo a sua campanha de ataques híbridos”.

“Mantemo-nos unidos e determinados perante esta escalada e continuaremos a progredir no reforço das nossas capacidades de Defesa”, afirma Costa, que pede que se acelerem os progressos para resolver as “lacunas críticas em termos de capacidades militares”.

O presidente do Conselho Europeu pede ainda que se façam dois “debates estratégicos”, um dos quais sobre migrações, após a crise migratória de Ceuta, em julho.

Costa considera que, sobre esta matéria, a UE está a conseguir “obter resultados” através das recentes medidas adotadas, como “evidencia a diminuição significativa e sustentada das chegadas de imigrantes em situação irregular”.

“No entanto, temos de permanecer vigilantes e preparados, agir com solidariedade quando os Estados-membros enfrentam situações de crise e continuar o trabalho para melhorar a nossa capacidade de fazer face às crises, incluindo em casos de instrumentalização”, salienta.

O segundo debate estratégico será sobre o alargamento da UE, com foco particular na adesão do Montenegro e na necessidade de se “concluírem-se as negociações com esse país candidato, idealmente até ao final do ano”.

Segundo António Costa, os líderes irão ainda discutir a situação no Médio Oriente, para fazer um “balanço dos mais recentes desenvolvimentos na região”, incluindo a nível de liberdade de navegação e segurança marítima.

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