O número de migrantes mortos num naufrágio ao largo do Djibuti na noite de quinta para sexta-feira subiu para 139, após terem sido recuperados mais 30 corpos, anunciou neste domingo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Num novo balanço, a OIM indicou que os esforços de busca e salvamento prosseguem, à medida que aumentam os receios sobre os desaparecidos.
O barco transportava 305 pessoas desde o Djibuti em direção ao Iémen quando se afundou perto de Guehere, a norte da cidade djibutiana de Oboque, na noite de 8 para 9 de outubro.
Trata-se de um dos naufrágios mais mortíferos registados na Rota Oriental.
“Ninguém entra num barco assim a menos que acredite que não há outra forma segura”, disse a diretora-geral da OIM, Amy Pope, citada no comunicado.
“Não podemos continuar a tratar estas mortes como normais. Vias seguras e legais salvam vidas. Peço aos governos e doadores que ajam antes que o próximo barco afunde”, apelou a responsável desta agência das Nações Unidas.
Objetos pessoais provavelmente pertencentes aos migrantes, incluindo sapatos, foram vistos numa praia num vídeo partilhado pela OIM, segundo a agência Associated Press.
Cerca de 80 pessoas sobreviveram ao naufrágio.
A OIM está a prestar assistência de emergência aos sobreviventes no seu Centro de Resposta a Migrantes em Oboque, incluindo cuidados de saúde, apoio psicossocial, alimentação, abrigo e serviços de proteção.
Todos os anos, dezenas de milhares de migrantes do Corno de África viajam pelo Djibuti e atravessam o estreito de Bab el-Mandeb até ao Iémen, na esperança de chegar aos países do Golfo em busca de segurança, estabilidade e emprego, e apesar da violência no Iémen.
Desde 10 de setembro, mais de 20.000 movimentos de entrada para Djibuti vindos da Etiópia foram registados pela OIM.
A organização sublinhou, no entanto, que a travessia marítima “é apenas uma parte do perigo”.
Os migrantes que chegam ao Iémen “enfrentam riscos de violência, detenção e detenção arbitrária, exploração e tráfico”, alertou.